<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565</id><updated>2012-01-23T20:49:03.297-08:00</updated><category term='Porque a maioria é burra.'/><category term='cão dormindo'/><category term='buu'/><category term='Redação Inquieta'/><category term='Cel. Vicente à noite.'/><title type='text'>.</title><subtitle type='html'>SEM DESCRIÇÃO</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>261</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4524066047574110747</id><published>2011-03-28T18:14:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T18:15:16.968-07:00</updated><title type='text'>Perfil</title><content type='html'>Algumas pessoas me perguntam, outras especulam-me pelas costas o motivo de eu ser assim, mau como um pica-pau. Bom, tudo começou na tenra infância, quando botei a boca nos mamilos dos seios daquela gostosinha da minha mamãe. Travou-se dalí em diante uma disputa entre mim e meu pai que perdura até hoje. Agora tento devolver-lhe a velha, e ele não a quer mais. Percebi que pensar com a cabeça de hoje o futuro, o amanhã, é uma desgraça que começa de bebê, e revoltei-me com a sociedade como um todo, opressora, como papai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: A ironia é justamente isto: essa ultrapassagem do verdadeiro pelo real. No&lt;br /&gt;fundo, atribuindo ironicamente a vida ao pai morto, o Homem dos ratos&lt;br /&gt;mobilizou, sem que ele próprio soubesse, a equivalência do nome do pai e do&lt;br /&gt;pai real da horda primitiva, o pai inquebrantável do gozo (SAURET, 1999, p.&lt;br /&gt;9).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4524066047574110747?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4524066047574110747/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4524066047574110747' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4524066047574110747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4524066047574110747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2011/03/perfil.html' title='Perfil'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5644165406403043841</id><published>2010-10-22T19:25:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T19:40:08.470-07:00</updated><title type='text'>O que eu ando fazendo?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/TMJK7l4FyRI/AAAAAAAAAOg/PcBo05rli1c/s1600/DSC03257(2)siriu_rio.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 212px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/TMJK7l4FyRI/AAAAAAAAAOg/PcBo05rli1c/s320/DSC03257(2)siriu_rio.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531065680004499730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Francamente, aondo brigado com as palavras. &lt;br /&gt;Vou tomar um banho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5644165406403043841?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5644165406403043841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5644165406403043841' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5644165406403043841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5644165406403043841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/10/o-que-eu-ando-fazendo.html' title='O que eu ando fazendo?'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/TMJK7l4FyRI/AAAAAAAAAOg/PcBo05rli1c/s72-c/DSC03257(2)siriu_rio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2927314295693640783</id><published>2010-05-12T21:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T21:35:33.742-07:00</updated><title type='text'>Virada Heróica Sobre o Santos - Histórica!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/S-uBjAZgAEI/AAAAAAAAAOQ/HzP7fkdcLyw/s1600/Borges.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/S-uBjAZgAEI/AAAAAAAAAOQ/HzP7fkdcLyw/s320/Borges.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470608610773958722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu tava lá, se não não acreditava... O Grêmio é imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges marcou três vezes e deu início à reação gremista no segundo tempo&lt;br /&gt;Foto: Lucas Uebel/Preview.com/Gazeta Press&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com grande atuação no segundo tempo, o Grêmio conseguiu um bom resultado no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, no Estádio Olímpico: venceu o Santos por 4 a 3, em uma virada espetacular, e jogará pelo empate na partida de volta, na Vila Belmiro. Depois de ir para o intervalo perdendo por 2 a 0, o time gaúcho reagiu com três gols de Borges e um de Jonas. André (duas vezes) e Robinho descontaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grêmio começou a partida com três zagueiros, e Hugo na ala esquerda. O time não se acertou na nova formação e ameaçou só em um chute fraco de Adílson, facilmente defendido por Felipe, aos 4min. Melhor em campo, o Santos assustou Victor com uma finalização de longe de Marquinhos, mas o goleiro, preterido por Dunga na convocação para a Copa do Mundo, espalmou bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O time paulista abriu o placar aos 15min, após cobrança de escanteio de Marquinhos. Victor não saiu do gol e André apareceu sozinho na segunda trave para cabecear para as redes. Marcando muito mal, os gaúchos sofreram o segundo gol cinco minutos depois: lindo passe de Paulo Henrique Ganso, que teve ótima atuação, para André. Frente a frente com o goleiro, o centroavante santista tocou com categoria para fazer 2 a 0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do segundo gol, o técnico Silas mudou o desenho tático do Grêmio, movendo Edílson para a lateral esquerda, liberando Mário Fernandes na direita e devolvendo Hugo ao meio de campo em um 4-4-2. O time melhorou e assustou aos 22min, em bomba de Edílson de fora da área que Felipe defendeu com o pé; na sobra, Borges, sozinho, bateu cruzado para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chance de ouro para o Grêmio empatar veio no minuto seguinte, quando Durval derrubou Willian Magrão dentro da área. Porém, Jonas bateu mal o pênalti, no meio do gol, e Felipe defendeu. Sem se abalar com a cobrança desperdiçada, a equipe da casa passou a atacar mais. Aos 28min, Jonas rolou de calcanhar para a chegada de Adílson, que chutou em cima do goleiro santista. No rebote, Edilson chutou de esquerda, para nova defesa de Felipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos explorava bem os contra-ataques. Aos 30min, Robinho poderia ter aberto a jogada para André, que estava livre na direita, mas bateu mal, por cima do gol. Dois minutos depois, Ganso quase marcou um golaço. O camisa 10 recebeu de Robinho na área e dominou mal, mas deu um lindo toque para encobrir Victor; a bola bateu no travessão e André não conseguiu concluir de cabeça no rebote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 35min, o goleiro santista voltou a aparecer bem. Borges recebeu passe por trás da zaga e chutou de primeira, mas Felipe mostrou reflexo e fez uma grande defesa, garantindo a vantagem de dois gols até o fim do primeiro tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O panorama no segundo tempo não se alterou: o Grêmio no ataque, buscando reverter a desvantagem, e o Santos esperando a chance de acertar um contragolpe. Aos 8min, Jonas girou na área e conseguiu chutar, mas Felipe, de novo, segurou firme. Dois minutos depois, foi a vez de Borges, em sua jogada característica, receber de costas para o zagueiro, girar e finalizar; porém, a bola foi na rede pelo lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressão gremista deu certo. Aos 12min, Douglas dominou na área e Edu Dracena tentou desarmar o meia, mas acabou dando uma "assistência" para Borges, que fuzilou Felipe na pequena área e diminuiu para o time da casa. Seis minutos depois, o empate: Rodrigo Mancha perdeu a bola na intermediária defensiva, Douglas acionou Jonas na direita e o atacante cruzou para Borges, no segundo poste, deixar tudo igual no placar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorival Júnior reagiu ao empate de forma drástica: sacou Rodrigo Mancha, que havia acabado de entrar, para colocar Rodriguinho. Depois de sair, o volante, muito irritado, esmurrou o banco de reservas. A substituição não fez efeito: aos 21min, Jonas soltou um foguete de fora da área, sem chances para Felipe, e conseguiu a virada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro gol fez o Grêmio crescer no jogo, e Borges voltou a balançar as redes aos 31min. O centroavante recebeu passe de Jonas em posição legal, saiu frente a frente com Felipe e bateu com estilo no canto do goleiro para fazer 4 a 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos, porém, não estava morto. Aos 38min, Ganso deu mais um passe espetacular, encontrando Robinho livre do outro lado da área. O atacante, nome certo na Copa do Mundo, matou no peito e chutou forte para estufar as redes de Victor, diminuindo a desvantagem para o jogo de volta. Nos minutos finais, o time paulista voltou a jogar no ataque, em busca do empate, mas não conseguiu vazar a defesa gremista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grêmio 4 x 3 Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gols&lt;br /&gt;Grêmio: Borges, aos 12min, 18min e 31min; Jonas, aos 21min do 2º tempo&lt;br /&gt;Santos: André, aos 15min e aos 20min do 1º tempo; Robinho, aos 38min do 2º tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto Forte do Grêmio&lt;br /&gt;Não se abalou com a desvantagem de 2 a 0 no intervalo e fez um grande segundo tempo, com destaque para os três gols de Borges&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto Forte do Santos&lt;br /&gt;Muita velocidade e eficiência nos contra-ataques, bem explorados durante toda a partida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto Fraco do Grêmio&lt;br /&gt;Início muito ruim, com a defesa atrapalhada no esquema 3-5-2 e Hugo deslocado para a ala esquerda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto Fraco do Santos&lt;br /&gt;Recuo excessivo no segundo tempo, principalmente após a saída de Marquinhos, substituído por Rodrigo Mancha - que deixou o campo logo depois para a entrada de Rodriguinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lance bizarro&lt;br /&gt;Bolada de Léo na cara de Paulo Henrique aos 8min de jogo, que deixou o meia santista caído no gramado durante quase um minuto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagem do jogo&lt;br /&gt;Borges, que comandou a virada do Grêmio com três gols no segundo tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquema Tático do Grêmio&lt;br /&gt;3-5-2&lt;br /&gt;Victor; Rodrigo, Ozeia e Mário Fernandes (Joílson); Edílson, Adílson, Willian Magrão (Fábio Rochemback), Douglas (Maylson) e Hugo; Jonas e Borges. Técnico: Silas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquema Tático do Santos&lt;br /&gt;4-4-2&lt;br /&gt;Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo (Maranhão); Arouca, Wesley, Marquinhos (Rodrigo Mancha, depois Rodriguinho) e Paulo Henrique Ganso; Robinho e André. Técnico: Dorival Júnior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartões amarelos&lt;br /&gt;Grêmio: Rodrigo, Ozeia, Adílson e Hugo&lt;br /&gt;Santos: Durval, Léo, Robinho, Marquinhos e Arouca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Árbitro&lt;br /&gt;Sandro Meira Ricci (DF)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local&lt;br /&gt;Estádio Olímpico, Porto Alegre (RS)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Público&lt;br /&gt;38.473&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renda&lt;br /&gt;R$ 819.403,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2927314295693640783?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2927314295693640783/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2927314295693640783' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2927314295693640783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2927314295693640783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/05/virada-heroica-sobre-o-santos-historica.html' title='Virada Heróica Sobre o Santos - Histórica!'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/S-uBjAZgAEI/AAAAAAAAAOQ/HzP7fkdcLyw/s72-c/Borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5552360165731356893</id><published>2010-04-30T19:34:00.001-07:00</published><updated>2010-04-30T19:34:34.200-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A renúncia a títulos preestabelecidos&lt;br /&gt;Em Madras, em 1947, aqueles que tinham contato com o homem Krishnamurti e com a essência de seus ensinamentos estavam perplexos com o fato de ele ter sido anunciado pela Sociedade Teosófica como sendo o Messias e o instrutor do mundo e ter renunciado a esse papel.&lt;br /&gt;Krishnamurti tentou responder a essa questão contando uma história: "O diabo e um amigo estavam passeando quando viram, a sua frente, um homem abaixar-se e pegar algo brilhante do chão. O homem olhou para aquilo com deleite, colocou-o no bolso e continuou caminhando. O amigo perguntou: "O que aquele homem achou que o transformou tanto?" O diabo respondeu: "Eu sei, ele encontrou a verdade." "Por Deus!"- exclamou seu amigo: "Isto deve ser um mau negócio para você!". "De jeito nenhum"- o diabo respondeu com um sorriso malicioso: "Vou ajudá-lo a organizá-la, você vai ver só!"&lt;br /&gt;Krishnamurti indaga: "Pode a verdade ser organizada? Você pode encontrar a verdade através de uma organização? Elas estão baseadas em diferentes crenças. Crenças e organizações estão sempre separando as pessoas, excluindo umas das outras. Você é um hindu e eu sou um mulçumano, você é um cristão e eu sou um budista. Crenças, ao longo de toda a história, atuaram como uma barreira entre os seres humanos. Nós falamos de fraternidade, mas se você tem uma crença diferente da minha, estou pronto para cortar sua cabeça; nós temos visto isso acontecer inúmeras vezes.&lt;br /&gt;E prossegue; "A experiência de Deus deve ser experimentar por si mesmo. Ela não pode ser organizada. No momento que é organizada, propagada, ela cessa de ser verdade, ela se torna uma mentira. O real, o imensurável, não pode ser formulado, não pode ser colocado em palavras. O desconhecido não pode ser medido pelo conhecido, pela palavra. Quando você o mede, ele cessa de ser verdade, deixa de ser real e, portanto, é uma mentira".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5552360165731356893?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5552360165731356893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5552360165731356893' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5552360165731356893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5552360165731356893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/04/renuncia-titulos-preestabelecidos-em.html' title=''/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2815781171107650292</id><published>2010-02-14T20:37:00.001-08:00</published><updated>2010-02-14T20:37:51.553-08:00</updated><title type='text'>O TOLO</title><content type='html'>É um tolo aquele que pede&lt;br /&gt;ao homem tolo&lt;br /&gt;que reconheça  a sua tolice.&lt;br /&gt;É inteligente aquele que conhece&lt;br /&gt;a realidade do mundo&lt;br /&gt;e ignora a do seu espírito,&lt;br /&gt;Pois o espírito é uma luz&lt;br /&gt;que não projecta sombra alguma&lt;br /&gt;susceptível de te ajudar&lt;br /&gt;a revelar a sua presença.&lt;br /&gt;Al-Abbas Mahmoud Al-Aqqad&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Egipto, Assuão 1889-1964 )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2815781171107650292?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2815781171107650292/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2815781171107650292' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2815781171107650292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2815781171107650292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/o-tolo.html' title='O TOLO'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6791045378872283261</id><published>2010-02-14T20:21:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T20:22:03.950-08:00</updated><title type='text'>HORTULUS SACER ( Extractos )</title><content type='html'>“... Eu nada sei, nada posso, apenas sou a sombra de um nome...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Queres vir a ser alguma coisa ? Recorda-te, antes de mais, que nada és...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Coisa espantosa ! De um tronco de árvore calcinada extrai-se o Sal, do Sal purificado, uma água espiritual. Que as águas sofram a acção do fogo e então renascerá um Sal de maravilha...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...Nenhuma outra via te conduzirá à Luz ; prossegue portanto o teu caminho através do fogo (...), pois com semelhante guia estarás em segurança. Porque o genitor da Luz é um fogo e se de alguma coisa te despojares na sua chama, considera isso um ganho incalculável...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... A mente ( mens ) faz vãos esforços para soerguer o pesado fardo da compreensão daquilo que é Eterno ; se apesar de tudo se obstina e se debate, perder-se-à e não logrará alcançar a sua finalidade : é necessário que cesse a sua busca. Se alguém continua a buscar, a aguardar, a implorar, a desejar com ansiedade, tampouco encontrará o Eterno e não realizará o seu ensejo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... À mente ( mens ) tranquila, confiante, liberta do que é efémero, o Eterno revelar-se-à, à luz do Amor, na sua profundidade (...). Nisto consiste a verdadeira liberdade, a paz autêntica, a única coisa que merece o nome de felicidade...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... (neste estado) quem experimenta, compreende !”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Ó homem imortal ! Tu que te adormeces para a vida eterna ! De onde te veio tão profundo torpor ? Ergue-te, entreabre os olhos, expulsa o sono que te oprime...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...longe do bulício das multidões, protegido de mim mesmo, teço com afinco o fio da minha vida...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Quando perece o velho Adão, um novo renasce ; quando a natureza ( sensível ) sucumbe, a Graça aproxima-se espontaneamente. Queres produzir uma nova natureza ? destrói a antiga ( pela alquimia espiritual ), pois se ela não for destruída, nunca, nunca uma nova vida despontará...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... apenas o Pneuma sagrado ( princípio espiritual ) renova verdadeiramente todas as coisas : quanto mais dele te aproximares, maior será a tua renovação. Queres converter-te numa Fénix ? Liberta-te do teu anterior existir...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...Aquele que se conhece a si mesmo, tornar-se-à ciente de muitas coisas secretas : o homem é um resumo do universo. Mas se este microcosmos encerra um abismo de trevas e de luz, quem ousará penetrá-lo e mergulhar nas suas profundezas ? A Razão, que depende inteiramente dos Astros, é incapaz de fazê-lo, mas a Mente ( mens ) pode fruir o que é Eterno. A Mente, contudo, nunca o conseguirá agindo por si, mas sofrendo-O ! – ( o Eterno como um  fogo que purifica ). Portanto, no saber sofrer, eis toda a Arte...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Atento ao que no meu interior se passa, as coisas de fora pouca importância têm ; durante esses momentos, eu sou livre e verdadeiramente feliz. O meu corpo oprimido permanece confinado ao seu estreito mundo, mas a mente ( mens ) santificada atravessa no seu voo um magnífico céu...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...A mente ( liberta do sensível ) sofre a deliciosa insinuação dessa luz e dessa vida que estão para além do perecível. Então se revela o casto amor, no qual a mente ( purificada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;celebra a sua união, tal como se une ao imenso oceano a pequena gota que nele se funde...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...Fora deste centro, não há repouso possível. Neste único centro, a liberdade, a quietude, a paz e todos os bens se fundem ; a mente ( mens ) só é verdadeiramente livre neste centro imutável...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... A minha Musa aqui se cala...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6791045378872283261?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6791045378872283261/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6791045378872283261' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6791045378872283261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6791045378872283261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/hortulus-sacer-extractos.html' title='HORTULUS SACER ( Extractos )'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5226483056428757343</id><published>2010-02-14T19:46:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T19:47:14.889-08:00</updated><title type='text'>CONTOS DE FADAS</title><content type='html'>Desenvolvimento humano, arquétipos e meditação activa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contos de Fadas – fairy tales ou contes de fées – são narrativas arquetípicas que remontam à origem dos tempos e que têm como inspiração espiritualidades vivas. São histórias que descrevem, numa linguagem simbólica e cheia de sageza, o que importa acontecer iniciaticamente no ser humano, como seja a renovação da sua vida interior, a transformação profunda da percepção e do entendimento, e uma relação verdadeiramente compassiva para com a sociedade e o cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Contos de Fadas relatam, pois, a experiência do que acontece quando se ultrapassa a fronteira da consciência condicionada e ilusória, que é o “eu” psicológico, com os seus fantasmas, mitos e medos, os quais, no dizer dos antigos sábios, não passam de meros jogos de sombras e de tigres de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, tanto no Ocidente como no Oriente, a Meditação encontra algumas das suas chaves de maior significado prático nas narrativas dos Contos de Fadas, que apontam imageticamente para a prática ancestral de espiritualização activa, a qual se traduz – quando correctamente aplicada – por uma mutação diária e constante da consciência de si mesmo e do mundo, o que equivale a ver com novos olhos o ciclo do nascimento, da vida e da morte. V.Q.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            O construtor de sonhos e a viagem através do Ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humanidade é um construtor de mitos e de imagens, ou seja, um construtor de sonhos a partir das suas memórias. Ao nível pessoal, cada um constrói o seu mito que é o seu álbum de fotografias. Todos escrevemos deste modo o nosso conto da fadas, paralelo à realidade e baseado nas nossas memórias. É a história de um herói, de uma heroína de “mil faces” que cada um é e com o qual cada um se identifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nos Contos de Fadas tradicionais, o herói somos sempre nós e é por isso que as crianças adoram estes contos, identificando-se com o herói. Os adultos já não reagem com o mesmo encantamento porque não entram na fantasia do conto. Há, contudo, uma ligação do Conto de Fadas à psicoterapia, uma vez que aquele permite de encontrar em nós o herói positivo e  desenvolver com imaginação a nossa história pessoal, descobrindo que afinal somos nós o autor desta história ficcionada. Assim podemos reavaliar o percurso da nossa história de vida. O psicodrama infantil utiliza os contos com a mesma finalidade. A criança tem muita facilidade de identificar-se sucessivamente com todos os protagonistas dos contos, uma vez que os contos tradicionais têm sempre uma componente mágica, transformando o real em sonho lúcido que permite construir e desconstruir a história ao nosso bel-prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Contos de Fadas proporcionam assim uma viagem através do Ser. Todos os povos têm um património de Contos de Fadas e do maravilhoso, que configura um potencial redentor e de gnose, um imaginário libertador pré-religioso, onde o ser humano é o herói da transformação da sua própria vida. Os Contos de Fadas, ao invés das fábulas, por exemplo, não são edificantes, não têm happy end e não pregam a moral de uma determinada sociedade. Podem ser muito cruéis como a própria vida. “O Barba Azul”, por exemplo, fala do exercício do poder pessoal e do prazer em matar; “A Princesa Pele de Burro” fala de uma filha que tenta libertar-se do desejo incestuoso do pai. Os contos demonstram que somos capazes de superar os maiores obstáculos, desvelando o sentido ético da vida, o bem e o belo que apenas se pode descobrir através da experiência própria, no fundo do nosso coração. A auto-descoberta não é um bem pré-formatado, é algo que está em cada um, é a componente ética e libertador em cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            A origem dos Contos de Fadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os contos baseiam-se, originalmente, na transmissão oral. Só muito mais tarde, nos séculos XVIII e XIX, alguns autores franceses e alemães – Perrault, os irmãos Grimm e depois Andersen – configuraram-nos em antologias, misturando-os com fábulas morais e contos de salão. Perrault ainda conserva algo da crueldade original dos contos, os irmãos Grimm já os tratam num registo literário ao passo que Andersen cria contos modernos. Apenas cinco por cento de todos estes contos são Contos de Fadas verdadeiros. Os contos tradicionais portugueses reflectem a época da ocupação árabe da Península Ibérica. Os mouros surgem neles como não-cristãos odiosos, ao passo que às mouras é sempre dado um grande poder de sedução. As “mouras encantadas” são vistas como um perigo, como sedutoras dos cristãos. Prevalece assim a componente repressiva e moral nestes contos e não há tradição feérica e mágica nos contos portugueses. Falta em Portugal este imaginário do sonho transformador e libertador, da demanda original do ser humano. Esta tradição chegou a Portugal apenas em segunda mão, é importada. Mesmo os Templários portugueses não herdaram esta tradição, são uma espécie de cavaleiros de segunda, servindo apenas como carne para o canhão nas cruzadas e na expulsão dos árabes. A tradição trovadoresca, por outro lado, passa pelos Contos de Fadas, e neles se refugiam os mitos do herói corajoso que leva à frente a sua demanda. Os Contos de Fadas reflectem a ordem mitificada de uma sociedade original que é transfigurada para todos os tempos e permite a identificação com uma multiplicidade de papéis para que cada um possa auto-conhecer-se neles como num espelho. São narrativas fora do tempo com uma função redentora, onde a aventura humana não tem princípio nem fim, é eterno e atemporal. Neles podemos descobrir o que é o não-tempo, o Ser fora do tempo sequencial e cronológico. O “Era uma vez…” suspende o tempo cronológico e psicológico. Daí a sua ligação à meditação que é o não-tempo que podemos descobrir em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os Contos de Fadas convocam também o problema da ilusão – os nossos sentidos enganam-nos, a nossa percepção, em vez de observar, isenta, a realidade, interpreta-a, iludindo-nos com mesclas de realidade / ilusão que se podiam chamar o Yin e Yang da percepção. Assim, os Contos e Fadas são narrativas de origem oral para adultos que transmitem a gnose e sageza originais, popularizando os grandes mitos de origem, vindos das Escolas de Iniciação e que correspondem à aventura humana, ao percurso de demanda, de auto-descoberta e auto-realização do ser humano. Estas Escolas, inicialmente, encenavam estes princípios arquetípicos do ser humano, encenações que se tornaram a base de todas as civilizações, transmitindo um potencial de sageza antiga de geração em geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Contos da Fadas e auto-descoberta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através deles podemos descobrir o nosso próprio Conto de Fadas e o elemento transfigurador em nós, o não-tempo. Podemos também descobrir o que é a morte, o que é o momento de morrer e a revisão da vida em dois ou três minutos da qual falam os que voltaram à vida depois de uma experiência de quase morte. Quando a vida biológica está em ruptura, o cérebro tenta dar sentido à experiência da vida. Descobre-se então que  contamos a nossa história de vida a nós mesmos e  que olhamos a nossa vida como se fosse a história de um herói, retendo o que é significativo e sublime. Esta síntese do conto da nossa vida tem a mesma estrutura que um Conto de Fadas, ou um sonho lúcido, com o qual queremos dizer algo a nos mesmos. Ambos são histórias de metamorfose e transformação. É por isso, que tanto na Bíblia como nas