Monday, April 23, 2012

Dilema do copo


Se ele é preenchido com água até a metade de sua capacidade, espera-se que um otimista diga que ele está "meio cheio" e que um pessimista reconheça um copo "meio vazio".
Porém a água está onde está, na metade do copo, e parada, quer queiram ou não.
O realista é aquele que pensa que se ninguém tomar uma atitude a água permanecerá aonde está.
A esperança ou o conformismo não garantirão o resultado. O realista tem uma ideia de que o resultado é o que deve ser alcançado.
E assim precipita a tempestades em copo d´água, a energia da colisão entre a frente fria do pessimista, com a massa de ar quente do otimista, no "copinho" do realista.

Monday, April 09, 2012

Acordei no meio da noite e impressione-me com as imagens que surgiram na minha mente. Passou um Facebook pela minha lembrança. Imagens de pessoas que mal vejo habitam minha memória noturna mal dormida. Você, por mais distante e insignificante que pense ser na minha vida, passou por ela.
Gente que se vê na rua, que se cruza olhares, um universo de impressões se registram no inconsciente e nessas circunstâncias pipocam na lembrança. Um mendigo que estava deitado quase em frente a minha casa quando cheguei, uma linda modelo, uma arquiteta, outra arquiteta, um ou dois, ou três guitarristas talentosos, uma poetisa que semeia poesias otimistas das quais só gosto quando são tristes e desesperadas, uma amante antiga, outra, outra, enfim, incontáveis personagens dos meus olhares. E uma paz na epifania noturna, ondas alfa, beta, teta, delta provocando um maremotos na consciência que me fez surfar.
Somos como casas, mesmo o mendigo sem casa. Deitado na rua, sobre um pedaço de isopor nas costas, as longas pernas magras dobradas, as mãos sobre o peito. Nunca me pediu nada, e me intriga sua passividade. Invejo-lhe a altura. É belo, mulato, de barba e cabelo crescido. Quem sabe seja cristo disfarçado. É páscoa e é noite. Tudo se confunde.
Por que deixamos pessoas dormirem nas ruas enquanto temos espaços em nossas casas, roupas sobrando nos guarda-roupas, comidas indo pro lixo por sobrarem nos nossos pratos?
Se eu tivesse a sua altura talvez aquela modelo que todos elogiam o sorriso que eu vejo tristeza talvez combinasse comigo. Aprendi finalmente que o amor não tem um fim, um propósito, um objetivo. Aquela linda mulher com quem namorei hoje é uma amiga, e isso é tudo, e está ótimo assim.
Somos casas. Não importa o quanto queiramos nos distinguir, ter uma fachada em grande estilo, de material nobre ou tijolo de seis furos, eu vejo com os olhos da alma, claramente, arquitetos, toda casa tem sala, cozinha, banheiro e quarto de dormir, e tentamos preenche-la de infinitos objetos, sentidos, palavras e famílias, mas está vazia, esta é a verdade. E eu já posso morrer agora, ou dentro de alguns anos. Acordei no meio da noite. Epifania.

Thursday, March 29, 2012

Como me tornei marginal... Destino.
Não sei se fico em casa sozinho ou saio ao encontro de uma vadia.
Talvez eu não seja to marginal, e ela não tão vadia, mas é o nome que se dá a nós.
Destino.
Há a dramaturgia, e há o destino. Na dramaturgia toda história faz sentido, no destino o sentido é a história.
Pseudointelectual não tem sentido, tem história. No destino todos nos igualamos.
Vou dormir. Fazer meu Destino.

verdades e mentiras

Eu sou um ignóbil. Um homem arrogante, como todo sujeito pequeno costuma ser, e dotado de maus hábitos - um vagabundo, como costumam pensar de mim. Basicamente é isso. Se eu tivesse uma empresa não contrataria alguém como eu. Se fosse uma mulher, não me casaria com um cara assim. Se fosse pai, seria um pai desgostoso, e se fosse um amigo abriria os olhos, não confiaria cegamente, não.
Mas que bom seria se todo o sujeito mau caráter como eu se assumisse. A vida seria mais fácil, como se todos os buracos que pudéssemos despencar estivessem bem sinalizados. Se toda mulher que não presta que encontrássemos avisasse: Amor, eu sou safada mesmo, se tu piscar te trairei com o primeiro canalha da minha espécie que me agradar, e ainda te levarei a casa e os filhos. Ou se o amigo que resolvêssemos convidar pra um empreendimento avisasse antes: Presta atenção, na primeira oportunidade que tiver te puxo o tapete, porque pra mim tu não passas de um otário que deu bobeira pra um malandro. E se os pais que acreditávamos nos amar confessassem finalmente que nunca nos amaram, mas que na verdade amaram a si mesmos em nós, e nos odiaram como odiaram seus projetos fracassados, seus hábitos corrompidos, suas mesquinhezas e seus azares.
Eu gostaria que todo mundo pudesse ler um texto como se pode ler este e de cara percebesse que era algo que não valeria a pena levar em conta, e dedicasse seu precioso tempo vivendo.

Tuesday, March 27, 2012

Eu queria deixar tudo pra trás, e olhar pra frente, renascido.

Eu não sou mais criativo, e desaprendi escrever. Ok, nunca soube, mas escrevia sem saber.
Nos últimos tempos a morte andou fazendo história por aqui. Primeiro o velho João, o canalha. Um mpobre canalha, alcoólatra por quem minha mãe se afeiçoou a ponto de amar. Depois ela mesma, minha pobre mãe. Maledetta como eu a chamava. Matou-se de fumar, e eu matei-a tentando a salvar. Internei minha mãe para que não chegasse ao número de 5 carteiras por dia. Bateu a cabeça na clinica tocando as fraldas, tarefa que não conseguia mfazer sozinha, mas para contrariar-me tentou. Teve que me dizer isso horas antes, para endossar a culpa que carrego. Depois meu filho cachorro, o Yankee. Um exemplar perfeito de American Staffordshire Terrier. Um cachorro Buda, que amanheceu estirado, duro e envenenado na sala da minha casa, justamente num dia raro que não dormi em casa. Morreu sozinho, enquanto era pra morrer de velhice, abraçado e beijado, como um cachorro perfeito merece. E se parece que sinto mais a falta do cão do que minha mãe é talvez só uma mentira que me recuso a esclarecer. Não sei mais escrever, muito menos entender o que sinto.
Raquel é a que mais ressuscita. Só em 2012 foram umas 8 vezes. Hoje foi mais uma. Não posso mais... Parece que a morte está tão próxima que pode tocar em mim. Se é que já não tocou.

Monday, March 28, 2011

Perfil

Algumas pessoas me perguntam, outras especulam-me pelas costas o motivo de eu ser assim, mau como um pica-pau. Bom, tudo começou na tenra infância, quando botei a boca nos mamilos dos seios daquela gostosinha da minha mamãe. Travou-se dalí em diante uma disputa entre mim e meu pai que perdura até hoje. Agora tento devolver-lhe a velha, e ele não a quer mais. Percebi que pensar com a cabeça de hoje o futuro, o amanhã, é uma desgraça que começa de bebê, e revoltei-me com a sociedade como um todo, opressora, como papai.

Nota: A ironia é justamente isto: essa ultrapassagem do verdadeiro pelo real. No
fundo, atribuindo ironicamente a vida ao pai morto, o Homem dos ratos
mobilizou, sem que ele próprio soubesse, a equivalência do nome do pai e do
pai real da horda primitiva, o pai inquebrantável do gozo (SAURET, 1999, p.
9).

Friday, October 22, 2010

O que eu ando fazendo?


Francamente, aondo brigado com as palavras.
Vou tomar um banho...

Wednesday, May 12, 2010

Virada Heróica Sobre o Santos - Histórica!


Eu tava lá, se não não acreditava... O Grêmio é imortal.

Borges marcou três vezes e deu início à reação gremista no segundo tempo
Foto: Lucas Uebel/Preview.com/Gazeta Press


Com grande atuação no segundo tempo, o Grêmio conseguiu um bom resultado no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, no Estádio Olímpico: venceu o Santos por 4 a 3, em uma virada espetacular, e jogará pelo empate na partida de volta, na Vila Belmiro. Depois de ir para o intervalo perdendo por 2 a 0, o time gaúcho reagiu com três gols de Borges e um de Jonas. André (duas vezes) e Robinho descontaram.

O Grêmio começou a partida com três zagueiros, e Hugo na ala esquerda. O time não se acertou na nova formação e ameaçou só em um chute fraco de Adílson, facilmente defendido por Felipe, aos 4min. Melhor em campo, o Santos assustou Victor com uma finalização de longe de Marquinhos, mas o goleiro, preterido por Dunga na convocação para a Copa do Mundo, espalmou bem.

O time paulista abriu o placar aos 15min, após cobrança de escanteio de Marquinhos. Victor não saiu do gol e André apareceu sozinho na segunda trave para cabecear para as redes. Marcando muito mal, os gaúchos sofreram o segundo gol cinco minutos depois: lindo passe de Paulo Henrique Ganso, que teve ótima atuação, para André. Frente a frente com o goleiro, o centroavante santista tocou com categoria para fazer 2 a 0.

Depois do segundo gol, o técnico Silas mudou o desenho tático do Grêmio, movendo Edílson para a lateral esquerda, liberando Mário Fernandes na direita e devolvendo Hugo ao meio de campo em um 4-4-2. O time melhorou e assustou aos 22min, em bomba de Edílson de fora da área que Felipe defendeu com o pé; na sobra, Borges, sozinho, bateu cruzado para fora.