sociedades antigas através dos xamãs, a interpretação dos sonhos era para as comunidades um potencial a explorar. A beleza dos três minutos no momento do morrer é como o resumo do sublime da vida. Este happy end depende do que fazemos da nossa demanda de sentido ao longo da vida. Com entendimento intuitivo, podemos explorar o nosso “projecto de vida” como herói / heroína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                A Princesa  Pele de Burro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma princesa de cabelo louro e pele branca é filha de um rei que tinha uma paixão louca pela rainha, a mãe da princesa. Este triângulo de relacionamento está muito feliz até à morte da rainha. No leito da morte, o rei jura-lhe fidelidade eterna, apesar de a rainha lhe pedir para se casar de novo. Entre todas as candidatas que se apresentam nenhuma igualava a rainha morta, da qual o rei continuava a ter grandes saudades. Quando a filha se tornou numa adolescente muito parecida com a mãe, o rei apaixona-se por ela e quer substituir a mãe pela filha. Esta, contudo, tinha uma fada que a protegia e a ajuda a encontrar uma solução para que o rei não caia na tentação. Diz à princesa para pedir coisas inverosímeis ao rei, para que o casamento pedido pelo pai fosse sempre adiado. A filha pede-lhe assim, em primeiro lugar, um vestido de cor da Lua, depois um da cor do Sol e finalmente, sabendo que o rei tinha um burro mágico pelo qual tinha grande afeição, a filha pede-lhe um vestido feito da pele deste burro. O rei mata então o burro e manda fazer um vestido da pele. A princesa envolve-se neste vestido que a torna muito feia e foge da corte, levando todos os vestidos consigo. Inicia então uma longa peregrinação até chegar a um outro reino onde, numa quinta, encontra uma família que a aceita como servente, apesar da sua fealdade. Durante o dia cumpre todo o serviço que lhe é pedido e à noite, no seu quarto bem fechado, veste os vestidos que trouxe consigo, transfigurando-se face ao espelho. Neste reino onde agora vivia, o rei andava à procura de uma noiva para o seu filho. Os mensageiros de todo o mundo propuseram-lhe as mais diversas princesas, mas o príncipe não gostava de nenhuma. Um dia o príncipe visita a quinta onde vive a princesa. Era ao fim do dia e a princesa já se tinha retirado. O príncipe vê então uma luz esplendorosa por baixo da porta e não resiste e encosta o olho ao buraco da fechadura. No quarto vê a princesa no seu vestido solar. Mas quando abre a porta, descobre apenas uma rapariga feia vestida de pele de burro. O príncipe não consegue esquecer a visão deslumbrante da mulher que viu e apaixona-se pela sua visão. Não sabe onde encontrar a mulher que viu e fica doente. O rei seu pai, para o ajudar, recorre então a uma artimanha. Pede à rapariga feia que faça um bolo para o seu filho. A princesa faz o bolo à noite no seu quarto, envergando um dos seus vestidos. Transfigurada de novo, um anel cai-lhe no bolo. Quando lhe trazem o bolo, o príncipe recupera o apetite, come o bolo e trinca um anel fabuloso e muito delicado. Declara então que apenas se vai casar com a dona do anel. A nenhuma das princesas que se apresentam o anel cabe nos dedos. Finalmente é chamada a rapariga da quinta. Da sua pele de burro sai então uma mão muito delgada e fina e quando enfia o anel, a pele de burro cai e ela apresenta-se em todo o seu esplendor. O príncipe casa então com ela. Entretanto o pai que tinha ficado muito triste depois do desaparecimento da filha, casou com uma rainha viúva sem que esta lhe inspire um verdadeiro amor. Quando recebe o convite para assistir ao futuro casamento da filha, supera a sua pulsão incestuosa, desiste das suas fantasias e faz as pazes com a filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       Realidade e ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como este, muitos dos Contos de Fadas exorcizam certas transgressões que põem em perigo o funcionamento normal da sociedade. Contudo, esta dimensão social do conto remete sempre para algo de feérico, algo em cada um de nós que é este monstro feio no qual a princesa se transformara, pois há algo em nós que se sente atraído pelo monstruoso. Por outro lado, isto remete ao facto que a percepção que temos de realidade não corresponde sempre à verdade. O conto em questão, como aliás muitos outros, cria um triângulo arquetípico: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Reino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rei              Rainha                                 Céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Princesa                                   Fogo / Ar&lt;br /&gt;       (Vénus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este reino, por sua vez, espelha-se num outro, cumprindo a máxima hermética “O que está em cima é como o que está em baixo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Príncipe                              Água / Terra&lt;br /&gt;(Marte)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rei           Rainha                                    Terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Reino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre ambos os reinos é estabelecida pela princesa e pelo príncipe sobre o fundo de um repertório mágico-astrológico, que corresponde a instâncias em nós que impõem uma nova ordem. Trata-se, neste conto, de dois reinos diferentes, o primeiro é lunar e crepuscular, o segundo solar e auroral. Na base, contudo, está o problema da sedução e do desejo. A princesa transita entre ambos os reinos, dispondo de um pacto íntimo com os quatro elementos, representados pelos quatro vestidos, utilizando o imaginário alquímico. A sua viagem de um reino para o outro simboliza o percurso interno da vida e da organização dos três princípios de expressão arquetípicos em nós, a inteligência intelectual, a inteligência emocional e a inteligência psicomotora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               A floresta de todos os enganos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutro conto, “O Capuchinho Vermelho” são transmitidas duas versões. Numa, o lobo é um monstro terrível noutra, um animal obediente e submetido ao ser humano. O lobo é assim altamente ambivalente nos Contos de Fadas e possibilita espelhar a natureza ambígua do ser humano no seu constante lusco-fusco. A floresta, por sua vez, presente em muitos contos e sonhos, reflecte aquilo em nós que é o desconhecido, o local de todos os perigos, ameaças e riscos. É o lugar de riscos de perda, de encontros sombrios e lunares, do confronto com os monstros. Simboliza assim a consciência psicológica na sua ressonância crepuscular e ilusória, o que C.G. Jung chamou e inconsciente colectivo. Aí jogam-se os grandes dramas da consciência humana, ela é a matriz da luta entre luz e sombra, entre vida e morte, entre todas as dualidades e da divisão binária fundamental entre luz e trevas. Serve como proposta arquetípica da divisão lunar e solar, entre uma parte que se mostra e outra que se esconde. Nela jogam-se todas as contradições. Trata-se de um inconsciente não localizável no ser humano. É uma espécie de estrutura de fronteira entre a vigília e o sonho que propõe material de “floresta” à nossa experiência, onde nos podemos perder. Os Contos de Fadas pega na nossa floresta pessoal, na nossa sombra e dá-lhe uma estrutura organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Contos de Fadas e matrizes peri-natais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro utiliza o sonho para reorganizar a experiência de vigília. Durante esta última e com a ajuda das redes neurónicas focamos apenas dez por cento, ou seja, apenas um ângulo muito pequeno desta experiência que, além disso, é fortemente viciada pelo condicionamento dos traumas do nascimento ( matrizes peri-natais formuladas por Stanislav Groff), da educação e da formatação social. Os Contos de Fadas e o seu imaginário psico-genético estão inscritos em cada um de nós através das experiências pré-natais e de vida. A criança, no ventre da mãe, nada no líquido amniótico que é uma espécie de amplificador de todos os sons. Assim o feto tem perfeita consciência de tudo o que se passa à sua volta. Durante os nove meses de gestação passa por quatro fases:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1 - Sentimento oceânico onde se sente como no paraíso, altamente protegido num equilíbrio homoestático.&lt;br /&gt;    2 - No momento da ruptura das águas é exposto a uma tensão de insegurança absoluta e é ameaçado de ser expulso do estado de segurança anterior.&lt;br /&gt;    3 - No momento das contracções regista uma enorme angústia e passa por uma experiência traumática que é origem de todos os medos e especialmente do medo do escuro. A passagem pelo colo do útero no processo de dilatação é o primeiro encontro com a ameaça da morte.&lt;br /&gt;    4 - A última fase do nascimento propriamente dito é o confronto com um mundo desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda e terceira fases são as mais problemáticas e são estas que são exploradas nos Contos de Fadas. Dai a grande crueldade de alguns deles, onde os traumas do feto repercutem. A demanda repete, de certa maneira, as fantasias e episódios do trajecto pré-natal, que condiciona toda a psique do ser humano. As suas alegrias e os seus medos, assim como toda a sua estrutura emocional estão lançados através deste trajecto. A hipnose é capaz de nos fazer regressar a estas fases. As psicoses são o retorno às matrizes pré-natais. A importância da estrutura arquetípica dos Contos de Fadas se confirma ainda se realizamos que nascimento e morte têm matrizes semblantes, que o trajecto da morte inverte as quatro fases como se fossem vistas num espelho. Ela é um nascimento ao contrário que precisa de um guia, de uma parteira. Na morte podemos eventualmente ser confrontados com todas as traumas que vivemos no nascimento, sendo ela uma espécie de segundo nascimento e ambos um percurso de dentro para fora. Os Contos de Fadas simbolizam nas suas figuras, na bruxa, no lobo, no logre, etc. etapas deste percurso.&lt;br /&gt;                                         “A mãe Holle”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas raparigas deste conto são antagónicas, são luz e sombra no ser humano. A loira (solar) irradia, está completamente aberta ao meio, disponível a trocas que enriquecem e potenciam a interacção com o mundo, é corajosa e vive o máximo do seu potencial generoso. A outra, morena (lunar), é altamente auto-centrada, fechada sobre si mesmo e predadora nas relações. Utiliza as relações como estratégia de sobrevivência, divide as pessoas em amigos e conhecidos, nos que dão algo e nos que se têm apenas de aturar. Por isso está distraída, sem verdadeira capacidade ao diálogo e de interacção com o meio. Vive apenas uma parcela mínima do seu potencial. O alcatrão que lhe cai em cima ao fim da sua experiência é a “noite de breu”. A generosidade, a gratidão e a superação do medo ou seja, a coragem, são os elementos de redenção neste conto. A demanda é a viagem através do campo de experiência da nossa vida que desafia para esta superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  O percurso iniciático&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O percurso iniciático descrito pelos Contos de Fadas segue o dos grandes mitos e lendas, por exemplo o da Lenda do Rei Artur, ou seja, da demanda do Graal. Nesta encontra-se, no fim do trajecto, um objecto abençoado, um elemento de redenção crístico. As iniciações repetiam simbolicamente este processo num espaço sacralizado com várias provas e a respectiva superação que leva à iniciação. O sonho lúcido é um sonho organizado que pode ter a mesma estrutura. Os avateres seguem este percurso como o faz Cristo na morte na cruz e na ressurreição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conto “Os Músicos de Bremen” descobrem-se as diferentes fases deste percurso. Trata-se de quatro animais ameaçados de morte que fogem para sobreviver. O burro simboliza o elemento Terra, a psico-motoricidade, o metabolismo, a capacidade de agir e realizar, a vontade. O cão é do elemento Água e representa a esfera da inteligência emocional, sendo o símbolo da fidelidade. O gato é do elemento Ar e simboliza a inteligência cognitiva. O galo, finalmente, é do elemento Fogo, simbolizando o despertar, sendo um animal de fronteira entre dois mundos, entre noite e dia, o anunciador do ciclo solar, relacionado à esfera do quarto cérebro, a dimensão da redenção no ser humano. Ele é o potencial criativo em nós, o herói que aceita o risco e enreda pelo percurso iniciático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Os três níveis de inteligência do Ser Humano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada nível de inteligência do ser humano há elementos solares e lunares, há expansão e contracção. Os três níveis são as estruturas conflituais em permanente movimento e oscilação entre centro e periferia, entre extroversão e introversão, numa dinâmica bipolar face às circunstâncias. Quando nos sentimos seguros, abre-se o jogo, quando sentimos perigos ou ameaças fechamo-nos e perdemos as capacidades comunicativas em todos os três níveis. Ao nível do pensamento, fechamo-nos nas nossas opiniões; ao nível de emoções, respondemos com grande reactividade; ao nível psico-motor há um bloqueio total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso detectar as razões para o medo, para a insegurança, para o corte de comunicação. Os Contos de Fadas permitem localizar e exorcizar estas razões. Vejamos a história “Os Três Porquinhos”.&lt;br /&gt;Para os três porquinhos se protegerem contra o lobo da floresta o primeiro constrói uma casa de palha onde toca flauta; o segundo constrói uma casa de madeira onde toca violino, o terceiro constrói uma casa de tijolo onde toca piano. O lobo derruba facilmente as duas primeiras casas, na terceira tenta entrar pela chaminé, cai num grande caldeirão de água quente e acaba de ser comido pelos três porquinhos. As três casas e instrumentos correspondem, respectivamente, a primeira, à inteligência cognitiva, a segunda, à inteligência emocional, a terceira, à inteligência pisco-motor e visceral. Esta última é a estrutura mais fiável. É o centro que nas artes marciais se chama Hara, o ponto mais sólido que temos em termos psicológicos. Esta inteligência visceral é a base de toda a nossa estrutura, é a nossa casa que permite a sobrevivência. O piano  é-lhe agregado como instrumento de grande escala, de percussão e ritmo, simbolizando o verbo ou seja, a acção. O violino é o instrumento emocional por excelência, permite tocar melodias e entrar em interacção com outros, adjectivando. A flauta é o instrumento mais primitivo que simboliza a harmonia e imaginação, ligado ao substantivo. O primeiro porquinho vive na ansiedade de expectativas, produzindo ilusões fantasmagóricas para perpetuar a vida num futuro imaginário. O terceiro porquinho está no passado, vincula-se à memória lunar. Tem uma atracção especial para a sua própria história que é puramente ficcional na sua interpretação subjectiva do como reagiu aos acontecimentos. O segundo porquinho vive o presente e está ligado ao sentir, ao imediato de uma linguagem não verbal. A palavra é um lugar seguro e pode servir como trampolim para a descoberta do desconhecido, pode abrir a passagem do verbal ao não-verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Contos de Fadas transmitem uma sageza intuitiva e não científica que conhece perfeitamente a tripartição do campo da consciência psicológica do ser humano. Esta dá apenas para a sobrevivência ao passo que por detrás dela está o próprio Ser, a proposta de transformação da estrutura biológica em ser individual. Neste sentido pode dizer-se que todos têm uma vida, mas poucos são. Nos Contos de Fadas é o herói ou a heroína que andam à procura do Ser, no percurso que atravessam procuram o seu próprio ser, uma vez que não basta ter uma vida, é preciso ser. A pergunta que põem é: será que sou mais do que a minha vidinha, que sou mais do que a minha experiência vivida? &lt;br /&gt;                            &lt;br /&gt;                                    Estado de Atenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença está no estado de Atenção, ele permite ver se agimos em termos de vidinha ou em termos do Ser. Jung chamava a isso o processo de individuação, um processo não previsto pela natureza. Graças ao estado de Atenção é possível despertar o Ser, transformar o ter em ser. Este estado acontece no AGORA sem que haja expectativas de um futuro fantas-magórico, nem distracção com as memórias. O estado de Atenção dá-se no presente e relaciona-se com o sentir numa percepção imediata no AGORA sem que haja espaço para reactividade. É a zona do coração que é compatível com o estado de Atenção, livre do passado e do futuro. O herói / a heroína situam-se neste espaço, avançam passo por passo num processo de constante transformação e mutação sem jamais distrair-se com o passado ou sonhar com o futuro. Viver assim é a única maneira de experimentar o Ser. Se cairmos na distracção e nas expectativas, apenas sobrevivemos. Os Contos de Fadas indicam assim o elemento central do processo, o sentir no presente (o violino na história “Os Três Porquinhos”). O estado de Atenção é total disponibilidade que, por sua vez, traz o silêncio para escutarmos e sentirmos sem interpretação psicológica. Trabalhamos então com uma linguagem imediata e intuitiva que permite sentir o outro, o espaço e o meio.&lt;br /&gt;                                        O verdadeiro Despertar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Contos de Fadas explicam a relação entre símbolo e a natureza humana no seu comportamento psicomental. Não existe perfeição nestas três estruturas de sensação, isto é um mito. O comportamento ético face às situações surge por dentro em cada momento. É a voz do galo no conto “Os Músicos de Bremen”, o “sei que não sei” face aos desafios, é algo em nós que se apercebe quando a noite se transforma em dia. À noite estamos adormecidos e sonhamos num nível inconsciente, no dia despertamos deste mundo lunar que se exprime apenas por memórias e expectativas. A questão é de despertar verdadeiramente e viver em estado de Atenção. Se nos tornamos conscientes da nossa noite, se a conhecemos, a transformação pode fazer-se. Assim o galo é discernimento e o estado de Atenção. Este é o elemento que transforma a noite em dia, uma vez que permite ver a noite e o dia simultaneamente, ao passo que, distraído, estou ou na noite ou no dia. Este estar entre dia e noite ultrapassa a dualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conflitos, por exemplo, o estado de Atenção permite colocar-se num ponto por além das duas partes do conflito, age-se então sem justificação, sem emoções reactivas e sem defesa do seu próprio território. Deste modo não se alimenta o conflito, fazendo dele um problema. Neste contexto percebemos que o nosso espaço interior não tem geometria definida, é um espaço sem contornos em constante configuração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                      O tempo suspenso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto “A Bela Adormecida” coloca sobretudo o problema do tempo. Quando a princesa adormece, o tempo fica suspenso. Já encontramos, no conto “A Princesa de Pele de Burro”, outro sinal deste não-tempo no seu vestido do tempo. A paragem do tempo significa silêncio que nos coloca por além do campo da consciência psicológica. O príncipe (e o galo) anuncia o dia como não-tempo. O campo de consciência psicológica serve apenas para a sobrevivência, a consciência anunciada pelo príncipe é o próprio Ser como proposta de transformação da estrutura biológica em Ser individual. Todos podem ter uma vida, poucos são. Nos Contos de Fadas, o herói anda à procura do Ser, de ser ele próprio no percurso que atravessa. Não basta ter uma vida, é preciso ser. Põe-se então a pergunta se somos mais do que a nossa vidinha, mais do que a nossa experiência de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado de Atenção permite ver se agimos em termos de vidinha ou em termos de Ser. Descobrimos então o processo de individuação, processo que não está previsto pela natureza. Este despertar, pelo beijo, do estado de atenção transforma o ter em Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        A transgressão do pacto de obediência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o sangue no conto “A Bela Adormecida” que jorra de um dos seus dedos, é uma referência à primeira menstruação, um fenómeno biológico que adquire valor simbólico como aliás, nos contos, todas as cores representarem estados de espírito. O vermelho (Capuchinho Vermelho) está ligado a Marte, ao sangue, ao desejo e à vontade. Remete para o desejo de transgressão que é o pecado original, o transgredir do pacto de obediência que permite crescimento, não é visto como um mal, mas como transgressão das normas que impedem o crescimento. É o Capuchinho Vermelho que seduz o lobo e o lobo come a avó que representa a norma social. Em “A Branca de Neve” e em “A Bela Adormecida”, o beijo é o toque mágico que desperta para a vida e o príncipe iguala, em termos simbólicos, o galo. São ambos o princípio activo que anuncia o dia, a luz solar que anima as três zonas de sensação, representadas pelas princesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A floresta, nos Contos de Fadas representa a primeira e a segunda zona de sensação que, no Tarot, correspondem à carta do Diabo que é Lúcifer, o anjo caído. Ele introduz a curiosidade, o desejo activo do conhecimento. Este desejo, muito presente nos Contos de Fadas, está ligado ao sentir e leva à transgressão. A repressão do desejo empobrece a vida, deixamos de ser o herói se desistimos do desejo e funcionamos apenas no registo de um animal de hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          A força do desejo&lt;br /&gt;No conto “João e o Pé de Feijão”, o jovem rapaz é, aos olhos do mundo, um simplório que vive a sentir as coisas. A mãe pede-lhe para vender no mercado a única vaca que têm, porque já não têm com que alimentar-se. No mercado oferecem-lhe em troca da vaca um saquinho com três feijões mágicos. Curioso como é, João aceita esta troca. De regresso à casa, onde a mãe se zanga muito com ele, João planta os feijões no jardim. Durante a noite cresceram, formando uma escada que João vai subindo, obedecendo ao seu desejo de ver o que está lá em cima, de descobrir o desconhecido, o mistério da vida. Chegado às nuvens, encontra um gigante terrível que o ameaça. Depois de várias peripécias João consegue fugir, levando o tesouro do gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o desejo pode fluir livremente, permite-nos ser, ou seja, sentir cada momento. Ele é uma força de libertação, uma força indomável.&lt;br /&gt;É o desejo alimentado pela curiosidade que propõe a viagem pessoal. Mas desde a nossa infância alguém nos diz constantemente: atenção com os perigos, é melhor não ires, não fazeres isto ou aquilo. Os riscos surgem sempre da floresta (do nosso inconsciente), que nos descrevem como lugar de todos os perigos e da escuridão. Contudo, a floresta é fabulosa, propõe mil aventuras e nós precisamos do sentido de aventura, sem ele o herói não pode florescer em nós. Não podemos cortar o desejo em nós, não podemos recalcá-lo e apenas imaginar a viagem. Nascemos para a nossa viagem pessoal e temos de descobrir a cada momento o desejo de sentir a viagem e o desejo de intuir o silêncio. É o desejo indomável do qual brote a criação do mundo e os nossos sentidos são os veículos da viagem, não devemos excluir nada da nossa experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o galo que representa este desejo ligado ao elemento de fogo. O mito de Prometeu é-lhe dedicado e indica que o desejo é transgressão e desobediência mesmo contra os deuses. O fogo que Prometeu vai roubar aos deuses é o desejo indomável, sem ele não há vida. Por outro lado, há uma sageza do desejo que assenta na compaixão, deixando intuir o movimento do desejo para que não sejamos crucificados entre o passado e o futuro. O que intui não é “história de vida” – o desejo em directo é uma experiência que não deixa resíduos, é uma experiência sem apropriação. É na apropriação que matamos a experiência e o sentir. Se não nos apropriamos dela produz-se apenas aprendizagem e não uma memória fantasmática do actor. Deste modo, o eu não acumula. Quando nos apropriamos da experiência, criamos memória, aprisionando e dominando o outro no nosso ódio ou no nosso amor. O herói dos Contos de Fadas é o desejo no ser humano. Para a vida ser viagem de conhecimento temos de pôr as três zonas de sensação ao serviço da consciência intrínseca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    Transmissão directa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho com a tradição oral permite uma transmissão directa que apoia a luta contra o esquecimento que ameaça permanentemente o trabalho sobre si mesmo. É um trabalho tremendamente volátil, uma vez que as nossas neuroses não permitem acumular informação, que se baseia na percepção em estado de Atenção. A transmissão directa é um sistema de trabalho que desperta no outro algo, uma natureza adormecida, que está em cada um. É esta instância adormecida que pode despertar é, não se pode acrescentar nem tirar nada ao Ser. Há em nós um jogo do Ser e Não-Ser. Ele é “A Bela Adormecida” em nós que desperta através do sentir, da sensação directa associada ao estado de Atenção. Ser é a forma de nos relacionarmos directamente com as coisas, sem julgamento, sem adjectivação, comparação e sem condicionamento em pura experiência do presente – as coisas são como são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     A alteração da Percepção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se fala em iniciação, coloca-se a questão se é possível viver no presente, provocando uma alteração da percepção das coisas. O ser humano tem uma desvantagem em relação a outros ser vivos – não vê as coisas como elas são, não tem uma percepção imediata das coisas, uma instantaneidade da intuição, um fazer imediato. Esta percepção existe em nós, mas está adormecida (as artes marciais tentam despertá-la). Esta percepção permite agir sem intervenção do pensamento. Nós queremos normalmente percepções domesticadas, queremos que nada mude que tudo fique como sempre foi. Queremos que o outro esteja sempre igual às memórias que dele temos, e não percebemos que a percepção se torna uma armadilha quando tem como referência o passado. A imagem fixa que temos das coisas, actualizamos com alguma dificuldade porque recorremos sempre à comparação. Temos de verificar que a percepção pode ter duas cargas diferentes, uma objectiva outra subjectiva. A sensação directa fornece uma percepção objectiva, vemos sempre como se fosse pela primeira vez. Todos os dias, a todos os momentos devíamos entrar neste jogo da percepção pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós tingimos o mundo com a subjectividade do nosso eu e assim não o vemos como ele é. Este eu é uma síntese de milhões de anos de evolução da espécie. Temos de passar da subjectividade do eu de sonho para a objectividade do estado de Atenção. Os hardwares de todos os eus é igual, e as suas experiências também, todos têm o mesmo medo, as mesmas felicidades, o mesmo amor e ódio. O eu funciona como um círculo à nossa volta que nos separa da consciência intrínseca ou seja, do mundo e do outro. O eu é comum a todos nós, as nossas sensações e sentimentos são iguais aos dos outros. O estado de Atenção ou a prática incolor como o chamava Patanjali, no seu tratado sobre o Yoga, leva para além da colorização que cada um dá ao eu, leva para além do eu que construímos como se fosse à parte do resto, como se fosse diferente, mas nós somos o resto.