A chance de ouro para o Grêmio empatar veio no minuto seguinte, quando Durval derrubou Willian Magrão dentro da área. Porém, Jonas bateu mal o pênalti, no meio do gol, e Felipe defendeu. Sem se abalar com a cobrança desperdiçada, a equipe da casa passou a atacar mais. Aos 28min, Jonas rolou de calcanhar para a chegada de Adílson, que chutou em cima do goleiro santista. No rebote, Edilson chutou de esquerda, para nova defesa de Felipe.

O Santos explorava bem os contra-ataques. Aos 30min, Robinho poderia ter aberto a jogada para André, que estava livre na direita, mas bateu mal, por cima do gol. Dois minutos depois, Ganso quase marcou um golaço. O camisa 10 recebeu de Robinho na área e dominou mal, mas deu um lindo toque para encobrir Victor; a bola bateu no travessão e André não conseguiu concluir de cabeça no rebote.

Com 35min, o goleiro santista voltou a aparecer bem. Borges recebeu passe por trás da zaga e chutou de primeira, mas Felipe mostrou reflexo e fez uma grande defesa, garantindo a vantagem de dois gols até o fim do primeiro tempo.

O panorama no segundo tempo não se alterou: o Grêmio no ataque, buscando reverter a desvantagem, e o Santos esperando a chance de acertar um contragolpe. Aos 8min, Jonas girou na área e conseguiu chutar, mas Felipe, de novo, segurou firme. Dois minutos depois, foi a vez de Borges, em sua jogada característica, receber de costas para o zagueiro, girar e finalizar; porém, a bola foi na rede pelo lado de fora.

A pressão gremista deu certo. Aos 12min, Douglas dominou na área e Edu Dracena tentou desarmar o meia, mas acabou dando uma "assistência" para Borges, que fuzilou Felipe na pequena área e diminuiu para o time da casa. Seis minutos depois, o empate: Rodrigo Mancha perdeu a bola na intermediária defensiva, Douglas acionou Jonas na direita e o atacante cruzou para Borges, no segundo poste, deixar tudo igual no placar.

Dorival Júnior reagiu ao empate de forma drástica: sacou Rodrigo Mancha, que havia acabado de entrar, para colocar Rodriguinho. Depois de sair, o volante, muito irritado, esmurrou o banco de reservas. A substituição não fez efeito: aos 21min, Jonas soltou um foguete de fora da área, sem chances para Felipe, e conseguiu a virada.

O terceiro gol fez o Grêmio crescer no jogo, e Borges voltou a balançar as redes aos 31min. O centroavante recebeu passe de Jonas em posição legal, saiu frente a frente com Felipe e bateu com estilo no canto do goleiro para fazer 4 a 2.

O Santos, porém, não estava morto. Aos 38min, Ganso deu mais um passe espetacular, encontrando Robinho livre do outro lado da área. O atacante, nome certo na Copa do Mundo, matou no peito e chutou forte para estufar as redes de Victor, diminuindo a desvantagem para o jogo de volta. Nos minutos finais, o time paulista voltou a jogar no ataque, em busca do empate, mas não conseguiu vazar a defesa gremista.

FICHA TÉCNICA

Grêmio 4 x 3 Santos

Gols
Grêmio: Borges, aos 12min, 18min e 31min; Jonas, aos 21min do 2º tempo
Santos: André, aos 15min e aos 20min do 1º tempo; Robinho, aos 38min do 2º tempo

Ponto Forte do Grêmio
Não se abalou com a desvantagem de 2 a 0 no intervalo e fez um grande segundo tempo, com destaque para os três gols de Borges

Ponto Forte do Santos
Muita velocidade e eficiência nos contra-ataques, bem explorados durante toda a partida

Ponto Fraco do Grêmio
Início muito ruim, com a defesa atrapalhada no esquema 3-5-2 e Hugo deslocado para a ala esquerda

Ponto Fraco do Santos
Recuo excessivo no segundo tempo, principalmente após a saída de Marquinhos, substituído por Rodrigo Mancha - que deixou o campo logo depois para a entrada de Rodriguinho

Lance bizarro
Bolada de Léo na cara de Paulo Henrique aos 8min de jogo, que deixou o meia santista caído no gramado durante quase um minuto

Personagem do jogo
Borges, que comandou a virada do Grêmio com três gols no segundo tempo

Esquema Tático do Grêmio
3-5-2
Victor; Rodrigo, Ozeia e Mário Fernandes (Joílson); Edílson, Adílson, Willian Magrão (Fábio Rochemback), Douglas (Maylson) e Hugo; Jonas e Borges. Técnico: Silas

Esquema Tático do Santos
4-4-2
Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo (Maranhão); Arouca, Wesley, Marquinhos (Rodrigo Mancha, depois Rodriguinho) e Paulo Henrique Ganso; Robinho e André. Técnico: Dorival Júnior

Cartões amarelos
Grêmio: Rodrigo, Ozeia, Adílson e Hugo
Santos: Durval, Léo, Robinho, Marquinhos e Arouca

Árbitro
Sandro Meira Ricci (DF)

Local
Estádio Olímpico, Porto Alegre (RS)

Público
38.473

Renda
R$ 819.403,00