&lt;br /&gt;O eu convergente não é capaz de verdadeiras interacções, só um eu divergente, ou seja, só em estado de Atenção pode haver interacções. Se delimito o eu, delimito a consciência psicológica e estou em consciência pura que não tem limites nem configuração. Qualquer tradição iniciática trabalha a consciência pura, a consciência sem círculo. É neste estado que já não há território que pode ser ameaçado pelo outro e assim cessa qualquer medo. Suprimindo a ilusão territorial que é o eu e a minha chamada história pessoal, com a qual me quero diferenciar dos outros, uma vez que o resto (as emoções e sensações) é igual para todos, vive-se plenamente numa interacção alargada e num novo estado de percepção. Deste modo saímos da aldeola do eu circunscrito e limitado para viver no universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             A viagem do Louco e a tradição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Contos de Fadas remetem sempre para uma primeira vez. Assim por exemplo no conto “O Rapaz que Partiu para Apreender o Medo”. O primeiro elemento do conto é o trajecto do rapaz tido por tolo, que é o Louco do Tarot, o herói que corre mundo. A viagem iniciática é sempre algo de louco nos olhos do mundo. O jovem do conto é um imprestável que não corresponde às expectativas do mundo e que parte numa demanda do medo. Vê que o seu irmão está cheio de medos e ele, ao qual nada faz medo, que conhecer esta emoção. Se o mundo seguia o senso comum, ele não, mesmo se ficasse pobre o resto da sua vida; mas ele ganha um reino, o reino da sua própria consciência intrínseca. Ele passa do círculo do eu e vai para além, conquistando um reino e riquezas inacreditáveis. O génio, um velho de barbas que remata esta história, é o senhor do tempo. O herói descobre que o tempo é o gestor dos medos e negocia o medo com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o tempo das coisas que nos faz medo, mas sim, o tempo psicológico. Contudo, o jovem não resolve o problema da pele de galinha que o irmão conheceu e continua a ter inveja dele. Aprende então com a mulher e compreende que o medo é a tensão da comparação, introduzida pelo tempo psicológico. Na comparação envelheço as situações, mato-as. Saturno, o senhor do tempo, é assim também o senhor de todas as comparações. O tolo é simplesmente, vive a realidade sem tempo psicológico, tendo deste modo outra relação com ela. Viver no AGORA significa pensar, sentir, agir num estado sem motivação, sem objectivo que fazem que tenho medo de não conseguir a meta ou depois perder o que alcancei. Ter medo revela-se uma falsa questão, o medo é um tigre de papel que apenas existe na visão do eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas maneiras de agir – por motivação ou compulsão ou por auto-conhecimento. A tradição é um património de experiência feita, um pacote que herdamos. Quando a recusamos para insistir na nossa própria demanda, rejeitamos as expectativas e a motivação de acção dos pais ou do meio social. Com ela rejeitamos um sistema de auto-reprodução sem inovação. O tempo herdado é tempo psicológico. Por isso, os artistas tem, em cada geração, romper com o conjunto de tradições para ir à origem, recomeçar a criação, criar de novo. A ruptura com o sistema é sistemática na criação artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Contos de Fadas, o auto-conhecimento na sua estrutura arquetípica está a flor da pele, é terapêutico na medida que traz elementos que desfazem o stress psicológico. A sua linguagem dirige-se ao inconsciente. Revela-nos que há dois registos cerebrais – o cérebro que trabalha com uma abordagem de utilidade, que é o cérebro direito intuitivo e criativo, e o outro que trabalha identificando-se com o protagonista. O herói vai pela percepção directa e intuitiva, pelo hemisfério direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este herói em nós é o filho pródigo e a sua demanda. É o tolo em nós, o Louco que parte de uma família comum e chega a uma família exultante, nova. Há em cada um de nós um percurso féerico, uma capacidade de viver a realidade tal qual ela é, não precisamos de alterar nada. A vida faz sentido à partida. O fantástico já cá está, a dimensão mágica e deslumbrante já está em nós, nos apenas esquecemo-nos disso, é o lado adormecido em nós. Em “A Bela Adormecida” é a relação causa – efeito mágica que faz que a princesa encontre o príncipe. Há algo que acontece sempre no presente, como se fosse pela primeira vez, se estivermos disponíveis de momento a momento e é esta a única maneira de viver magicamente. Na criação não existe a segunda vez – “O mestre só fala uma vez”, e a nossa vida é como o mestre. A consciência psicológica cria esta convicção que deve haver uma segunda vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   O espelho fragmentado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nascemos para criar uma história pessoal medíocre que é esquecida uma semana depois da nossa morte. Ninguém se interessa pela nossa vida, uma vida que é muito fragmentada, que não tem remédio como ficção. O iceberg só mostra a ponta que emite sinais fragmentadas, a vida é um espelho despedaçado, não pode reflectir uma imagem coerente. O que custa na morte é que temos apenas estilhaços nos quais vemos a nossa cara. É este o pânico do findar do pequeno círculo do eu. A magia é o caminho do meio, é viver e morrer sem ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que podemos activar o herói em nós? Ele não é o eu construído socialmente, é uma espécie e anti-herói com uma história ilimitada. Há algo em nós que escreve uma história mágica em nós que por vezes aparece em fragmentos nos nossos sonhos, sonhos perturbantes com timbre féerico e uma carga simbólica. É este o herói de iniciação. O eu e herói não podem coexistir. Temos de sentir à partida o que há de mais original e inquietante que transforma o percurso e a vida em algo que é realmente só nosso e que interessa a todos os seres humanos. Não é a nossa história. É a do herói em nós, é a natureza heróica que assume a nossa forma. A história arquetípica que tem para contar é uma história de iniciação, não uma história de vida. ( É esta a história de Sócrates, contada por Platão ou a de Ulisses – uma aventura de herói, e não da personagem.)  Há assim um percurso paralelo em nós, um processo de sageza que deixa de fora os eventos da vida, um percurso de auto-descoberta, uma odisseia sempre nova. A aventura iniciática é sempre diferente de todas as outras, ao passo que a história de vida é quase igual em todos os seres humanos.&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;                                         O Herói Solar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o herói solar que está por detrás de todas as reencarnações, estas só interessam se tiverem elementos libertadores. Cada vida no presente é um resumo da história do universo de biliões de anos. O herói é atemporal, transversal ao tempo, um peregrino inquieto e indomável e não se deixa prender numa gaiola. Ele não se envolve nas artimanhas fantasmagóricas do tempo, aprende a vida doutra maneira e tem uma percepção que não se baseia na comparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção mágica tem o poder de mutação do indivíduo, um elemento de redenção que a consciência psicológica destrói. Temos de escutar o herói em nós que não acumula experiências e não leva bagagem consigo. Jesus é o paradigma deste herói solar que diz: “Não tenho local onde repousar a minha cabeça.” É um herói sem domicílio terrestre, como aliás todos os avateres, ou seja, representações / incarnações do herói como o Buda ou outros: “Se queres saber quem é o herói, encontra-o em ti mesmo.” Ele está intrinsecamente em cada um de nós e tem uma percepção de sensação directa, uma motivação única de pura consciência-energia individuada, feita indivíduo. Ele não tem história, é ninguém, não tem identidade, não se identifica nem ao passado nem ao eu. Existe enquanto história universal, desejo de expressão e desdobramento de um desejo único – a auto-realização. Não se apodera da vida como experiência, não tem história pessoal, mas uma história de iniciação fabulosa. O herói é impessoal. Nós não podemos servir dois senhores – ou estamos no registo do herói ou no registo do eu. O herói fala dos seres humanos, não de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A magia do Real&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o factor de transformação? Ausência absoluta de história pessoal, o discurso é sobre o herói do outro, o único interesse reside na vida do herói do outro. Há uma consciência intrinsecamente generosa que não se apodera de nada. O chamado voto de pobreza significava originalmente isso – a promessa de não se apoderar de nenhuma experiência, e o templo era o lugar do herói para o qual não pode levar nenhuma riqueza deste mundo. ( nos tempos mais recentes Krishnamurti vivia assim). A percepção altera-se profudamente nesta perspectiva, é completamente nova no viver no AGORA. Damo-nos conta que, a cada momento vivido, só podemos escolher entre duas coisas – ou apoderar-nos do momento ou viver o seu encanto sem projecção do passado para que a magia do real não se perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte será um momento inglório se não for vivida no AGORA. Tornar-se-á então no momento mais importante de uma vida. Nascemos para ser heróis impessoais da nossa vida que tem sempre sentido. Transversalmente, por detrás está o herói num percurso iniciático único, de momento em momento. Na prática é a respiração que nos traz para o momento. Sacrificamos o momento à nossa tranquilidade, projectando-nos no vazio do estado de Atenção:&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Energia – consciência&lt;br /&gt;Herói&lt;br /&gt;∞&lt;br /&gt;Sensação directa&lt;br /&gt;a cada momento&lt;br /&gt;∞&lt;br /&gt;Ser&lt;br /&gt;Experiência irrepetível&lt;br /&gt;e única&lt;br /&gt;Estar no momento&lt;br /&gt;sem construção do eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença do Ser configura-nos de maneira diferente, instalando a bem-aventurança da consciência intrínseca e leva à compassividade e à experiência da vida tal como ela é, uma experiência da unidade de todas as coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       O florescimento do Ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento é então sageza, o sentimento de pura compaixão e sensação da unidade de todas as coisas. eu e o outro somos uma e a mesma coisa. A acção tem uma única motivação – o florescimento do eu à sua maneira. Este florescimento do Ser em nós encontra a sua própria sageza, não se alimenta da sabedoria dos outros. Apaixonar-nos pelo Ser em nós é a paixão de todas as paixões. O resto é teatro de sombras. Para poder descobrir este Ser único é preciso ousar de sair da nossa casa, do eu. O ciclo vital de cada vida serve a isto e a mais nada. É esta a descoberta que o príncipe faz no conto “A Princesa Pele de Burro” quando olha pelo buraco da fechadura, tendo um vislumbre do Ser que está do outro lado, que está em cada um de nós. Este deslumbramento faz nos descobrir a comédia do eu com a sua busca de auto-preenchimento e posse do objecto e do outro que traz logo a seguir o medo de o perder. Só então podemos deixar de ser predador do outro, na nossa constante procura de auto-satisfação. O eu corta logo as relações quando o outro nega de espelhar a nossa imagem. Exigimos do outro constante compensação pessoal e desenvolvemos estratégias de sobrevivência emocional que trazem ressentimento e colocam uma armadura à nossa volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No registo do Ser sentimos que iniciamos a viagem e que deixamos tudo de fora que não somos. Viver em estado de Atenção significa permanente disponibilidade e abertura. Tornamo-nos então donos das nossas vidas, criamos a nossa vida. A iniciação é isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V.Q.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5226483056428757343?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5226483056428757343/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5226483056428757343' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5226483056428757343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5226483056428757343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/contos-de-fadas.html' title='CONTOS DE FADAS'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1892129049825664837</id><published>2010-02-14T19:41:00.001-08:00</published><updated>2010-02-14T19:41:33.490-08:00</updated><title type='text'>Experiência de Unidade Fundamental</title><content type='html'>Experiência de unidade fundamental narrada por Krishnamurti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia em que me vi nesse estado, e mais consciente das coisas ao meu redor, tive a primeira experiência extraordinária. Havia um homem consertando a estrada; aquele homem era eu; a picareta era eu; a picareta que ele segurava era eu; as próprias pedras que ele estava quebrando eram uma parte de mim; a tenra relva era o meu ser, e a árvore atrás do homem era eu. Podia sentir e pensar como o homem que consertava a estrada e podia sentir o vento que passava pela árvore e também podia sentir a pequenina formiga na relva. Os pássaros, a poeira e até o barulho eram parte de mim. Naquele momento um carro passou a alguma distância, eu era o motorista, o motor e os pneus; à medida que o carro se distanciava de mim, também eu me distanciava de mim. Eu estava em tudo, ou melhor, tudo estava em mim, o animado e o inanimado, as montanhas, o verme e tudo que respira. Fiquei o dia todo nesse estado feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do livro: Mary Lutyens, Vida e Morte de Krishnamurti, Editora Teosófica&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1892129049825664837?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1892129049825664837/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1892129049825664837' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1892129049825664837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1892129049825664837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/experiencia-de-unidade-fundamental.html' title='Experiência de Unidade Fundamental'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1431533044373803767</id><published>2010-02-14T19:40:00.001-08:00</published><updated>2010-02-14T19:40:56.376-08:00</updated><title type='text'>10</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;AS DEZ CAUSAS DE ARREPENDIMENTO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O discípulo que procura a libertação e a omnisciência do Buda deve primeiro meditar sobre estas dez coisas que são causas de arrependimento:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Tendo sido dotado de corpo humano, difícil de obter, livre e dotado de numerosos talentos, malbaratar a sua vida seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Tendo sido dotado deste corpo humano, puro, livre  e dotado de numerosos talentos, morrer como homem não religioso e cheio das preocupações do mundo seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Esta vida humana no Kali-Yuga (ou idade das trevas) sendo tão breve e incerta, dissipá-la nos empreendimentos e nos projectos deste mundo seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   O espírito de cada um procedendo da natureza do espírito original não criado, deixá-lo perder-se e afundar-se no pântano das ilusões deste mundo seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   O mestre espiritual, sendo o guia na via, separar-se dele antes de atingir a iluminação seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   A fé e os votos religiosos, sendo o veículo que conduz à emancipação, vê-los fracassar pela violência das paixões incontroladas seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   A perfeita sabedoria, sendo reconhecida em si-mesma pela graça do mestre espiritual, dissipá-la na selva das contingências deste mundo seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Vender como uma mercadoria a sublime doutrina dos sábios seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Na medida em que todos os seres vivos são nossos parentes benevolentes, sentir aversão por um só dentre eles, e assim renegá-lo ou abandoná-lo, seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  A flor da juventude, sendo o período de desenvolvimento do corpo, da palavra e do espírito, desbaratá-la na indiferença vulgar seria causa de arrependimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez causas de arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;SEGUEM-SE DEPOIS&lt;br /&gt;AS DEZ EXIGÊNCIAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Tendo estimado as suas próprias capacidades, deve-se adoptar uma linha de conduta segura.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   A confiança e o zelo são necessários para conseguir executar as ordens de um instrutor religioso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Para evitar enganar-se na escolha de um guru, o discípulo deve conhecer os seus próprios defeitos e virtudes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Uma grande acuidade intelectual e uma fé robusta são indispensáveis para se por de acordo com o espírito do instrutor espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Uma vigilância de cada instante, assim como um espírito vivo e modesto são necessários para preservar o corpo, a palavra e o espírito de qualquer mácula.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Uma verdadeira armadura espiritual, assim como um intelecto poderoso, são necessários à realização dos votos do coração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Livrar-se definitivamente dos desejos e doa apegos é necessário para quem entenda libertar-se de qualquer entrave.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Para adquirir o duplo mérito (causal e espiritual), resultante de intenções justas, de acções justas e de motivações altruístas, é necessário nunca abrandar os seus esforços.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   O espírito, banhado de amor e de compaixão, tanto em pensamento como na acção, deve sempre ser posto ao serviço de qualquer ser sensível.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Pela escuta, compreensão e sabedoria, deve-se aperceber a natureza de todas as coisas para não se cair no erro de considerar como reais a matéria e os fenômenos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez exigências.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS A REALIZAR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Liga-te a um instrutor religioso dotado do poder espiritual e do completo conhecimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Procura como eremitério uma solidão ímpar e cheia de influências psíquicas benéficas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Procura amigos com crenças e hábitos parecidos com os teus e nos quais possas depositar a tua confiança.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Toma atenção aos malefícios da gula e come apenas suficiente comida para te manteres em boa saúde durante o teu período de recolhimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Estuda com imparcialidade os ensinamentos dos grandes sábios de todas as escolas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Estuda as ciências benéficas da medicina e da astrologia, assim como a arte profunda dos presságios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Adopta o regime e o modo de vida que te manterão de boa saúde.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Adopta as práticas de devoção que permitirão o teu desenvolvimento espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Acompanha os discípulos cuja fé é forte, o espírito doce, e que pareçam favorecidos pelo karma na sua busca da sabedoria divina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Conserva sem cessar a tua consciência em vigília, quer seja a caminhar, estando sentado, comendo e a dormir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas a realizar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS A EVITAR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Evita o guia espiritual cujo coração aspira a ser conhecido e aos bens deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Evita os amigos e os discípulos que perturbam a paz do teu espírito e a tua progressão espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Evita as residências e os eremitérios onde se encontram muitas pessoas que te importunem e te distraiam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Evita ganhar a tua vida pelo engano e pela fraude.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Evita tais actos que lesem o teu espírito e entravem a tua progressão espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Evita os actos frívolos e inconsiderados que te diminuem na estima do outro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Evita os comportamentos e os actos inúteis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Evita dissimular os teus próprios erros e discorrer sobre os dos outros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Evita os hábitos e os alimentos que não convêm à tua saúde.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Evita as ligações que possam ser inspiradas pela cupidez.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas a evitar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS A NÃO EVITAR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   As ideias, que são o irradiar do espírito, não devem ser evitadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   As formas conceptuais, que são a celebração da Realidade, não devem ser evitadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   As paixões obscurecedoras, que permitem lembrar-se da divina sageza (que serve para se libertar delas), não devem ser evitadas (bem utilizadas, elas permitem gozar plenamente a vida e atingir assim a desilusão).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   A abundância, que é a água e o fermento do progresso espiritual, não deve ser evitada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   A doença e as provas, que ensinam a piedade, não devem ser evitadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Os inimigos e o infortúnio, que podem incitar à vida religiosa, não devem ser evitados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   O que vem de si mesmo, sendo um dom divino, não deve ser evitado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   A razão, que é o nosso melhor aliado em cada uma das nossas acções, não deve ser evitada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Aqueles exercícios de devoção , físicos e espirituais, se se tiver os meios para os realizar, não devem ser evitados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Não evites o pensamento de ajudar os outros, por mais limitado que possa ser.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas a não evitar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS A SABER&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   É preciso saber que todos os fenômenos visíveis, sendo ilusórios, são irreais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   É preciso saber que o espírito, sendo desprovido de existência independente (separado do espírito universal), é efêmero.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   É preciso saber que qualquer ideia resulta de um encadeado de causas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   É preciso saber que o corpo e a palavra, compostos dos quatro elementos, são transitórios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   É preciso saber que os efeitos das acções passadas, das quais procede todo o sofrimento, são inevitáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   É preciso saber que o sofrimento é um guru, pois que pode convencer cada um da necessidade de uma vida religiosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   É preciso saber que a afeição às coisas deste mundo torna a prosperidade material hostil ao desenvolvimento espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   É preciso saber que o infortúnio é igualmente um guru, pois que é um caminho que conduz à doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   É preciso saber que nenhuma coisa existente tem existência independente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  É preciso saber que todas as coisas são interdependentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas a saber.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS A PRATICAR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Deve-se adquirir um conhecimento prático da via seguindo-a, e não comportar-se como a multidão que professa a religião mas não a pratica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Deve-se adquirir um conhecimento prático do desprendimento deixando a sua própria pátria e ficando em terra alheia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Depois de ter escolhido um instrutor religioso, abandona a tua vontade própria e segue cegamente os seus ensinamentos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Depois de ter adquirido a disciplina mental pela escuta e pela meditação dos ensinamentos religiosos, não te vanglories desta conquista mas emprega-a para a realização da verdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Depois que as premissas do conhecimento espiritual se tenham levantado em ti, não o deixes preguiçosamente em pousio mas cultiva-o com uma vigilância de todos os momentos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Depois de ter experimentado a iluminação espiritual, comunica com ela em solidão, e abandona as actividades vulgares deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Depois de ter adquirido um conhecimento prático das coisas espirituais e conseguido a grande renúncia, não permitas ao teu corpo, à tua palavra ou ao teu espírito que deixem de seguir as regras, mas cumpre os três votos de pobreza, de castidade e de obediência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Se estás decidido a atingir o fim supremo, abandona o teu egoísmo e dedica-te ao serviço do outro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Se estás empenhado na via mística do Mantrayana, não deixes que o teu corpo, a tua palavra ou o teu espírito permaneçam impuros, mas pratica o mandala triplo (do corpo, da palavra e do espírito).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Durante o tempo da tua juventude, não freqüentes aqueles que não te possam guiar espiritualmente, mas adquire laboriosamente o conhecimento prático aos pés de um guru instruído e piedoso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas a praticar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS NAS QUAIS É PRECISO PERSEVERAR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Os noviços devem perseverar na escuta e na meditação dos ensinamentos religiosos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Se beneficias já de uma experiência espiritual, persevera na meditação e na concentração mental.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Persevera na solidão até que o teu espírito tenha sido inteiramente disciplinado pelo yoga.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Qualquer que possa ser a tua dificuldade em controlar a corrente dos teus pensamentos, persevera nos esforços para a dominar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Qualquer que seja a intensidade do teu adormecimento de espírito, persevera nos teus esforços para reforçar o teu intelecto ( ou para controlar o teu espírito).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Persevera na tua meditação até que alcances a inalterável tranquilidade mental do samadhi (meditação profunda).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Uma vez atingido este estado de samadhi, persevera de maneira a prolongar a sua duração e a poder provocar o seu aparecimento voluntário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Quaisquer que sejam os infortúnios de toda a espécie que te assaltem, persevera na paciência do corpo, da palavra e do espírito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Qualquer que possa ser a intensidade de uma afeição, de um desejo ou de uma fraqueza mental, persevera no teu esforço para eliminá-los mal apareçam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Por mais medíocres que sejam em ti a indulgência e a piedade, persevera a dirigir o teu espírito para a perfeição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas nas quais é preciso perseverar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;AS DEZ INCITAÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.   Ao reflectir sobre a dificuldade em obter um corpo humano livre e talentoso, possas tu ser incitado a adoptar a vida religiosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Ao reflectir sobre a morte e sobre o carácter efêmero da vida, possas tu ser incitado a viver piamente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Ao reflectir sobre as conseqüências inevitáveis e irrevocáveis de toda a acção, possas tu ser incitado a evitar o mal e a falta de piedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Ao reflectir sobre os males da vida no ciclo das existências sucessivas, possas tu ser incitado a procurar a emancipação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Ao reflectir sobre as misérias que sofrem todos os seres sensíveis, possas tu ser incitado a atingir a libertação pela iluminação do espírito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Ao reflectir sobre a perversidade e sobre a natureza ilusória do espírito de todos os seres sensíveis, possas tu ser inciado a escutar e a meditar sobre a doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Ao reflectir sobre a dificuldade em erradicar os conceitos errôneos, possas tu ser incitado a uma meditação constante que triunfe.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Ao reflectir sobre a preponderância das más inclinações nesta idade das trevas, possas tu ser incitado a procurar o seu antídoto na doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Ao reflectir sobre a multiplicidade dos infortúnios nesta idade das trevas, possas tu ser incitado a perseverar na tua busca de emancipação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Ao reflectir sobre a inutilidade de delapidar futilmente a tua vida, possas tu ser incitado à diligência no teu percurso sobre a via.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez incitações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;X&lt;br /&gt;OS DEZ ERROS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Uma fé fraca e um  intelecto forte podem conduzir ao erro da tagarelice.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Uma fé forte e um intelecto fraco podem conduzir ao erro do dogmatismo tacanho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Um grande zelo sem instrução religiosa conveniente pode conduzir ao erro de extremos errados ou de seguir vias enganadoras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Meditar sem se ter preparado suficientemente pela escuta e pelo estudo da doutrina pode conduzir ao erro de se perder nas trevas do inconsciente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Sem uma compreensão prática e conveniente da doutrina, pode cair-se no erro da arrogância religiosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   A menos que se treine o espírito para o altruísmo e para a compaixão infinita, pode cair-se no erro de não procurar a libertação senão para si mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   A menos que se discipline o espírito pelo conhecimento da sua própria natureza imaterial, pode cair-se no erro de orientar todas actividades seguindo as vias do mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   A menos que se erradique em si toda a ambição terrena, pode cair-se no erro de se deixar conduzir por motivações materialistas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Ao permitir que vulgares admiradores crédulos se juntem à nossa volta, pode cair-se no erro de se tornar inchado de orgulho mundano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Ao vangloriar-se dos seus conhecimentos e dos seus poderes ocultos, pode cair-se no erro de exibi-los orgulhosamente em cerimónias profanas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estes são os dez erros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XI&lt;br /&gt;AS DEZ SEMELHANÇAS ENGANADORAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   O desejo pode ser tomado erroneamente por fé.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   A afeição pode ser tomada erroneamente pela indulgência e pela compaixão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   A cessação da torrente dos pensamentos pode ser tomada erroneamente pela quietude do espírito infinito, que é o verdadeira finalidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   As percepções dos sentidos podem ser tomadas erroneamente pela realização completa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Uma simples visão da realidade pode ser tomada erroneamente pela completa realização.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Os que professam exteriormente a religião, mas não a põem em prática, podem ser tomados erroneamente por verdadeiros devotos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Os escravos das suas paixões podem ser tomados erroneamente por mestres do yoga que se libertaram por si mesmos de todas as leis convencionais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Acções praticadas com um interesse pessoal podem ser tomadas erroneamente por acções altruístas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Métodos enganadores podem ser tomados erroneamente por métodos prudentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Charlatões podem ser tomados erroneamanete por sábios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez semelhanças enganadoras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS QUE NÃO ENGANAM&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Ao libertar-se de toda a ligação e ao ser ordenado bhikshu (monge pedinte) da santa Ordem, depois de ter abandonado a sua residência e adoptado o estado de sem-lar, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Ao reverenciar o seu mestre espiritual, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Ao estudar conscienciosamente a doutrina, ao escutar os comentários que ela suscita, ao reflectir sobre eles e ao meditar sobre ela, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Ao alimentar altas aspirações e ao esforçar-se por uma conduta modesta, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Ao manter a mente aberta sobre a religião, ao mesmo tempo que se observa escrupulosamente os seus votos monásticos, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Ao aliar grande inteligência com pequeno orgulho, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Ao ser rico em conhecimentos religiosos e diligente em meditar sobre eles, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Ao aliar instrução religiosa de ponta, conhecimento das coisas espirituais e ausência de orgulho, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Ao passar toda a sua vida em solidão e em meditação, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Ao dedicar-se, sem consideração por si mesmo, a fazer o bem aos outros, por meio de métodos sábios, não há engano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas que não enganam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XIII&lt;br /&gt;OS TREZE MALOGROS MAIS CRUÉIS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Se, tendo nascido humano, não se presta nenhuma atenção à santa doutrina, é-se semelhante a um homem que volta de mãos a abanar de uma terra rica de pedras preciosas; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Se, depois de ter ultrapassado a entrada da santa Ordem, se volta para uma vida de família, é-se semelhante a uma borboleta nocturna que mergulha na chama de um candeeiro; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Viver junto de um sábio e ficar na ignorância, é ser-se semelhante a um homem que morre de sede nas margens de um lago; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Conhecer os preceitos morais e não os empregar para curar as  paixões que obscurecem, é ser-se semelhante a um homem doente transportando um saco de remédios que nunca utiliza; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Pregar a religião e não a praticar, é ser-se semelhante a um papagaio que recita uma oração; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Dar como esmolas e como caridade coisas que se tenham obtido por roubo, por pilhagem ou por fraude, é ser-se semelhante ao relâmpago que cai na água; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Oferecer às divindades carne que provenha de seres animados que matamos, é como oferecer a uma mãe a carne da sua própria criança; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Exercitar a paciência unicamente com fins egoístas e não para fazer o bem aos outros, é ser-se semelhante a um gato que exercita a sua paciência para matar um rato; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Executar acções meritórias com o único fim de obter nomeada e louvores neste mundo, é como trocar a pedra mística maravilhosa por uma bola de caganitas de bode; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Se depois de muito ouvir a doutrina, a nossa própria natureza ainda está desafinada, é-se semelhante a um médico atacado por uma doença crónica; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;11.  Possuir a inteligência dos preceitos, permanecendo ignorante das experiências espirituais que decorrem da sua aplicação, é-se ser semelhante a um homem rico que tivesse perdido a chave do seu tesouro; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12.  Tentar explicar a outros doutrinas que não se dominam senão de maneira imperfeita, é ser-se semelhante a um cego que conduz outros cegos; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;13.  Considerar as experiências resultantes da primeira etapa da meditação como as da última etapa, é ser-se semelhante a um homem que toma o cobre por ouro; e isto é um malogro cruel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estes são os treze malogros mais cruéis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XIV&lt;br /&gt;AS QUINZE FRAQUEZAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Um devoto religioso mostra fraqueza se permite que o seu espírito seja perturbado por pensamentos terrenos quando permanece em solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Um devoto religioso que dirige um mosteiro mostra fraqueza se procura o seu interesse pessoal em vez do da confraria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Um devoto religioso mostra fraqueza se respeita escrupulosamente a disciplina moral mas não tem controlo moral efectivo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Dá provas de fraqueza aquele que, tendo adoptado a via justa, permanece ligado a sentimentos terrenos de atracção e repulsa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Dá provas de fraqueza aquele que, tendo renunciado a este mundo e aderido à santa Ordem, aspira aí alcançar mérito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Dá provas de fraqueza aquele que, tendo apercebido brevemente a realidade, não consegue perseverar no sadhana (ou meditação yóguica) até ao dealbar da completa iluminação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Dá provas de fraqueza o devoto religioso que entra na via e que não consegue progredir nela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Dá provas de fraqueza aquele que, não tendo outra ocupação senão a devoção religiosa, não consegue libertar-se de comportamentos indignos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Dá provas de fraqueza aquele que, tendo escolhido a vida religiosa, hesita em fechar-se num isolamento rigoroso qundo sabe perfeitamente que o alimento e todas as coisas necessárias lhe serão fornecidas sem que as peça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Um devoto religioso que exibe poderes ocultos praticando exorcismos ou afastando as doenças mostra fraqueza.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;11.  Um devoto religioso mostra fraqueza se troca virtudes sagradas por alimentos ou dinheiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12.  Aquele que consagrou a sua vida à religião mostra fraqueza se faz habilmente o elogio de si mesmo denegrindo os outros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;13.  Um homem de religião que dá mostras de elevação nas suas prédicas mas não na sua vida, mostra fraqueza.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;14.  Aquele que professa a religião mas que não pode viver em solidão, na companhia de si mesmo, e que, ainda por cima, não consegue tornar a sua companhia agradável aos outros, mostra fraqueza.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;15.  O devoto religioso mostra fraqueza se não é indiferente ao conforto assim como às privações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são as quinze fraquezas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XV&lt;br /&gt;AS DOZE COISAS INDISPENSÁVEIS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   É indispensável possuir um intelecto capaz de compreender e de aplicar a doutrina às suas próprias necessidades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Desde o início de uma vida religiosa, é absolutamente indispensável ter a mais profunda aversão pela interminável sucessão de nascimentos e mortes repetidas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Um guia espiritual capaz de te conduzir na via da emancipação é igualmente indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   O zelo, a coragem e a invulnerabilidade à tentação são indispensáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Uma perseverança sem descanso na neutralização das más acções, realizando boas, e a observância do triplo voto de preservar a castidade do seu corpo, a pureza do seu espírito e o controlo da sua palavra, são indispensáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Uma filosofia suficientemente vasta para abarcar o conhecimento na sua totalidade é indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Um método de meditação tal que torne possível concentrar o espírito sobre qualquer que seja o objecto é indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Uma arte de viver que permita utilizar cada actividade do corpo, da palavra e do espírito, como um suporte para a via é indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Um método prático que dê ensinamentos escolhidos em vez de simples palavras é indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Instruções particulares de um guru avisado, que permitam evitar as vias falaciosas, as tentações, as armadilhas e os perigos são indispensáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;11.  Uma fé indomável, aliada a uma suprema serenidade de espírito é indispensável no momento da morte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12.  Como resultado de por em prática os ensinamentos escolhidos, a aquisição de poderes espirituais capazes de transmutar o corpo, a palavra e o espírito nas suas essências divinas é indispensável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as doze coisas indispensáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XVI&lt;br /&gt;AS DEZ MARCAS&lt;br /&gt;DE UM HOMEM SUPERIOR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Não ter senão pouco orgulho e inveja é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Não ter senão poucos desejos e satisfazer-se com coisas simples é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Ser desprovido de hipocrisia e de falsidade é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Regular a sua conduta de acordo com a lei da causa e efeito, tão cuidadosamente como se protege a menina dos seus olhos, é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Ser fiel aos seus compromissos e às suas obrigações é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Ser capaz de conservar vivas amizades não deixando de olhar todos os seres com imparcialidade é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Ver com piedade e sem cólera aqueles que vivem no mal é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Permitir aos outros a vitória e tomar para si a derrota é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Diferenciar-se da multidão por cada um dos seus pensamentos e das suas acções é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Cumprir fielmente e sem orgulho os seus votos de castidade e de piedade é a marca de um homem superior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez marcas de um homem superior. Os seus opostos constituem as dez marcas de um homem inferior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XVII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS INÚTEIS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   O nosso corpo, sendo ilusório e transitório, é inútil prestar-lhe uma atenção excessiva.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Ao observar que quando morremos devemos partir de mãos a abanar, e que no dia a seguir à nossa morte o nosso corpo é expulso da nossa própria casa, é inútil sofrer e suportar privações tendo em vista a construção de uma residência neste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Ao observar que quando morremos, os nossos descendentes, se não tiverem sido esclarecidos espiritualmente, são incapazes de nos fornecer a mínima assistência, é inútil para nós legar-lhes riquezas temporais, mesmo por amor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Ao observar que quando morremos devemos seguir o nosso caminho sozinhos, sem parentes nem amigos, é inútil consagrar tempo (que devia ser consagrado a alcançar a iluminação) a cuidá-los e a satisfazê-los, ou a multiplicar em seu favor sinais de um afecto transbordante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Ao observar que os nossos próprios descendentes estão submetidos à morte, e que os bens materiais que possamos legar-lhes serão de qualquer maneira, mais dia menos dia, perdidos, é inútil legar-lhes bens deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Ao observar que quando vem a morte deve abandonar-se até a sua própria residência, é inútil consagrar a sua vida à aquisição das coisas deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Ao observar que a infidelidade aos votos religiosos tem como efeito conduzir a estados de existência miseráveis, é inútil entrar para a Ordem sem aí viver santamente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Ter escutado e meditado a doutrina sem a ter praticado nem ter adquirido poderes espirituais que nos assistam no momento da morte é inútil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   É inútil ter vivido, mesmo durante muito tempo, ao lado de um instrutor espiritual se nos falta humildade ou devoção, sendo-se, consequentemente, incapaz de qualquer desenvolvimento espiritual.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Ao observar que todos os fenômenos existentes e aparentes são sempre transitórios, mutantes e instáveis, e mais particularmente que a vida neste mundo não pode dar nem realidade nem ganho permanente, é inútil consagrar-se aos vãos empreendimentos deste mundo em vez de procurar a sabedoria divina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas inúteis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XVIII&lt;br /&gt;AS DEZ CONTRARIEDADES QUE SE CRIAM A SI MESMO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Fundar uma família sem meios de subsistência é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como o faria um idiota ao comer acônito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Viver uma vida francamente má e desviar-se da doutrina é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria um demente ao saltar de um precipício.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Viver na hipocrisia é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria uma pessoa ao envenenar a sua própria comida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Não ter firmeza de espírito e tentar mesmo assim agir como um chefe de mosteiro é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria uma velha e fraca mulher ao tentar juntar um rebanho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Consagrar-se inteiramente às suas ambições pessoais e não se esforçar pelo bem de outro é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria um cego ao aventurar-se no deserto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Lançar-se a tarefas difíceis sem para elas ter capacidade é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria um homem sem força ao tentar transportar uma pesada carga.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Transgredir as mandamentos de Buda, ou do guia espiritual, por orgulho e por presunção, é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria um rei ao seguir uma política corrupta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Perder o seu tempo a passear por cidades e aldeias em vez de se consagrar à meditação é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria um esquilo que descesse para o vale em vez de ficar ao abrigo da montanha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Perder-se na procura das coisas do mundo, em vez do desenvolvimento da divina sabedoria é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria uma águia ao partir uma asa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Rejeitar com insolência ofertas dedicadas ao guia espiritual ou à trindade (Buda, textos sagrados, monges) é uma contrariedade que se cria a si mesmo, como faria uma criança ao engolir carvões ardentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez contrariedades que se criam a si mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XIX&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS PELAS QUAIS SE PRATICA O BEM&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Pratica-se o bem ao abandonar os costumes do mundo e ao consagrar-se à santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Pratica-se o bem ao deixar a sua residência e os seus pais e ao ligar-se a um guia espiritual realmente santo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Pratica-se o bem ao renunciar às actividades do mundo e ao consagrar-se às três actividades religiosas – a escuta, a reflexão e a meditação sobre os ensinamentos escolhidos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Pratica-se o bem ao abandonar as suas relações sociais e ao permanecer na solidão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Pratica-se o bem ao renunciar ao desejo de luxo e de bem-estar, e ao suportar privações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Pratica-se o bem ao contentar-se com coisas simples e ao libertar-se da necessidade de posses materiais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Pratica-se o bem ao tomar a resolução – e ao mantê-la firmemente – de não se aproveitar dos outros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Pratica-se o bem ao não desejar mais os prazeres efêmeros desta vida e ao esforçar-se por realizar a felicidade permanente do Nirvana.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Pratica-se o bem ao renunciar ao amor pelas coisas materiais e visíveis, que são irreais e efêmeras, e ao atingor o conhecimento da realidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Pratica-se o bem ao evitar que as três portas do conhecimento, o corpo, a palavra e a mente, não permaneçam espiritualmente indisciplinados, e ao adquirir, por meio do seu uso justo, o duplo mérito (causal e espiritual).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas pelas quais se pratica o bem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XX&lt;br /&gt;AS DEZ MELHORES COISAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Para um intelecto fraco, a melhor coisa é fiar-se na lei das causas e dos efeitos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Para um intelecto sofrível, a melhor coisa é reconhecer ao mesmo tempo em si e fora de si mesmo, o dinamismo da lei dos opostos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Para um intelecto superior, a melhor coisa é compreender plenamente que o sujeito do conhecimento, o objecto do conhecimento e o acto de conhecer são indissociáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Para um intelecto fraco, a melhor meditação consiste numa concentração total do mental sobre um objecto único.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Para um intelecto sofrível, a melhor meditação consiste numa concentração ininterrupta do mental sobre os dois conceitos dualistas (a aparência e a realidade de um lado, a consciência e o espírito do outro).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Para um intelecto superior, a melhor meditação consiste numa quietude mental, o espírito livre de qualquer processo de pensamento, sabendo que o que medita, o objecto da meditação e o acto de meditar constituem uma unidade indissociável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Para um intelecto fraco, a melhor prática religiosa é viver em estrita conformidade com a lei das causas e dos efeitos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Para um intelecto sofrível, a melhor prática religiosa é olhar todas as coisas objectivas como se fossem imagens de um sonho ou de uma produção mágica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Para um intelecto superior, a melhor prática religiosa é abster-se de qualquer desejo e de qualquer empreendimento deste mundo, ao considerar qualquer coisa terrena como inexistente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Para os três níveis do intelecto, o melhor indicativo do progesso espiritual é a diminuição progressiva das paixões que obscurecem e do egoísmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez melhores coisas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXI&lt;br /&gt;OS DEZ  ERROS GRAVES&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Para um devoto religioso, seguir um charlatão hipócrita em vez de um guia espiritual que pratica sinceramente a doutrina, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Para um devoto religioso, dedicar-se às vãs ciências deste mundo em vez de procurar os nobres ensinamentos secretos dos grandes sábios, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Para um devoto religioso, fazer planos a longo prazo como se fosse estabelecer uma residência permanente neste mundo, em vez de viver cada dia como o último da sua existência, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Para um devoto religioso, pregar a doutrina à multidão antes de ter verificado a sua veracidade, em vez de a meditar e de avaliar a sua correcção, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Para um devoto religioso, comportar-se como um avaro e juntar riquezas em vez de as consagrar à religião e à caridade, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Para um devoto religioso, entregar à falta de vergonha da devassidão o seu corpo, a sua palavra ou o seu espírito em vez de observar escrupulosamente os seus votos, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Para um devoto religioso, malbaratar a sua vida entre as esperanças e os receios deste mundo, em vez de adquirir a compreensão da realidade, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Para um devoto religioso, tentar corrigir outrem em vez de a si mesmo, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Para um devoto religioso, esforçar-se por obter poderes temporais em vez de cultivar os seus próprios poderes espirituais, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Para um devoto religioso, permanecer ocioso e indiferente em vez de perseverar quando se apresentam todas as circunstâncias propícias ao desenvolvimento espiritual, é um grave erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estes são os dez erros graves.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS NECESSÁRIAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   No início da vida religiosa, é necessário sentir uma aversão tão profunda pela sucessão ininterrupta das mortes e dos nascimentos à qual estão submetidos todos os que não atingiram a iluminação, que se deve desejar fugir dela como um cervo foge à captividade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   A segunda coisa necessária é uma perseverança tal que não se arrependa perder a vida na busca da iluminação, do mesmo modo que um agricultor que trabalha os seus campos não se arrepende da sua lavra, mesmo que morra no dia a seguir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   A terceira coisa necessária é uma alegria parecida à do homem que alcançou um feito de longo alcance.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Uma vez mais, é preciso compreender que, como para um homem gravemente ferido por uma seta, não há um instante a perder.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Deve ser-se capaz de fixar o seu espírito num único pensamento, como o faz uma mãe que perdeu o seu filho único.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   É preciso compreender também que qualquer acção é inútil, do mesmo modo que o boieiro cujo gado foi levado para longe por inimigos, compreende que não pode fazer nada para recuperá-lo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   É fundamentalmente exigido desejar a doutrina como um homem esfaimado deseja uma boa comida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   É preciso ser-se também confiante na sua capacidade mental como um homem vigoroso na sua capacidade física para conservar uma pedra preciosa que encontrou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Deve desmascarar-se o erro do dualismo como se faria com a falsidade de um mentiroso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Deve ter-se confiança n’ O Que É como sendo o único refúgio, do mesmo modo que um corvo quase sem forças e longe de qualquer terra tem confiança no mastro do navio sobre o qual se repousa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas necessárias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXIII&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS SUPÉRFLUAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Depois de ter percebido que o espírito é vazio por natureza, não é mais necessário escutar ou meditar sobre os ensinamentos religiosos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Depois de ter percebido que o espírito é incorruptível por natureza, não é mais necessário procurar a absolvição dos seus pecados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Do mesmo modo, não é mais necessário a absolvição para quem permanece no estado de quietude mental.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Para quem atingiu o estado de pureza absoluta, não é mais necessário meditar sobre a via ou sobre os meios de nela avançar, pois atingiu o seu fim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Depois de ter percebido que os conhecimentos são ilusórios e irreais por natureza, não é mais necessário meditar sobre o estado de não-conhecimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Depois de ter percebido que as paixões que obscurecem são ilusórias e irreais por natureza, não é mais necessário procurar o seu antídoto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Depois de ter percebido que todos os fenômenos são ilusórios, é supérfluo procurar ou rejeitar o que quer que seja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Depois de ter reconhecido que a aflição e o infortúnio são bênçãos, é supérfluo procurar a felicidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Depois de ter reconhecido que a sua própria consciência é inata por natureza, não é mais necessário praticar a transferência de consciência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Se só o bem do outro é procurado em tudo o que se faz, não é mais necessário procurar nisso algum benefício para si mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas supérfluas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXIV&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS&lt;br /&gt;MAIS PRECIOSAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Uma vida humana livre e dotada de numerosos talentos é mais preciosa do que miríades de vidas não-humanas em qualquer um dos seis estádios da existência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Um sábio é mais precioso do que uma multidão de pessoas não-religiosas e preocupadas com os assuntos deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Uma verdade esotérica é mais preciosa do que inúmeras doutrinas exotéricas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Uma percepção momentânea da sabedoria divina, nascida da meditação, é mais preciosa do que não importa qualquer montão de conhecimentos obtidos pela escuta e pelo estudo dos ensinamentos religiosos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   O mais pequeno mérito dedicado ao bem do outro é mais precioso do que não importa qual mérito consagrado ao seu próprio bem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Experimentar ainda que seja por um instante o samadi no qual todos os processos de pensamento estão suspensos é mais precioso do que experimentar sem cessar o samadhi no qual os processos de pensamento ainda estão activos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Gozar um só momento o prazer do Nirvana é mais precioso do que gozar não importa qual acumulação de prazeres sensuais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   A mais pequena boa acção desinteressada é mais preciosa do que inúmeras boas acções interesseiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Renunciar a todas as coisas deste mundo, residência, família, amigos, propriedade, nomeada, longa vida, e mesmo saúde, é mais precioso do que dar incomensuráveis riquezas deste mundo para a caridade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Uma única via consagrada à busca da iluminação é mais preciosa do que todas as vidas de uma eternidade consagrada a empreendimentos deste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas mais preciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XXV&lt;br /&gt;AS DEZ COISAS EQUIVALENTES&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Para quem se dedicou sinceramente à vida religiosa, tanto faz abster-se de qualquer actividade do mundo como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Para quem percebeu a natureza transcendente do espírito, tanto faz praticar a meditação como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Para quem está livre qualquer ligação às voluptuosidades do mundo, tanto faz praticar o ascetismo como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Para quem percebeu a realidade, tanto faz permanecer solitariamente numa montanha isolada ou vagabundear por aqui e por ali como um monge pedinte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Para quem atingiu o domínio do seu espírito, tanto faz tomar parte nos prazeres deste mundo como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Para quem é dotado de uma compaixão universal, tanto faz praticar a meditação solitária como trabalhar pelo bem do outro na sociedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Para aquele cuja humildade e fé, aliadas ao respeito pelo seu guru, são inabaláveis, tanto faz permanecer com o seu guru como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Para quem percebe precisamente os ensinamentos que recebeu, tanto faz encontrar a boa como a má sorte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Para quem renunciou à vida do mundo e se ligou firmemente à prática das verdades espirituais, tanto faz respeitar os códigos de conduta convencionais como não.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Para quem atingiu a sublime sabedoria, tanto faz exercer como não os poderes milagrosos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez coisas equivalentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXVI&lt;br /&gt;AS DEZ VIRTUDES&lt;br /&gt;DA SANTA DOUTRINA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   O facto de que tenham sido trazidos ao conhecimento dos homens os dez actos piedosos, as seis virtudes ilimitadas, os diversos ensinamentos respeitantes à realidade e à perfeição, as quatro nobres verdades, os quatro estádios de meditação profunda, os quatro estados de existência informal e as duas vias místicas de desenvolvimento e de emancipação espirituais, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   O facto de que no seio do mundo terreno se tenham desenvolvido, entre os homens, príncipes e Brâmanes espiritualmente esclarecidos, assim como os quatro grandes guardiões do horizonte, as seis ordens de divindades dos paraísos sensíveis, as dezassete ordens dos deuses dos mundos das formas e as quatro ordens dos deuses dos mundos informais, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.    O facto de que se tenham levantado neste mundo aqueles que entraram para a via, aqueles que só regressarão uma vez ao nascimento e aqueles que passaram para lá da necessidade de uma existência futura, os santos, os Budas iluminados e os Budas omniscientes, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   O facto de que existam aqueles que atingiram a iluminação, o facto de que sejam capazes de regressar ao mundo sob a forma de encarnações divinas para trabalharem na libertação do género humano e de todos os vivos até à dissolução do universo físico, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   O facto de que existam, emanando da universal bondade dos iluminados voluntariamente reincarnados, influências espirituais protectoras que permitem a libertação do homem e todos os seres vivos, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   O facto de que, mesmo nos estados de existência miseráveis, se possa experimentar momentos de felicidade, pelo simples facto de se terem realizado actos de misericórdia neste mundo humano, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   O facto de que homens, depois de terem vivido no mal, renunciaram à sua vida materialista e se tornaram santos dignos da veneração do mundo, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   O facto de que homens cuja sucessão profundamente adversa dos actos os teria condenado a sofrimentos quase eternos depois da sua morte, se voltaram para a via religiosa e atingiram o Nirvana, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   O facto de que, simplesmente tendo fé na doutrina, ou meditando sobre ela, ou mesmo somente vestindo o hábito do monge pedinte, se torne digno de respeito e de veneração, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  O facto de que depois de ter abandonado a todos os bens e abraçado a carreira religiosa, depois de ter renunciado ao estado de chefe de família e se ter escondido no eremitério mais retirado, se possa ainda ser procurado e provido de todas as necessidades da vida, atesta a virtude da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez virtudes da santa doutrina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXVII&lt;br /&gt;AS DEZ&lt;br /&gt;EXPRESSÕES METAFÓRICAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   Dado não se poder descrever a “verdade fundamental”, que deve no entanto ser percebida na meditação yoguica, a expressão “verdade fundamental” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   Dado não haver nem viagem, nem viajante na “via”, a expressão “via” religiosa não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   Dado não haver nenhum testemunho nem nenhuma testemunha do “estado de verdade”, a expressão “estado de verdade” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   Dado não haver nem meditação nem meditante do “estado puro”, a expresão “estado puro” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   Dado não haver nem fruição nem desfrutador do “humor natural”, a expressão “humor natural” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   Dado não haver nem cumprimento dos votos nem guardiões dos votos, estas expressões não são senão metáforas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   Dado não haver nem acumulação de méritos nem ninguém para os acumular, a expressão “duplo mérito” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   Dado não haver nem acção nem actor, a expressão “dupla via” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   Dado não haver nem renúncia nem renunciador da vida no mundo, a expressão “vida no mundo” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  Dado não haver nem benefício nem beneficiário das consequências dos actos, a expressão “conseqüência dos actos” não é senão uma metáfora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez expressões metafóricas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;XXVIII&lt;br /&gt;AS DEZ&lt;br /&gt;GRANDES COMPREENSÕES ALEGRES&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.   É uma grande alegria compreender que o espírito de todos os seres sensíveis é indissociável do espírito universal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.   É uma grande alegria compreender que a realidade fundamental não tem qualidades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3.   É uma grande alegria compreender que no infinito conhecimento da realidade, para lá de todo o pensamento, todas as diferenciações do mundo terreno são inexistentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4.   É uma grande alegria compreender que no seu espírito original incriado, o espírito não é perturbado por nenhum processo de pensamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5.   É uma grande alegria compreender que no estado de verdade fundamental, onde o espírito e a matéria são inseparáveis, não existe nem construtor de teorias, nem construções teóricas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6.   É uma grande alegria compreender que no puro corpo espiritual, emanado dele mesmo, não existem nem geração, nem morte, nem transição, nem nenhuma mudança.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7.   É uma grande alegria compreender que no divino corpo reencarnado, emanado dele mesmo, não existe nenhum sentimento de dualidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.   É uma grande alegria compreender que na essência da lei suprema, a doutrina da alma pessoal se revela sem fundamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9.   É uma grande alegria compreender que na compaixão divina e ilimitada dos iluminados reencarnados, não existe nenhuma imperfeição, nem nenhuma manifestação de parcialidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10.  É uma grande alegria compreender que a via para a libertação, que todos os Budas percorreram, está lá sempre, sempre imutável, e sempre aberta aqueles que estão preparados para lá entrar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estas são as dez grandes compreensões alegres.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;EPÍLOGO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que precede contem a essência das palavras imaculadas dos grandes Gurus, que eram dotados da sabedoria divina; e da deusa Tara e de outras divindades. Entre estes grandes mestres figurava o glorioso Dipankara, o pai espiritual, assim como os seus sucessores, que foram divinamente mandatados para espalharem a doutrina nesta terra das neves do norte; e os graciosos Gurus da escola Kadampa. Havia também o rei dos yogin, Milarepa, a quem foram legados os ensinamentos do sábio Marpa de Lohbrak e dos outros; e os ilustres santos da nobre terra das Índias, Naropa e Maitripa, cujos esplendores igualam os da lua e do sol; e os discípulos de todos estes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aqui acaba A Via Suprema, o Rosário das Pedras Preciosas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Este tratado foi transcrito por Digom Sönam Rinchen, que conhecia perfeitamente os ensinamentos de Kadampas e dos Chagchenpas.&lt;br /&gt;É correntemente admitido que o grande guru Gampopa (conhecido igualmente sob o nome de Dvagpo-Lharje) redigiu esta obra, e transmitiu-a com a seguinte recomendação: “Eu peço às gerações de devotos futuros que honrarão a minha memória e lastimarão não terem podido encontrar-me pessoalmente que estudem isto, A Via Suprema, O Rosário das Pedras Preciosas, e ainda A Preciosa Jóia de Libertação, entre outros tratados religiosos. O resultado será idêntico aquele de um encontro pessoal comigo.”&lt;br /&gt;Possa este livro irradiar a divina virtude, e possa ser propício.&lt;br /&gt;Bendito seja ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1431533044373803767?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1431533044373803767/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1431533044373803767' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1431533044373803767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1431533044373803767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/10.html' title='10'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4689978400649126468</id><published>2010-02-03T06:57:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T07:34:30.681-08:00</updated><title type='text'>Calorr</title><content type='html'>Ta um calor  aqui em Poto Alegre que por algum momento se tem a impressão que vai se abrir a janela e ver disparar uma manada de guinú, com leões correndo atrás... Nem as moscas voam, e tudo que se tira da geladeira, ou aquece ou estraga em minutos. da impressão que se tem 90 anos de idade, e pra entrar no carro só com jaqueta de amianto. É um calor du caralho, da namibia, da zambia. A roupa ja sai seca da máquina, e quando se toma banho se sai suando, mesmo com o chuveiro no inverno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4689978400649126468?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4689978400649126468/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4689978400649126468' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4689978400649126468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4689978400649126468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/02/calorr.html' title='Calorr'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7839165778139883090</id><published>2010-01-31T00:07:00.000-08:00</published><updated>2010-01-31T00:25:44.806-08:00</updated><title type='text'>Frase</title><content type='html'>A frase diz: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... É isso? Ou quem é? &lt;br /&gt;Comigo não estou certo se se aplica as duas variáveis. Acho que só sei a dor de ser quem sou. E sei que pra muitos, muitos mesmo, a dor é maior que a delícia.&lt;br /&gt;Compreendo aqueles que desistem, que resolvem abreviar o percurso. Não os condeno, os entendo. Sei que a vida é TUDO, e o quanto é tudo. Mas ser incapaz de vive-la é um peso demais. O maior, a maior dor é essa, de viver morto, e saber ser impossível resussitar. &lt;br /&gt;Texto melancólico, não? E vc acha que entende do que? Vc acha que pode dizer que a melancolia , que a desesperança, que a dor é fraqueza? Vc acha que é capaz de julgar a dor dos que mais sofrem? Então é um estúpido. Simplesmente, posso afirmar, não se pode saber do tamanho da dor dos outros. Não, não é uma questão de força de vontade, de escolhas, decisões, luz, ou o escambal. &lt;br /&gt;Texto melancólico. Mas lúcido. Há dores intransponíveis. O que me mantem com sinais vitais não é por mim, mas por amor aos outros. Eu indo tudo se resolve, mas pra quem fica a saudade pode ser enorme, fazer marcas incuráveis, cicatrizes dolorosas crônicas. esforço-me para viver pelos outros, e sei que é assim para muitos, muitos de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7839165778139883090?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7839165778139883090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7839165778139883090' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7839165778139883090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7839165778139883090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2010/01/frase.html' title='Frase'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-9197640621386696144</id><published>2009-12-19T12:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T12:13:39.835-08:00</updated><title type='text'>sonhei com um quadro assim;</title><content type='html'>Numa tela de uns 80 x 80, um rosto sangrado no suporte, na cor laranja, ocre, e preto. a pele laranja, com grandes sulcos pretos, dando uma idéia de mapa, de terra vista do alto. as rugas são erosões, marcas do tempo. a pele é grossa, espessa , como a superficie do planeta. o rosto é o planeta, a expressão é serena, ou indiferente. blasé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-9197640621386696144?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/9197640621386696144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=9197640621386696144' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/9197640621386696144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/9197640621386696144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/12/sonhei-com-um-quadro-assim.html' title='sonhei com um quadro assim;'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2999592405903495793</id><published>2009-12-03T16:44:00.001-08:00</published><updated>2009-12-03T16:50:45.183-08:00</updated><title type='text'>Saudades</title><content type='html'>Quando dei por mim estava deitado no carpete daquele quarto aos prantos. Acho que nunca mais esquecerei daquele dia, e da sensação que senti. Atropelou-me um tristeza infinita, de tanta suadades que eu tinha daquele gente toda, daqueles meus amigos inesquecíveis. &lt;br /&gt;Não tem dia que eu não pense neles, e não há um dia que eu não deseje voltar pra lá. &lt;br /&gt;Hoje é um dia desses, que eu quase tenho vontade de contar toda a história, como se assim fosse possível encontrar a porta pra quele lugar. Ai aborreço-me. E ando assim até o final do dia, aborrecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2999592405903495793?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2999592405903495793/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2999592405903495793' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2999592405903495793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2999592405903495793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/12/saudades.html' title='Saudades'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4482271631321432541</id><published>2009-10-15T10:06:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T10:16:36.134-07:00</updated><title type='text'>Espelhos</title><content type='html'>Então o tempo passa, e tudo continua quase igual. Mudam os fatos, mas os atos são os mesmos. &lt;br /&gt;Vi em algum lugar, pesquisas científicas, iformações que nos chegam a rodo, que uma pessoa pensa em torno de 60.000 coisas durante um dia. Ou seriam 60 milhões? Enfim, é um bocado de pensamentos, mas o surprendente é que 90% desses pensamentos são iguais ao do dia anterior, que eram iguais ao dia anterior... Quer dizer, pensamos sempre as mesmas coisas. &lt;br /&gt;Passei a prestar atenção em meus pensamentos. Minha profissão é essa, meu trabalho, o que mais me ocupo no dia é prestar atenção. procuro ser apenas observvador, sem tomar partido. É difícil. A tendência a fazer um julgamento é forte. Tenho feito isso até dormindo, sonhando. Descobri que mesmo sonhando os pensamentos não cessam. Meu desejo de parar de pensar é muito grande, e isso não é bom. rsrs Veja eu, já tomando partido, fazendo escolhas... &lt;br /&gt;Há muito tempo entrei numa sala de um consultório de um psicólogo, ainda adolescente, e perguntei isso a ele, se um dia conseguiria parar de pensar com seu tratamento. Foi na primeira consulta, ele me disse que não, que isso nunca acabaria, então me perguntei o que resolveria passar a ir ali. &lt;br /&gt;Somos tagarelas, gralhas falantes, e quem já se perguntou o porquê? &lt;br /&gt;Então segue a vida. Todo dia igual, ou 90% igual. Uma lente filtra tudo, distorce, e achamos que isso é viver. &lt;br /&gt;Entendemos uns aos outros melhor que entendemos a nós mesmo. Observa melhor quem está de fora, preso em seus condicionamentos. Achamos que podemos enganar uns aos otros, que podemos parecer felizes dizendo que somos felizes, bonitos, fazendo plásticas e usando belas roupas, capazes de amar,quando nos dizemos apaixonados por alguém, capaz de magoar enquanto queremos afastar a mágoas de nós, nossa dor, ódio, frustração... &lt;br /&gt;Mas não, olhando o outro nos vemos intimamente, e vemos que somos mpatéticos como quem olhamos fazendo patetices. Ninguém engana ninguém, pq somos iguais, e reconhecemos os sentimentos dos outros, cada minúsculo movimento no semblante identificamos inconscientemente, como olhar ao espelho. &lt;br /&gt;Eu quero muito compreender esta vida, e para isso preciso deixar de pensar. percebo como os pensamentos me separam da realidade. Como vivo numa dimensão fantasiosa, como uma espécie de sonho acordado. Como me limita. &lt;br /&gt;Que sentido tem escrever isso aqui? Obervação? Não... Vc sabe que não, apenas mais uma tagarelice patética de alguém igual a vc. Não te engano, nem vc me engana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4482271631321432541?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4482271631321432541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4482271631321432541' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4482271631321432541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4482271631321432541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/10/espelhos.html' title='Espelhos'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7662823104817868935</id><published>2009-08-02T11:42:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T11:44:13.656-07:00</updated><title type='text'>DA INTELIGÊNCIA</title><content type='html'>Conversa entre J. Krishnamurti e o Prof. David Bohm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA INTELIGÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Daniel Guimarães&lt;br /&gt;Pensamento é da ordem do tempo; inteligência é de uma ordem, de uma qualidade diferente; Está a inteligência ligada ao pensamento? Cérebro, o instrumento da inteligência; pensamento como um ponteiro. O pensamento, e não a inteligência, domina o mundo. O problema do pensamento e do despertar da inteligência. Inteligência operando num contexto limitado pode servir a propósitos altamente não-inteligentes. Matéria, pensamento, inteligência têm uma fonte comum, são uma energia; por que se dividiram? Segurança e sobrevivência: o pensamento não pode considerar a morte de modo apropriado. “Pode a mente manter a pureza de sua fonte original?” O problema do aquietar do pensamento. Insight, a percepção do todo, é necessário. Comunicação sem a interferência da mente consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor Bohm:1 Com relação à inteligência, eu sempre gosto de pesquisar a origem da palavra, bem como seu significado. É muito interessante; Inteligência vem de inter e legere, o que significa “ler entre”. Então me parece que se poderia dizer que o pensamento é como a informação num livro e que a inteligência tem que lê-la, ler seu significado. Acho que isso dá uma noção melhor do que seja inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ler nas entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, depreender o significado. Há também um sentido relevante dado no dicionário, que é: estado de alerta mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, alerta mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, isso é bastante diferente daquilo que as pessoas têm em mente quando medem inteligência. Agora, considerando muitas das coisas que você tem dito, você diria que inteligência não é pensamento. Você diz que o pensamento tem seu lugar no cérebro antigo, que é um processo físico, eletromecânico; tem sido amplamente provado pela ciência que todo pensamento é essencialmente um processo físico, químico. Então talvez pudéssemos dizer que a inteligência não é da mesma ordem, que ela não é da ordem do tempo, de todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, a inteligência lê “nas entrelinhas” do pensamento, vê o significado dele. Há um outro ponto antes de começarmos essa questão: se você diz que o pensamento é físico, então a mente, ou a inteligência, ou como quer que queira chamar isso, parece diferente, é de uma ordem diferente. Você diria que há uma diferença real entre o físico e a inteligência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Estamos dizendo que o pensamento é matéria? Coloquemos isto de forma diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Matéria? Em vez disso, eu diria processo material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Tudo bem; o pensamento é um processo material, e qual é a relação entre ele e a inteligência? É a inteligência um produto do pensamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Acho que podemos estar certos de que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Por que estamos certos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Simplesmente porque o pensamento é mecânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento é mecânico, isso está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: A inteligência, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então o pensamento é mensurável; a inteligência não. E como acontece de essa inteligência vir a existir? Se o pensamento não possui relação com a inteligência, então, é a cessação do pensamento o despertar da inteligência? Ou o que ocorre é que a inteligência, sendo independente do pensamento, e não sendo do tempo, existiu sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso levanta muitas questões difíceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eu gostaria de dispor essa questão numa estrutura de pensamento que se pudesse conectar a quaisquer pontos de vista científicos que possam existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Até para mostrar que ela é cabível ou que não é. Então você diz que a inteligência pode ter existido eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu estou perguntando – ela existe eternamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Pode ser que sim e pode ser que não. Ou é possível que algo interfira com a inteligência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Veja, os Hindus têm a teoria de que a inteligência, ou Brahman, existe eternamente e que é coberta pela ilusão, pela matéria, pela estupidez, por todos os tipos de coisas errôneas criadas pelo pensamento. Eu não sei se você iria tão longe assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, sim; nós não percebemos, de fato, a existência eterna da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eles dizem deixe tudo isso de lado, aquela coisa existe. Então, seu pressuposto é de que ela tenha existido eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Há uma dificuldade nisso, na palavra “eternamente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Porque “eternamente” implica tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E esse é exatamente o problema. Tempo é pensamento – eu gostaria de colocar assim: que o pensamento é da ordem do tempo – ou talvez seja o inverso – que o tempo é da ordem do pensamento. Em outras palavras, o pensamento inventou o tempo, e na verdade o pensamento é tempo. Da forma que eu vejo, o pensamento pode varrer todo o tempo em um momento; mas então o pensamento está sempre mudando sem notar que está mudando fisicamente – por razões físicas, é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não razões racionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: As razões não têm a ver com alguma coisa total, mas sim com algum movimento físico do cérebro; portanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: ...elas dependem do ambiente e de todo tipo de coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então como o pensamento muda com o tempo, seu significado não é mais consistente, torna-se contraditório, muda de um modo arbitrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, estou acompanhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então você começa a pensar: tudo está mudando, todas as coisas mudam, e você compreende “eu estou no tempo”. Quando o tempo é estendido, se torna vasto, o passado antes de eu existir, mais e mais atrás e também adiante, no futuro, então você começa a dizer que o tempo é a essência de tudo, que o tempo domina tudo. No início, a criança pode pensar “eu sou eterna”; então, começa a entender que faz parte do tempo. A visão geral com que nos identificamos é de que o tempo é a essência da existência. Eu acho que este não é apenas o senso comum, mas a visão científica também. É muito difícil abandonar tal visão porque é um condicionamento intenso. É mais forte, inclusive, do que o condicionamento do observador e da coisa observada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, com efeito. Estamos dizendo que o pensamento é do tempo, que o pensamento é mensurável, que pode mudar, se modificar, se expandir? E a inteligência é de uma qualidade inteiramente diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, de ordem diferente, de qualidade diferente. E eu tenho uma impressão interessante desse pensamento com relação ao tempo. Se pensarmos no passado e no futuro, pensamos que o passado está se tornando o futuro; mas pode-se perceber que tal não pode ser, que isso é apenas pensamento. Ainda se tem a impressão de que passado e futuro estão presentes juntos e há movimento de outra forma; que todo o padrão está se movendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Todo o padrão está se movendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas eu não posso visualizar como ele se move. Num certo sentido, está se movendo numa direção perpendicular à direção entre passado e futuro. Todo esse movimento – então eu começo a achar que o movimento está em outro tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Com efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas isso traz de volta ao paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, é isso. Está a inteligência fora do tempo e portanto não relacionada ao pensamento, que é um movimento do tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas o pensamento tem de estar relacionado a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ele está? Estou perguntando. Eu penso que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não? Mas parece haver alguma relação no sentido de que se distingue entre um pensamento inteligente e um pensamento não-inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, mas isso requer inteligência: reconhecer o pensamento não-inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas quando a inteligência lê o pensamento, qual é a relação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Vamos devagar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E o pensamento responde à inteligência? O pensamento não se modifica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sejamos simples. O pensamento é tempo. É movimento no tempo. O pensamento é mensurável e funciona no campo do tempo, todo se movendo, modificando, transformando. Está a inteligência dentro do campo do tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, vimos que de certa maneira não pode estar. Mas a coisa não está clara. Primeiro de tudo, o pensamento é mecânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento é mecânico, isso está claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Segundo, de certa maneira, há um movimento que é de uma direção diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento é mecânico; sendo mecânico, pode se mover em direções diferentes e tudo o mais. É a inteligência mecânica? Coloquemos dessa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eu gostaria de perguntar o que significa ser mecânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Está certo: ser repetitivo, mensurável, comparável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eu diria também dependente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Dependente, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: A inteligência – coloquemos claramente – não pode ser dependente de condições para sua validade. No entanto, parece que, de certa maneira, ela não opera se o cérebro não estiver saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Nesse aspecto, a inteligência parece depender do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ou seria a inteligência a quietude do cérebro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Tudo bem, ela depende da quietude do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não da atividade do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Ainda há alguma relação entre a inteligência e o cérebro. Nós, certa vez, discutimos essa questão, há muitos anos atrás, quando eu mencionei a idéia de que, na física, poder-se-ia utilizar um instrumento de medição de duas formas, a positiva e a negativa. Por exemplo, pode-se medir uma corrente elétrica pela oscilação da agulha no instrumento, ou pode-se usar o mesmo instrumento naquilo que é chamado de ponte Wheatstone, onde a leitura pela qual se procura é uma leitura nula; uma leitura nula indica harmonia, equilíbrio entre os dois lados do sistema como um todo. Então, caso se esteja utilizando o instrumento negativamente, então seu não-movimento é o sinal de que está funcionando adequadamente. Poderíamos dizer que o cérebro pode ter usado o pensamento positivamente para fazer uma imagem do mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: ... o que é uma função do pensamento – uma das funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: A outra função do pensamento é negativa, que é, através de seu movimento, indicar desarmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, desarmonia. Prossigamos daqui. É a inteligência dependente do cérebro – chegamos a esse ponto? Ou quando usamos a palavra “dependente” o que queremos dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Ela tem muitos significados possíveis. Pode ser simples dependência mecânica. Mas há um outro tipo: que um não pode existir sem o outro. Se eu digo “Eu dependo de comida para existir”, isso não significa que tudo que penso é determinado pelo que eu como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então eu proponho que a inteligência depende, para sua existência, desse cérebro, que pode indicar desarmonia, mas o cérebro não tem nada a ver com o conteúdo da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então, se o cérebro não estiver harmonioso, a inteligência pode funcionar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Essa é a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso é o que estamos dizendo. Ela não pode funcionar se o cérebro estiver ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Se a inteligência não funciona, há inteligência? Portanto, parece que a inteligência requer o cérebro para que exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas o cérebro é apenas um instrumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Que indica harmonia ou desarmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas não é o criador da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Entremos nisso devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: O cérebro não cria a inteligência, mas é um instrumento que auxilia a inteligência a funcionar. É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É isso. Agora se o cérebro estiver funcionando dentro do campo do tempo, para cima e para baixo, negativamente, positivamente, pode a inteligência operar nesse movimento de tempo? Ou deve esse instrumento estar quieto para que a inteligência possa operar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Eu colocaria isso de forma levemente diferente. A quietude do instrumento é a operação a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, isso está correto. Os dois não estão separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eles são um e o mesmo. A não-quietude do instrumento é a falha da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas acho que seria útil retornar a questões que tendem a ser levantadas no todo do pensamento científico e filosófico. Nós faríamos a pergunta: há algum sentido no qual a inteligência exista independentemente da matéria? Você vê que algumas pessoas têm achado que pensamento e matéria têm alguma espécie de existência separada. Essa é uma questão que vem à tona. Pode não ser relevante, mas acho que deveria ser considerada para auxiliar a tornar a mente quieta. Considerar questões que não podem ser claramente respondidas é uma das coisas que perturba a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas veja, senhor, quando você diz “auxiliar a mente a se tornar quieta”, o pensamento vai ajudar no despertar da inteligência? É este o significado da frase, não? Pensamento e matéria e o exercício do pensamento e o movimento do pensamento, ou o pensamento dizendo a si mesmo “Ficarei quieto com o fim de auxiliar o despertar da inteligência”. Qualquer movimento do pensamento é tempo, qualquer movimento, porque o pensamento é mensurável, está funcionando positivamente ou negativamente, harmoniosamente ou desarmoniosamente, neste campo. E compreendendo isso, o pensamento pode dizer inconscientemente, de modo desapercebido, que “Ficarei quieto para conseguir isto ou aquilo”, então isto está ainda dentro do campo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Ele está ainda projetando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento está projetando a coisa para capturá-la. Então como a inteligência tem lugar – não como – quando ela desperta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Uma vez mais a questão está no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É por isso que não quero usar as palavras “quando”, “como”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você deveria talvez dizer que a condição para o despertar da inteligência é a inoperância do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas, como o despertar da inteligência, essa inoperância não é apenas a condição. Não se pode nem mesmo perguntar se há condições para a inteligência despertar. Até mesmo falar sobre uma condição é uma forma de pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Concordemos que qualquer movimento do pensamento, em qualquer direção, vertical, horizontal, em ação ou inação, está ainda dentro do tempo – qualquer movimento do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então qual é a relação do movimento com essa inteligência que não é um movimento, que não é do tempo, que não é o produto do pensamento? Onde os dois podem se encontrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eles não se encontram. Mas ainda assim há uma relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso é o que estamos tentando descobrir. Há qualquer relação, em primeiro lugar? Pensa-se que haja uma relação, espera-se que haja uma relação, projeta-se uma relação. Há uma relação, de todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso depende do que você quer dizer com relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Relação: estar em contato com, reconhecimento, um sentimento de estar tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, a palavra relação deve significar algo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Que outro significado tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Por exemplo, há o paralelo, não há? A harmonia entre duas coisas. Isso é, duas coisas podem estar em relação sem contato, mas por estarem simplesmente em harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Harmonia significa um movimento das duas numa mesma direção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Deve significar também, em certo sentido, continuar na mesma ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Na mesma ordem: mesma direção, mesma profundidade, mesma intensidade – tudo isso é harmonia. Mas pode o pensamento sequer ser harmônico? – pensamento como movimento, não pensamento estático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Entendo. Há aquele pensamento que se abstrai como estático, na geometria, digamos, que pode ter alguma harmonia; mas o pensamento, como realmente se move, é sempre contraditório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Portanto ele não tem harmonia em si mesmo. Mas a inteligência tem harmonia em si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Acho que vejo a fonte da confusão. Nós temos os produtos estáticos do pensamento que parecem ter uma certa harmonia relativa. Mas essa harmonia é realmente o resultado da inteligência, ao menos me parece. Na matemática, podemos obter uma certa harmonia relativa do produto do pensamento, ainda que o real movimento de pensamento do matemático não esteja necessariamente em harmonia, geralmente não estará em harmonia. Agora, essa harmonia que aparece na matemática é o resultado da inteligência, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Prossiga, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não é harmonia perfeita porque tem sido provado que toda forma de matemática tem algum limite; por isso chamo isso de uma harmonia apenas relativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Agora, no movimento do pensamento há harmonia? Se há, então ele tem relação com a inteligência. Se não há harmonia, mas contradições e todo o resto, então o pensamento não tem relação com a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então você diria que poderíamos funcionar inteiramente sem pensamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu colocaria isso de outra forma. A inteligência usa o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Tudo bem. Mas como ela pode utilizar algo que está desarmonioso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Expressão, comunicação, usando o pensamento que é contraditório, que não é harmonioso, para criar coisas no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas ainda assim deve haver harmonia em algum outro aspecto, naquilo que é feito com o pensamento, no que acabamos de descrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Vamos vagarosamente. Podemos primeiro pôr em palavras, negativamente ou positivamente, o que é inteligência, o que não é inteligência? Ou isso é impossível porque as palavras são pensamento, tempo, medida e etc.?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não podemos pôr em palavras. Estamos tentando apontar. Podemos dizer que o pensamento pode funcionar como um ponteiro para a inteligência, e então sua contradição não importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso está correto. Isso está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Porque não estamos utilizando o pensamento por seu conteúdo, ou seu significado, mas, em vez disso, como um ponteiro que aponta para além do domínio do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então o pensamento é um ponteiro. O conteúdo é a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: O conteúdo para o qual o pensamento aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Podemos dispor a coisa de modo inteiramente diferente? Podemos dizer, o pensamento é estéril?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Quando se move por si mesmo, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Que é mecânico e todo o resto. O pensamento é um ponteiro, mas sem inteligência o ponteiro não tem valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Poderíamos dizer que a inteligência lê o ponteiro? Se não tiver ninguém para lê-lo, então o ponteiro não aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: De fato. Então a inteligência é necessária. Sem ela, o pensamento não tem significado, de todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas agora poderíamos dizer que se o pensamento não é inteligente ele aponta de um modo muito confuso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, de um modo irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Irrelevante, sem significado e etc. Então com inteligência ele começa a apontar de uma outro modo. Mas então de alguma forma pensamento e inteligência parecem se fundir numa função comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Então podemos perguntar: o que é ação relacionada à inteligência? Certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O que é ação em relação com a inteligência, e, na execução dessa ação, o pensamento é necessário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim; bem, o pensamento é necessário e esse pensamento aponta obviamente em direção à matéria. Mas parece apontar nos dois sentidos – para trás, em direção à inteligência, também. Uma das questões que sempre vêm à tona é: deveríamos dizer que inteligência e matéria são meramente uma distinção dentro da mesma coisa, ou elas são diferentes? Estão realmente separadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu acho que estão separadas, são distintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: São distintas, mas estão realmente separadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O que você quer dizer por “separadas”? Não relacionadas, não conectadas, sem uma fonte comum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Elas têm uma fonte comum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Esse é o ponto. Pensamento, matéria e inteligência, têm eles uma fonte comum? (longa pausa) Acho que têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: De outra maneira, não poderia haver harmonia, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas veja, o pensamento tem dominado o mundo. Você entende? – dominado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Domina o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento, o intelecto, domina o mundo. E portanto a inteligência tem um lugar muito pequeno aqui. Quando uma coisa domina, a outra tem de ser subserviente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Pergunta-se, não sei se é relevante, como isso veio a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso é extremamente simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: O que você diria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento tem que ter segurança; está procurando por segurança em todo o seu movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas a inteligência não está buscando segurança. Ela não tem segurança. A idéia de segurança não existe na inteligência. Ela por si mesma é segura, e não “busca segurança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, mas como aconteceu de a inteligência permitir que fosse dominada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ó, isso está muito claro. Prazer, conforto, segurança física, primeiro de tudo segurança física: segurança no relacionamento, segurança na ação, segurança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas isso é a ilusão da segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ilusão de segurança, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você diria que o pensamento escapou do controle e deixou de permitir que a inteligência o mantivesse em um estado ordenado, ou pelo menos que deixou de estar em harmonia com ela, e começou a mover-se por conta própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Por conta própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Buscando segurança e prazer e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Como estávamos dizendo outro dia em nossa conversa, todo o mundo ocidental é baseado na medida; e o mundo oriental tentou ir além dela. Mas eles utilizaram o pensamento para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Tentaram, de qualquer forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Tentaram ir além da medida pelo exercício do pensamento; portanto, foram capturados no pensamento. Agora, segurança, segurança física, é necessária e portanto a existência física, os prazeres físicos, o bem-estar físico se tornou tremendamente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, estava pensando um pouco sobre isso. Se você retroceder até o animal, então há a resposta instintiva em direção ao prazer e à segurança: isso estaria correto. Mas agora, quando o pensamento entra, pode ofuscar o instinto e produzir toda sorte de glamour, mais prazer, mais segurança. E os instintos não são inteligentes o suficiente para lidar com a complexidade do pensamento, portanto o pensamento cai no erro, porque excitou os instintos e eles demandam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então o pensamento realmente criou um mundo de ilusão, miasma, confusão, e pôs a inteligência de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, como dissemos antes, isso tornou o cérebro muito caótico e barulhento e a inteligência é o silêncio do cérebro; portanto, o cérebro barulhento não é inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O cérebro barulhento não é inteligente, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, isso explica mais ou menos a origem da coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Nós estamos tentando descobrir qual a relação, na ação, entre o pensamento e a inteligência. Tudo é ação ou inação. E qual a relação disso com a inteligência? O pensamento realmente produz ação caótica, ação fragmentária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Quando não é comandado pela inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E não é, no modo como nós todos vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isto se deve ao que acabamos de dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isto é atividade fragmentada; não é uma atividade de uma totalidade. A ação da totalidade é inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: A inteligência também tem de entender a atividade do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, nós dissemos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Agora você diria que, quando a inteligência compreende a atividade do pensamento, o pensamento é diferente em sua operação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, obviamente. Isso é, se o pensamento criou o nacionalismo como meio de segurança e então vê a falácia disso, o ver a falácia disso é inteligência. O pensamento então cria um tipo de mundo diferente, no qual o nacionalismo não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E nem divisão, guerra, conflito e todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso está bem claro. A inteligência vê a falsidade do que está acontecendo. Quando o pensamento está livre desta falsidade, é diferente. Então ele começa a ser um paralelo para a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso é, ele começa a levar as implicações da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Portanto o pensamento tem um lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso é muito interessante porque o pensamento nunca é de fato controlado ou dominado pela inteligência, mas sempre se move por conta própria. Mas à luz da inteligência, quando a falsidade é vista, então o pensamento se move paralelamente ou em harmonia com a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas nunca há nada que force o pensamento a fazer o que quer que seja. Isso sugeriria que a inteligência e o pensamento têm essa origem ou substância comum, e que são duas formas de chamar a atenção para um todo maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Pode-se ver como politicamente, religiosamente, psicologicamente, o pensamento tem criado um mundo de tremenda contradição, fragmentação, e a inteligência que é o produto dessa confusão então tenta trazer ordem à confusão. Não é aquela inteligência que vê a falsidade disso tudo. Não sei se estou me fazendo entender. Você vê, pode-se ser terrivelmente inteligente, ainda que se seja caótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, em alguns aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso é o que está acontecendo no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas eu suponho que seja difícil de entender isso nesse momento. Poder-se-ia dizer que numa esfera limitada parece que a inteligência é capaz de operar, mas, fora dela, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Nós estamos, afinal, preocupados com o viver, não com teorias. Está-se preocupado com uma vida em que a inteligência opere. Inteligência que não pertence ao tempo, que não pertence à medida, que não é o produto ou o movimento do pensamento, ou da ordem do pensamento. Agora um ser humano quer viver um tipo diferente de vida. Ele está dominado pelo pensamento, seu pensamento está sempre funcionando na medição, na comparação, no conflito. Ele pergunta “Como posso tornar-me livre de tudo isso com o fim de ser inteligente?”, “Como pode o ‘eu’, como posso ‘eu’ ser o instrumento dessa inteligência?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Obviamente, isso não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Exatamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Porque esse pensamento no tempo é a essência da não-inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas está-se pensando nesses termos todo o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Isso é o pensamento projetando algum tipo de fantasia do que seja inteligência, e tentando alcançar essa fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Portanto eu diria que o pensamento deve estar completamente quieto para o despertar da inteligência. Não pode haver um movimento de pensamento e ocorrer o despertar da inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso está claro em um nível. Consideramos o pensamento como sendo realmente mecânico e isso pode ser percebido num nível – mas o mecanismo ainda continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Continua, sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: ... através dos instintos, prazer, medo e etc. A inteligência tem de vir para segurar essa questão dos prazeres, medos, desejos, que fazem o pensamento continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E você vê, há sempre uma armadilha: isso é apenas nosso conceito ou imagem da questão, que é parcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então, como ser humano, eu ficaria preocupado apenas com essa questão central. Eu sei o quão confusa, contraditória, desarmoniosa a vida está. É possível modificar isso de modo que a inteligência possa funcionar em minha vida, de modo que eu possa viver sem desarmonia, de modo que o ponteiro, a direção seja guiada pela inteligência? Esse talvez seja o porquê de as pessoas religiosas, em vez de utilizarem a palavra inteligência, terem utilizado a palavra Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Qual a vantagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não sei qual é a vantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas por que utilizar tal palavra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ela veio do medo primitivo, medo da natureza, e, gradualmente, a partir disso, cresceu a idéia de que há um pai superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas isso ainda é o pensamento funcionando por si mesmo, sem inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É claro. Estou apenas relembrando. Dizem confie em Deus, tenha fé em Deus, e então Deus operará através de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Deus é talvez uma metáfora para inteligência – mas as pessoas geralmente não tomam isso como uma metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Claro que não, é uma imagem terrificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Poder-se-ia dizer que, se Deus significa aquilo que é imensurável, que está além do pensamento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: ...e inominável, imensurável, portanto não tem uma imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então vai operar dentro do mensurável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. O que estou tentando transmitir é que o desejo por essa inteligência, através do tempo, tem criado a imagem de Deus. E através da imagem de Deus, Jesus, Krishna, ou quem quer que seja, tendo fé nisso – o que ainda é o movimento do pensamento – espera-se que haja harmonia na própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E essa espécie de imagem, porque é tão total, produz um desejo, uma urgência sobrepujante; isto é, que sobrepuja a racionalidade ... tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Você ouviu, outro dia, o que os arcebispos e bispos estavam dizendo, que apenas Jesus importa, nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas esse é o mesmo movimento pelo qual o prazer sobrepuja a racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O medo e o prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eles sobrepujam; nenhuma proporção pode ser estabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, o que estou tentando dizer é: você vê, o mundo inteiro está condicionado dessa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, mas a questão é aquilo a que você aludiu: o que é esse mundo que está condicionado dessa forma? Se tomarmos esse mundo como existente independentemente do pensamento, então caímos na mesma armadilha de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É claro, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso é, o mundo condicional inteiro é o resultado desse modo de pensar, é tanto a causa quanto o efeito desse modo de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E essa forma de pensar é desarmonia e caos e não-inteligência e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu estava ouvindo a Conferência do Partido Trabalhista em Blackpool – quão espertos, alguns deles muito sérios, bilíngües e tudo o mais, pensando em termos de Partido Trabalhista e Partido Conservador. Eles não dizem “Juntemo-nos e vejamos o que é o melhor para os seres humanos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eles não são capazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso mesmo, mas eles estão exercitando sua inteligência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, naquele padrão limitado. Isso é o que tem sido sempre nosso problema; as pessoas têm desenvolvido tecnologia e outras coisas em termos de alguma inteligência limitada, que está servindo a propósitos altamente não-inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Por milhares de anos isso tem prosseguido. Então, é claro, as reações surgem: os problemas são muito grandes, muito vastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas isso é realmente muito simples, extraordinariamente simples, esse sentido de harmonia. Porque é simples, pode funcionar no mais complexo campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Regressemos. Dissemos que a fonte do pensamento e da inteligência é comum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, chegamos até aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O que é essa fonte? Ela é geralmente atribuída a algum conceito filosófico, ou dizem que essa fonte é Deus – eu estou apenas usando essa palavra por ora – ou Brahman. Essa fonte é comum, é o movimento central que divide a si mesmo em matéria e inteligência. Mas isto é apenas uma asserção verbal, é apenas uma idéia, que ainda é pensamento. Não se pode encontrar isso pelo pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso levanta a questão: se você encontra isso, então o que é “você”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: “Você” não existe. “Você” não pode existir quando você está perguntando qual é a fonte. “Você” é tempo, movimento, condicionamento ambiental – você é tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Nessa questão, o todo dessa divisão é posto de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Absolutamente. Esse é o ponto, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Não há tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E ainda assim continuamos dizendo “Eu não exercitarei o pensamento”. Quando o “eu” entra, isso significa divisão: então, entendendo o todo disso – sobre o que estivemos conversando – eu elimino o “eu”, inteiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas isso soa como uma contradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu sei. Eu não posso eliminá-lo. Isso acontece. Então o que é a fonte? Ela pode sequer ser nomeada? Por exemplo, o sentimento religioso dos judeus é que isso é inominável: você não nomeia, não pode falar a respeito, não pode tocar. Pode-se apenas olhar. E os hindus e outros dizem a mesma coisa de um modo diferente. Os cristãos iludiram a si mesmos pela palavra Jesus, essa imagem, eles nunca foram à fonte disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Essa é uma questão complexa; pode ser que eles estivessem tentando sintetizar muitas filosofias, hebraica, grega e oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Agora eu quero chegar a isto: o que é a fonte? Pode o pensamento encontrá-la? E ainda assim o pensamento nasceu dessa fonte; e a inteligência também. São como dois fluxos se movendo em direções diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você diria que a matéria também nasce dessa fonte, de modo mais geral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eu quero dizer todo o universo. Mas então a fonte está além do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É claro. Podemos colocar desse modo? O pensamento é energia, assim como a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Assim como a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Pensamento, matéria, o mecânico, é energia. Inteligência também é energia. O pensamento está confuso, poluído, dividindo a si mesmo, fragmentando a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, ele é múltiplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E a inteligência não. Não está poluída. Não pode dividir a si mesma como “minha inteligência” e “sua inteligência”. Ela é inteligência, não é divisível. Agora ela brotou de uma fonte de energia que dividiu a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Por que ela se dividiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Por razões físicas, por conforto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Para manter a existência física. Então uma parte da inteligência foi modificada de um modo que pudesse auxiliar a manter a existência física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso se desenvolveu de uma certa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E prosseguiu dessa maneira. Os dois são energia. Há apenas uma energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, eles são diferentes formas de energia. Há muitas analogias para isso, embora numa escala muito mais limitada. Na física, poder-se-ia dizer que a luz é ordinariamente um movimento de onda muito complexo, mas, no laser, pode-se fazer com que se mova toda junta, num modo muito simples e harmônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Eu estive lendo sobre o laser. Que coisas monstruosas irão fazer com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, utilizando-o destrutivamente. O pensamento pode obter coisas boas mas então elas sempre são utilizadas de um modo mais bruto que é destrutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Então há apenas energia, que é a fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você diria que a energia é um tipo de movimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não, ela é energia. No momento em que se torna movimento, cai nesse campo do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Nós temos de tornar mais clara essa noção de energia. Eu pesquisei essa palavra também. Você vê, ela está baseada na noção de trabalho; energia significa “trabalhar internamente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Trabalhar internamente, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas agora você diz que há uma energia que funciona, mas sem movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Eu estava pensando sobre isso ontem – não pensando – eu compreendi que a fonte está lá, incontaminada, não-movimento, intocada pelo pensamento, está lá. A partir dela, esses dois nasceram. Por que nasceram, de todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Um era necessário à sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso é tudo. Na sobrevivência, a fonte – em sua totalidade, em sua completude – foi negada, ou posta de lado. Aquilo a que estou tentando chegar é isso, senhor. Eu quero descobrir, como um ser humano vivendo nesse mundo com todo caos e sofrimento, pode a mente humana tocar essa fonte na qual as duas divisões não existem? – e, por haver tocado essa fonte, que não tem divisões, pode essa mente operar sem o senso de divisão? Não sei se estou conseguindo transmitir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas como é possível à mente humana não tocar a fonte? Por que ela não toca a fonte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Porque somos consumidos pelo pensamento, pela esperteza do pensamento, pelo movimento do pensamento. Todos os seus deuses, suas meditações – tudo é pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim. Acho que isso nos traz à questão de vida e morte. Isso se relaciona à sobrevivência; porque essa é uma das coisas que entram no caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: O pensamento e seu campo de segurança, seu desejo por segurança, criou a morte como algo separado dele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, esse pode ser o ponto-chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Pode-se olhar para isso dessa forma. O pensamento construiu a si mesmo como um instrumento para a sobrevivência. Agora no entanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: ...ele criou a imortalidade em Jesus, ou nisso ou naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: O pensamento não pode possivelmente contemplar sua própria morte. Então, se tenta fazê-lo, sempre projeta algo mais, algum outro ponto de vista mais amplo a partir do qual parece estar observando a morte. Se qualquer um tenta imaginar que está morto, então está ainda imaginando que está vivo e olhando a si mesmo como morto. Pode-se sempre complicar isso em toda espécie de noção religiosa; mas parece ser inerente ao pensamento a impossibilidade de considerar a morte apropriadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ele não pode. Isto significa terminar a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso é muito interessante. Suponha que consideramos a morte do corpo, que vemos de fora; o organismo morre, perde sua energia e portanto desfalece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É que o corpo é o instrumento da energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então digamos que a energia cesse de imbuir o corpo e portanto o corpo não possua mais qualquer inteireza. Poder-se-ia dizer o mesmo com o pensamento; a energia de determinadas maneiras segue para o pensamento, assim como para o corpo – é assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você e outras pessoas têm freqüentemente usado a frase: “A mente morre para todo pensamento.”. Essa forma de colocação induz à confusão num primeiro momento, porque se acharia que o pensamento é que deveria morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: De fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas agora você está dizendo que é a mente que morre, ou a energia que morre para o pensamento. O mais próximo que posso chegar do significado disso é que quando o pensamento está trabalhando, está investido com uma certa energia pela mente ou pela inteligência; e quando o pensamento não é mais relevante, então a energia se vai e o pensamento é como um organismo morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Está correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Agora é muito difícil para a mente aceitar isso. A comparação entre pensamento e organismo parece tão pobre, porque o pensamento não é substancial e o organismo é. Então a morte do organismo aparenta ser algo muito mais significante do que a morte do pensamento. Agora esse é um ponto que não está claro. Você diria que na morte do pensamento nós temos a essência da morte do organismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Embora essa morte esteja numa escala menor, como de fato está, é da mesma natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Como dissemos, há energia nos dois, e o pensamento em seu movimento é dessa energia, e o pensamento não pode ver a si mesmo morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Ele não tem meio de imaginar, projetar, ou conceber sua própria morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Portanto, ele foge da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, ele provê a si mesmo a ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Ilusão, é claro. E ele criou a ilusão da imortalidade ou um estado além da morte, uma projeção de seu próprio desejo por continuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Bem, essa é uma coisa, que o pensamento pode ter começado por desejar a continuidade do organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, está correto, e então foi além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Foi além disso, para desejar sua própria continuidade. Esse foi o engano, foi aí que ele errou. Encarou a si mesmo como uma extensão, não meramente uma extensão, mas a essência do organismo. Primeiro o pensamento está funcionando meramente no organismo e então começa e ver a si mesmo como a essência do organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Então o pensamento começa a desejar sua própria imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E o pensamento sabe, está muito bem consciente de que não é imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Ele sabe disso apenas de fora, no entanto. Quero dizer, ele sabe disso como um fato externo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Portanto cria a imortalidade em figuras, imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu ouço tudo isso como alguém que está de fora e digo a mim mesmo “Isto é perfeitamente verdadeiro, tão claro, lógico, são; nós vemos isso bem claramente, tanto psicológica quanto fisicamente.” Agora minha questão, observando tudo isso, é: pode a mente manter a pureza da fonte original? A imaculada clareza original daquela energia que não é tocada pela corrupção do pensamento? Não sei se estou expondo claramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: A questão está clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Pode a mente fazer isso? Pode a mente sequer descobrir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: O que é a mente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: A mente, como nós dizemos agora, ou organismo, o pensamento, o cérebro com todas as suas memórias, experiências e tudo isso, que é tudo do tempo. E a mente diz “Posso chegar a isso?”. Ela não pode. Então eu digo a mim mesmo “Como ela não pode, ficarei quieto.”. Você vê os truques que ela tem pregado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu aprenderei como estar quieto; aprenderei como meditar com o objetivo de ficar quieto. Eu vejo a importância de se ter uma mente que seja livre do tempo, livre do mecanismo do pensamento, eu a controlarei, a subjugarei, expulsarei o pensamento. Mas isto ainda é operação do pensamento. Isso está muito claro. Então o que ela deve fazer? Porque um ser humano vive nessa desarmonia, ele deve questionar isso. E isso é o que estamos fazendo. Como começamos a questionar isso, ou no questionar, chegamos a essa fonte. É ela uma percepção, um insight, e esse insight não tem nada, coisa alguma a ver com o pensamento? É o insight o resultado do pensamento? A conclusão de um insight é pensamento, mas o insight propriamente não é pensamento. Assim, eu obtive uma chave para isso. Então o que é insight? Posso convidá-lo, cultivá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você não pode fazer nenhuma dessas coisas. Mas há um tipo de energia que é necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Exatamente. Eu não posso fazer nenhuma daquelas coisas. Quando eu cultivo o insight, isso é desejo. Quando digo que vou fazer isto ou aquilo, é o mesmo. Então o insight não é o produto do pensamento. Não está na ordem do pensamento. Agora, como se chega até esse insight? (Pausa) Nós já chegamos a ele por havermos negado tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, ele está lá. Você não pode nunca responder àquela questão de como você chega até qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não. Eu acho que isto está muito claro, senhor. Você chega até o insight quando você vê toda a coisa. Então o insight é a percepção do todo. Um fragmento não pode ver isso, mas o “eu” vê os fragmentos, e o “eu” vendo os fragmentos vê o todo, e a qualidade de uma mente que vê o todo não é tocada pelo pensamento; portanto há percepção, há insight.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Talvez devamos ir mais devagar a esse respeito. Nós vemos todos os fragmentos: poderíamos dizer que a energia, a atividade real que vê esses fragmentos é inteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Nós nem sequer fazemos esforço para ver o todo porque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: ...nós somos educados – e todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas eu quero dizer, nós de qualquer forma não veríamos o todo como alguma coisa. Em vez disso, a totalidade é a liberdade de ver todos os fragmentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso está correto. Liberdade para ver. A liberdade não existe quando há fragmentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Isso cria um paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: É claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Mas o todo não começa a partir dos fragmentos. Uma vez que o todo opera, não há fragmentos. Então o paradoxo surge da suposição de que os fragmentos são reais, de que eles existem independentemente do pensamento. Então você diria, eu suponho, que os fragmentos existem comigo em meus pensamentos, e então eu devo de alguma forma fazer alguma coisa com relação a eles – o que seria um paradoxo. O todo começa pelo insight de que esses fragmentos são, de certa maneira, nada. É assim que isso parece ser, para mim. Eles não são substanciais. São muito insubstanciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Insubstanciais, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: E portanto eles não impedem a totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Com efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Você vê, uma das coisas que freqüentemente causa confusão é isso, quando você põe os fragmentos em termos de pensamento, parece que você está diante dos fragmentos, que são reais, realidade substancial. Então você tem de vê-los, e no entanto, você diz, enquanto os fragmentos existam, não há totalidade, de modo que você não pode vê-los. Mas tudo isso retorna para a coisa, a fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu estou certo, senhor, pessoas realmente sérias têm feito essa pergunta. Eles a têm feito e têm tentado encontrar uma resposta através do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, bem, isso parece natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: E eles nunca perceberam que foram pegos no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Esse é sempre o problema. Todo mundo se depara com esse problema: parece que se está olhando para qualquer coisa, para seus próprios problemas, dizendo “Esses são meus problemas, eu estou olhando.”. Mas esse olhar é apenas pensar, mas é confundido com olhar. Essa é uma das confusões que surgem. Se você diz “não pense, apenas olhe” a pessoa sente que já está olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: De fato. Então você vê, essa questão surgiu e eles dizem “Tudo bem, então eu devo controlar o pensamento, subjugar o pensamento e devo tornar minha mente quieta de modo que ela se torne inteira, então eu poderei ver as partes, todos os fragmentos, então eu tocarei a fonte.”. Mas isso ainda é a operação do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim, isso significa que a operação do pensamento é inconsciente para a maioria e portanto a pessoa não sabe quando ela está acontecendo. Nós podemos dizer que conscientemente compreendemos que tudo isso tem de ser modificado, tem de ser diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Mas isso ainda está ocorrendo inconscientemente. Então você pode falar ao meu inconsciente, sabendo que meu cérebro consciente vai resistir a você? Porque você está me contando algo que é revolucionário, você está me dizendo algo que abala toda a minha casa que eu construí com tanto esmero, e eu não lhe darei ouvidos – você entendeu? Em minhas reações instintivas eu o afasto. Então você compreende isso e diz “Veja, tudo bem, velho amigo, apenas não se preocupe em me dar ouvidos. Eu vou falar ao seu inconsciente. Eu vou falar ao seu inconsciente e fazer com que ele veja que qualquer movimento que faça está ainda dentro do campo do tempo e etc.”. Assim, sua mente consciente nunca está em operação. Quando ela opera, deve inevitavelmente resistir também, ou dizer “Eu vou aceitar”; portanto ela cria um conflito nela mesma. Então, você pode falar ao meu inconsciente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Pode-se sempre perguntar como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Não, não. Você pode dizer a um amigo “Não resista, não pense sobre isso, mas eu vou falar com você.”. “Nós dois estamos nos comunicando um com outro sem que a mente consciente ouça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Eu acho que isso é o que realmente ocorre. Quando você estava falando comigo – eu estive percebendo – eu não estava escutando muito suas palavras. Eu estava escutando você. Eu estava aberto a você, não a suas palavras, o que você explicou e etc. Eu disse a mim mesmo, tudo bem, abandone tudo isso, eu estou ouvindo você, não as palavras que você usa, mas o significado, a qualidade interior do seu sentimento que você queria me comunicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Eu entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Isso me modifica, não toda essa verbalização. Então você pode falar comigo sobre minhas idiotices, minha ilusões, minhas tendências peculiares, sem a mente consciente interferindo e dizendo “Por favor, não toque em tudo isso, deixe-me sozinho!”. Tentaram propaganda subliminar em anúncios, de modo que você não estaria prestando verdadeira atenção, seu inconsciente estaria, então você compraria aquela sopa em particular! Não estamos fazendo isso, o que seria mortal. O que estou dizendo é: não me escute com seus ouvidos conscientes, mas escute-me com os ouvidos que ouvem muito mais fundo. Essa é a forma com que eu ouvi você esta manhã, porque eu estou terrivelmente interessado na fonte, como você está. Você entendeu, senhor? Eu estou realmente interessado naquela coisa única. Tudo isso é o explicável, facilmente entendido – mas chegar junto àquela coisa, senti-la próxima! Você entendeu? Eu acho que esse é o modo de quebrar um condicionamento, um hábito, uma imagem que tem sido cultivada. Você fala sobre isso num nível em que a mente consciente não está totalmente interessada. Isso soa tolo, mas você entende o que quero dizer? Digamos, por exemplo que eu tenho um condicionamento; você pode apontá-lo dúzias de vezes, argumentar, mostrar a falácia dele, a estupidez – mas eu ainda continuo. Eu resisto, eu digo o que deveria ser, o que eu, na realidade, deveria fazer nesse mundo, e todo o resto. Mas você vê a verdade, que enquanto a mente está condicionada haverá conflito. Então você penetra ou empurra minha resistência para o lado e chega ao inconsciente, faz com que ele ouça você, porque o inconsciente é muito mais sutil, muito mais rápido. Ele pode estar assustado, mas vê o perigo do medo muito mais rápido do que a mente consciente o faz. Como quando eu estava caminhando na Califórnia no alto das montanhas: eu estava olhando para os pássaros e árvores e observando, e ouvi uma serpente e saltei. Foi o inconsciente que fez o corpo pular; eu vi a serpente quando saltei, estava a dois ou três pés de mim, poderia ter me picado muito facilmente. Se o cérebro consciente estivesse operando, levaria vários segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bohm: Para alcançar o inconsciente você tem de ter uma ação que não apele diretamente ao consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti: Sim. Isso é afeição, isso é amor. Quando você fala à minha consciência desperta, ela é dura, esperta, sutil, aguda. E você a penetra, penetra-a com seu ver, com sua afeição, com todo o sentimento que tem. Isso opera, nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brockwood Park&lt;br /&gt;7 de Outubro de 1972&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. David Bohm, Professor de Física Teórica no Birbeck College, Universidade de Londres; autor de Causalidade &amp; Chance na Física moderna, Teoria Quântica, e A Teoria da Relatividade Especial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7662823104817868935?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7662823104817868935/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7662823104817868935' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7662823104817868935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7662823104817868935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/08/da-inteligencia.html' title='DA INTELIGÊNCIA'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3105795428696203078</id><published>2009-07-26T11:42:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T11:58:51.463-07:00</updated><title type='text'>Adeus.</title><content type='html'>Eu já escrevi tanta merda neste blog, tanta coisa que já pertence ao passado, que não pertence mais a mim. &lt;br /&gt;Hoje é um novo dia. Agora é só o que existe. Não há motivos pra manter algo que já foi, que passou, e que não acrescentou nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há do que se arrepender. Passou, passou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas manter um blog diário é algo como manter o vício de cagar e olhar o coco depois. Conheço gente que se esconde de si mesmo em coisas como essa. Conheço gente que mente pra si mesmo, e se refugia nas suas mentiras. Passa a acreditar nelas, e não pode ver mais nada na frente. &lt;br /&gt;Mentiras podem ser bonitas, como são os castelos de areia. Eu quero a verdade, e o que está escrito aqui está longe disso. Portanto, uma poluição a menos no mundo. Retiro meu blog do ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos que conheci aqui, meus votos de coragem para busca da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3105795428696203078?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3105795428696203078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3105795428696203078' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3105795428696203078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3105795428696203078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/07/adeus.html' title='Adeus.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2426849286327054924</id><published>2009-07-24T17:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T19:34:31.088-07:00</updated><title type='text'>Um Duro.</title><content type='html'>Tem certas coisas que não sabemos de nós, ou não queremos saber, até que nos digam sem querer. &lt;br /&gt;E magoa. &lt;br /&gt;Descobri que aos olhos dos outros, sou um "duro". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devia, mas isso arranhou muito a minha auto-estima. &lt;br /&gt;Não devia, porque até então eu achava que esta era uma questão sem a menor importância para minha auto-imagem. Tolinho. &lt;br /&gt;To agora todo magoadinho, como se tivessem acertado no alvo, meu  patético-cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saco cheio viu? &lt;br /&gt;Não devia, mas estou. &lt;br /&gt;Minha imagem... Como me importa a minha auto-imagem, o que represento pra mim, e pro mundo. Tolinho, quanto mais quero matar meu ego, mas ele se fortalece. &lt;br /&gt;Saco cheio, mesmo. &lt;br /&gt;Não devia... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este mundo que eu vivo. Tolinho. &lt;br /&gt;Vamos nos arrastar juntos então. Eu caio, tu cais, todos caímos. (Vou falar em código, pra CIA não descobrir).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois velhos jantavam ao meu lado. Trinta anos a mais que eu. Sempre estou fazendo contas. Quanto tempo me resta? Fico fazendo várias perguntas, de tolinho.&lt;br /&gt;Vou acabar assim? &lt;br /&gt;As vezes tenho vontade de morrer jóvem, pra, ao menos, ser um defunto bonito. A vaidade, não fui eu quem inventou.&lt;br /&gt;Imagino como vou acabar. Vejo como acabam, e penso que,  com sorte, acabarei igual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saco, viu? Cada vez mais sozinho, menos tolerante, mais amargo, mais dôce, mais feliz, mais infeliz, mais tolo, mais sábio... Saco, viu? provavelmente vai acabar como já é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho essa doença degenerativa chamada vida. Peguei quando nasci vivo. Tá na lei, nascer vivo. Não fui eu quem inventou. &lt;br /&gt;A propósito, nunca inventei nada. Já tava tudo ai antes de eu nascer vivo, a culpa não é minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nos afastamos uns dos outros... &lt;br /&gt;...É pelo mesmo motivo que gostaríamos de nos afastar da gente mesmo. Saco, viu?&lt;br /&gt;Passei a vida justificando meus erros, minhas falhas e culpas e me culpei também por isso. Imerso em culpas, como se tivesse que assumir a responsabilidade do mundo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi o ano mesmo em que eu fiquei? &lt;br /&gt;Houve um ano, quase que sinto. Quase que me recordo do fato, do momento em que morri.&lt;br /&gt;Pode que seja mesmo o dia do meu aniversário...&lt;br /&gt;Não serei cidadão? Terei nascido morto? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou morrer durinho, como todo mundo. &lt;br /&gt;Não inventei nada. Nem essa dor que estou sentindo, nem mesmo essas palavras. &lt;br /&gt;Nem esse sentimento misturado, essa vontade de ir e ficar ao mesmo tempo. A esperança no dia de amanhã, nem o esquecimento. Não inventei o band-aid skateboard. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não inventei a oscilação de humor, o fracasso, a auto-imagem, e nem mesmo as feridas. Não inventei muito menos filosofar e se queixar sem chegar a conclusão alguma. Tava tudo ai, já, antes mesmo de eu aparecer por aqui. E continuará, quando eu me for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2426849286327054924?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2426849286327054924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2426849286327054924' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2426849286327054924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2426849286327054924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/07/um-duro.html' title='Um Duro.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4455050327067757457</id><published>2009-07-24T17:30:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T17:47:47.997-07:00</updated><title type='text'>Frio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SmpWKhPYZXI/AAAAAAAAANM/saQlDcUHqbQ/s1600-h/Week+Pygoscelis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 304px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SmpWKhPYZXI/AAAAAAAAANM/saQlDcUHqbQ/s320/Week+Pygoscelis.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362193045059560818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje fui obrigado a passar o chuveiro pra inverno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Esta Noite, 24 Jul  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Esta Noite  Céu claro Mín:  2°C &lt;br /&gt; Vento: Do West a 11 km/h &lt;br /&gt; Possibilidade de precip.: 0 % &lt;br /&gt; Umidade média: 81 % &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Médias e registros mais detalhes...&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; Nascer do sol: 7:15 &lt;br /&gt; Pôr-do-sol: 17:48 &lt;br /&gt; Média das máximas: 19°C &lt;br /&gt; Média das mínimas: 11°C&lt;br /&gt; Coração: Gelado&lt;br /&gt; Pênis: -1,00 Cm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4455050327067757457?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4455050327067757457/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4455050327067757457' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4455050327067757457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4455050327067757457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/07/frio.html' title='Frio'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SmpWKhPYZXI/AAAAAAAAANM/saQlDcUHqbQ/s72-c/Week+Pygoscelis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5781911596097931277</id><published>2009-07-21T18:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T19:37:43.245-07:00</updated><title type='text'>Nossas Caras Engraçadas</title><content type='html'>Des de muito tempo tenho comigo uma vontade, um desejo mais ardente de todos os desejos que tenho. Desejo que brota da curiosidade. Da origem das curiosidades, sobre a vida. Meu maior desejo é enteder a vida. A minha. Entender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das minhas últimas reflexões sobre a vida nasceu uma comprensão que está dando resultados, está se movendo. Acontece que se eu falar o que é perde o efeito, portanto, ficarei calado. Mas essa já é a pista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que as pessoas são ótimas como ferramentas de autoconhecimeto. Pessoas servem como espelho. &lt;br /&gt;O que há em uma pessoa que podemos perceber encontra-se da mesma forma em nós mesmos, daí dizer reconhecível.&lt;br /&gt;Tudo o que deve ser descoberto está também em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei no Shopping como as pessoas trazem a mesma expressão, pensam igual. Cara de shopping. No shopping todos tem a mesma cara de bem sucedido. Desfilam, não andam. Todos no shopping se julgam a última bolachinha do pacote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No elevador fazemos cara de elevador, todos iguais, que nos julgamos tão diferentes assim nesta hora gostaríamos de ser robôs, pq humanos fedem, tossem, espirram, peidam... Ai que nojo que temos uns dos outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estádio de futebol todos se comportam exatamente iguais. Mas juram que são serem singulares, o pé quente do time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorando todos são os mesmos abraçados na sua carametades. Os homens mais idiotas fazem pose de galã, e as mulheres, todas com a mesma cara de sortuda, com o cara certo, o príncepe da última hora. &lt;br /&gt;Mulher é ainda mais igual. O homem certo pras mulheres iguais é aquele que se parece com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entender a vida. A minha vida. Perceber aonde está minha vida, porquê ajo como ajo, penso como penso, sofro como sofro, e onde se encontra minha vida, pq cansei de representar vc. Vc é muito sem graça, previzível, monótono, hipócrita, e igual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo no universo gira, se move, num movimento contínuo, super veloz. Nada é a mesma coisa no próximo segundo. Tudo na vida se move, se cria a cada instante. As galaxias se movem, num turbilão que nada pode deter. NADA. Apenas nós, seres microscósmicos, milionésimo mais rápido que a luz nesta existência infinita empacamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não empacamos de fato. Tudo se move, e nem que quiséssemos, nem querendo e nem fodendo somos os mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a DEUS!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5781911596097931277?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5781911596097931277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5781911596097931277' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5781911596097931277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5781911596097931277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/07/nossas-caras-engracadas.html' title='Nossas Caras Engraçadas'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6729556193167591735</id><published>2009-07-11T18:44:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T18:45:14.280-07:00</updated><title type='text'>Errar é humano</title><content type='html'>Errou? Não perca tempo se culpando ou arranjando justificativas. Reconheça o erro. Peça desculpas. Recomece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece fácil? Só no papel. Na vida real, poucas pessoas possuem a necessária segurança para tomar essa atitude. A maioria prefere atirar a culpa para os outros ou apresentar justificativas, caso seja impossível escapar à responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da aceitação de que “errar é humano”, dificilmente alguém consegue assumir o seu erro, sem pelo menos encontrar uma explicação para ele. Difícil dizer apenas: “Errei, desculpa”. Acuado, o sujeito logo busca atenuantes, razões que o eximam da responsabilidade. Ou parte para o ataque, confundindo o outro. A técnica, embora velha, costuma funcionar na perfeição; a melhor defesa ainda é o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descoberto, o vilão da história reverte a situação, jogando a culpa para a esposa, que não o acompanha ou entende; para o professor, incapaz de transmitir os conhecimentos de forma adequada; para a sociedade, que não cumpre com o seu dever. Como a acusação contém pingos de verdade, a indignação do prejudicado diminui, favorecendo ao transgressor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto como assumir o erro, pedir desculpas é atitude rara. Ilusão de superioridade, crença de ser mais que os outros, razões deve haver para a dificuldade em aceitar as limitações. Pessoas superiores não deveriam cometer enganos, lapsos, atrapalhar-se com números, perder prazos, como acontece aos simples mortais. Por isso, pessoas que se acreditam superiores sofrem tanto, quando erram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, quando alguém assume seu erro, com humildade, o sermão perde a razão de ser, a raiva se desfaz; não há como reclamar, esbravejar, atacar. Tripudiar sobre o culpado é inconcebível, quando reconhece a culpa e se propõe a remediar, ainda que não tenha conserto. Como o cinzeiro de cerâmica que os filhos quebraram, na ausência da mãe, e logo colaram toscamente, juntando os cacos, para que ela não percebesse. Como o braço da estatueta de porcelana, colado pela funcionária com Super Bond, na esperança de que a patroa não notasse o estrago. O empenho em consertar a situação, ainda que redunde numa tentativa fracassada, vale como pedido de desculpas. Descuido ou azar, o responsável já foi castigado, não precisa que ninguém aponte o seu erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dificuldade em se desculpar, ao contrário,, afasta pessoas que se amam, mas não conseguem transpor as barreiras colocadas por elas mesmas. Silenciar sobre os sentimentos é a mais eficiente maneira de cavar fossos nos relacionamentos, que poderiam fluir mais facilmente, se o ser humano não encontrasse tanta dificuldade em se expor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão desconcertante receber um pedido de desculpas, que alguns marotos, se apercebendo do constrangimento causado pelo gesto, extrapolam, desculpando-se sem a menor sinceridade, na intenção de angariar benefícios. Mas pedir desculpas sem o comprometimento de mudar não tem o menor valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da humildade de reconhecer o erro, é preciso saná-lo, na medida do possível. Pagar o que se deve, desfazer o mal feito, desdizer o que se disse. Desculpar-se e ficar por isso mesmo seria muito fácil, primeiro passo para a sem-vergonhice assumida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autêntico “Mea culpa” exige o esforço para mudar, recomeçar em novas bases, fazer diferente, da próxima vez. Reconhecer o erro e pedir desculpas exige humildade. Perdoar e proporcionar nova chance exige generosidade. Qualquer das atitudes exige um tipo especial de pessoas, aquelas que merecem a paz de que usufruem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta Souza Costa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6729556193167591735?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6729556193167591735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6729556193167591735' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6729556193167591735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6729556193167591735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/07/errar-e-humano.html' title='Errar é humano'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4547435805616284423</id><published>2009-06-14T18:48:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T21:54:26.463-07:00</updated><title type='text'>Arte contemporânea</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjclfXoBKxI/AAAAAAAAANE/BT97-cWzbTE/s1600-h/Kosuth-XL.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjclfXoBKxI/AAAAAAAAANE/BT97-cWzbTE/s320/Kosuth-XL.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347784303373789970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estranha! Deve ser estranha como o tio Rogs. Propor questionamentos. Verdades absolutas não estão na arte. Arte é mentira. Por isso não existe mais nada de novo? &lt;br /&gt;Pode ser...   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista reprocessa linguagens aprofundando a sua pesquisa e sua poética. Ele tem a sua disposição como instrumental de trabalho, um conjunto de imagens. A arte passou a ocupar o espaço da invenção e da crítica de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Inventam imagens que atraem o pensamento e o sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filosofia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - É mais ética que de estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arte uma reflexão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não existem estilos ou movimentos como as vanguardas que fizeram a modernidade. O que há é uma pluralidade de estilos, de linguagens, contraditórios e independentes, convivendo em paralelo, porque a arte contemporânea não é o lugar da afirmação de verdades absolutas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4547435805616284423?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4547435805616284423/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4547435805616284423' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4547435805616284423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4547435805616284423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/arte-contemporanea.html' title='Arte contemporânea'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjclfXoBKxI/AAAAAAAAANE/BT97-cWzbTE/s72-c/Kosuth-XL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4805565492372012736</id><published>2009-06-14T16:45:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T16:52:02.490-07:00</updated><title type='text'>Semiótica</title><content type='html'>(...) signos são entidades em que sons ou sequências de sons - ou as suas correspondências gráficas - estão ligados com significados ou conteúdos. (...) Os signos são assim instrumentos de comunicação e representação, na medida em que, com eles, configuramos linguisticamente a realidade e distinguimos os objetos entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Origens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante dizer que o saber é constituído por uma dupla face. A face semiológica ou semiótica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das palavras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas afectas. Da Grécia até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém, posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas concernentes à semiótica podem retroceder a pensadores como Platão e Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e C. S. Peirce, a semiótica começa a adquirir autonomia e o status de ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Charles Sanders Peirce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista cronológico, a primeira personalidade a citar é Charles Sanders Peirce (1839-1914). Para ele, o Homem significa tudo que o cerca numa concepção triádica (firstness, secondness e thirdness), e é nestes pilares que toda a sua teoria se baseia. Num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Peirce, em 14 de maio de 1867, descreveu suas três categorias universais de toda a experiência e pensamento. Considerando tudo aquilo que se força sobre nós, impondo-se ao nosso reconhecimento, e não confundindo pensamento com pensamento racional, Pierce concluiu que tudo o que parece a consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. Essas categorias foram denominadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * Qualidade;&lt;br /&gt;    * Relação;&lt;br /&gt;    * Representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, o termo Relação foi substituído por Reação e o termo Representação recebeu a denominação mais ampla de Mediação. Para fins científicos, Pierce preferiu fixar-se na terminologia de Primeiridade, Segundidade e Terceiridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiridade - a qualidade da consciência imediata é uma impressão (sentimento) in totum, invisível, não analisável, frágil. Tudo que está imediatamente presente à consciência de alguém é tudo aquilo que está na sua mente no instante presente. O sentimento como qualidade é, portanto, aquilo que dá sabor, tom, matiz à nossa consciência imediata, aquilo que se oculta ao nosso pensamento. A qualidade da consciência, na sua imediaticidade, é tão tenra que mal podemos tocá-la sem estragá-la. Nessa medida, o primeiro (primeiridade) é presente e imediato, ele é inicialmente, original, espontâneo e livre, ele precede toda síntese e toda diferenciação. Primeiridade é a compreensão superficial de um texto (leia-se texto não ao pé da letra; ex: uma foto pode ser lida, mas não é um texto propriamente dito). Como Luis Caramelo explica no seu livro Semiotica uma introdução, "A firstness diz respeito todas as qualidades puras que, naturalmente, não estabelecem entre si qualquer tipo de relação. Estas qualidades puras traduzem-se por um conjunto de possibilidades de vir a acontecer(...)". Desta forma, temos, no nosso mundo o acontecimento ou possibilidade "chuva", mas é apenas isso, apenas possibilidade existencial. Caso localizemos chuva como um acontecimento, por exemplo "está a chover" estamos perante a secondness.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secundidade - a arena da existência cotidiana, estamos continuamente esbarrando em fatos que nos são externos, tropeçando em obstáculos, coisas reais, factivas que não cedem ao sabor de nossas fantasias. O simples fato de estarmos vivos, existindo, significa, a todo momento, que estamos reagindo em relação ao mundo. Existir é sentir a acção de fatos externos resistindo a nossa vontade. Existir é estar numa relação, tomar um lugar na infinita miríade das determinações do universo, resistir e reagir, ocupar um tempo e espaço particulares. Onde quer que haja um fenômeno, há uma qualidade, isto é, sua primeiridade. Mas a qualidade é apenas uma parte do fenômeno, visto que, para existir, a qualidade tem que estar encarnada numa matéria. O fato de existir (secundidade) está nessa corporificação material. Assim sendo, Secundidade é quando o sujeito lê com compreensão e profundidade de seu conteúdo. Como exemplo: "o homem comeu banana", e na cabeça do sujeito, ele compreende que o homem comeu a banana e possivelmente visualiza os dois elementos e a acção da frase. A palavra chave deste conceito é ocorrência, o conceito em acção. É desta forma, também, uma actualização das qualidades do firstness.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiridade - primeiridade é a categoria que da à experiência sua qualidade distintiva, seu frescor, originalidade irrepetivel e liberdade. Segundidade é aquilo que da a experiência seu caráter factual, de luta e confronto. Finalmente, Terceiridade corresponde à camada de inteligibilidade, ou pensamento em signos, através da qual representamos e interpretamos o mundo. Por exemplo: o azul, simples e positivo azul, é o primeiro. O céu, como lugar e tempo, aqui e agora, onde se encarna o azul é um segundo. A síntese intelectual, e laboração cognitiva – o azul no céu, ou o azul do céu -, é um terceiro. A terceiridade, vai além deste espectro de estrutura verbal da oração. Ou seja, o indivíduo conecta à frase a sua experiência de vida, fornece à oração, um contexto pessoal. Pois "o homem comeu a banana" pode ser ligado à imagem de um macaco no zoológico; à cantora Carmem Miranda; ao filme King Kong; enfim, a uma série de elementos extra-textuais. Sucintamente, podemos dizer que thirdness está ligada a nossa capacidade de previsão de futuras ocorrências da secondness, já que não só conhecemos o acontecimento na medida de possibilidade natural, como já o vimos em acção, e como tal, já nos é intrínseco. Desta forma já podemos antecipar o que virá a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também para Peirce há três tipos de signos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * O ícone, que mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o signo, representação do objeto, e o objeto dinâmico em si; o singo icónico refere o objecto que denota na medida em que partilha com ele possui caracteres, caracteres esse que existem no objecto denotado independentemente da existência do signo. - exemplo: pintura, fotografia, o desenho de um boneco. É importante falar que um ícone não só pode exercer esta função como é o caso do desenho de um boneco de homem e mulher que ficam anexados à porta do banheiro indicando se é masculino ou feminino, a priori é ícone, mas também é símbolo, pois ao olhar para ele reconhecemos que ali há um banheiro e que é do gênero que o boneco representa, isto porque foi convencionado que assim seria, então ele é ícone e símbolo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * O índice, ou parte representada de um todo anteriormente adquirido pela experiência subjetiva ou pela herança cultural - exemplo: onde há fumaça, logo há fogo. Quer isso dizer que através de um indício (causa) tiramos conclusões. Ainda sobre o que nos diz este autor, é importante referir que «um signo, ou representamen, é qualquer coisa que está em vez de (stands for) outra coisa, «em determinado aspecto ou a qualquer título», (e que é considerado «representante» ou representação da coisa, do objecto - a matéria física) e, por último, o «interpretante» - a interpretação do objecto. Por exemplo, se estivéssemos a falar de "cadeira", o representante seria o conceito que temos de cadeira. Sucintamente, o índice é um signo que se refere ao objecto denotado em virtude de ser realmente afectado por esse objecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objeto seria a cadeira em si e o interpretante o modo como relacionamos o objeto com a coisa representada, o objeto de madeira sobre o qual nos podemos sentar. Sobre isto é interessante ver a obra "One and three chairs" do artista plástico Joseph Kosuth. A principal característica do signo indicial é justamente a ligação física com seu objeto, como uma pegada é um "indício" de quem passou. A fotografia, por exemplo, é primeiramente um índice, pois é um registro da luz em determinado momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O símbolo, "é um signo que se refere ao objecto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de ideias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo aquele objecto". by Luis Caramelo Exemplo disso é a aliança de casamento, que rapidamente associo ao que denota, a instituição casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Ferdinand de Saussure&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro autor, considerado pai da semiologia, por ser o primeiro autor a criar essa designação e a designar o seu objeto de estudo, é Ferdinand de Saussure (1857-1913). Segundo este, a existência de signos - «a singular entidade psíquica de duas faces que cria uma relação entre um conceito (o significado) e uma imagem acústica (o significante) - conduz à necessidade de conceber uma ciência que estude a vida dos sinais no seio da vida social, envolvendo parte da psicologia social e, por conseguinte, da psicologia geral. Chamar-lhe-emos semiologia. Estudaria aquilo em que consistem os signos, que leis os regem.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção de Saussurre relativamente ao signo, ao contrário da de Peirce, distingue o mundo da representação do mundo real. Para ele, os signos (pertencentes ao mundo da representação) são compostos por significante - a parte física do signo - e pelo significado, a parte mental, o conceito. Colocando o referente (conceito correspondente ao de objecto por Peirce) no espaço real, longe da realidade da representação. Para Saussure (com excepção da onomatopeia), não existem signos motivados, ou seja, com relação de causa-efeito. Divide os signos em dois tipos: os que são relativamente motivados (a onomatopeia, que em Peirce corresponde aos ícones), e os arbitrários, em que não há motivação. Leia-se que esta motivação é a tal relação que Peirce faz entre representação e objecto e que, na visão de Saussure, parece não fazer sentido. Esta visão pode ser tida como visão de face dual. Para Saussure, existem assim dois tipos de relações no signo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - as «relações sintagmáticas», as da linguagem, da fala, a relação fluida que, no discurso ou na palavra (parole), cada signo mantém em associação com o signo que está antes e com o signo que está depois, no «eixo horizontal», relações de contextualização e de presença (ex: abrir uma janela, em casa ou no computador)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - as «relações paradigmáticas», as «relações associativas», no «eixo vertical» em ausência, reportando-se à «língua» (ex: associarmos a palavra mãe a um determinado conceito de origem, carinho, ternura, amor, etc...), que é um registo «semântico», estável, na memória colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Louis Hjelmslev&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louis Hjelmslev (1899-1965) complexifica os conceitos utilizados por Saussure. Segundo Hjelmslev, e por uma questão de clareza, a expressão deverá substituir o termo saussuriano de significante, assim como o conteúdo deve substituir o de significado. Tanto a expressão como o conteúdo possuem dois aspectos, a forma e a «substância» - que em Saussure são por vezes confundidos com significante e significado. Os signos são por isso, para Hjelmslev, constituídos por quatro elementos e não dois, como propunha Saussure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Umberto Eco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umberto Eco (1932), além de ser um dos que tentaram resumir de forma mais coerente todo o conhecimento anterior, procurando dissipar dúvidas e unir ideias semelhantes expostas de formas diferentes, introduz novos conceitos relativamente aos tipos de signos que considera existir. São os «diagramas», signos que representam relações abstractas, tais como fórmulas lógicas, químicas e algébricas; os «emblemas», figuras a que associamos conceitos (ex: cruz -&gt; cristianismo); os «desenhos», correspondentes aos ícones e às inferências naturais, os índices ou indícios de Peirce; as «equivalências arbitrárias», símbolos em Pierce e, por fim, os «sinais», como por exemplo o código da estrada, que sendo indícios, se baseiam num código ao qual estão associados um conjunto de conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Roman Jakobson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roman Jakobson, nascido em Moscovo (Moscou PB ), em 1896, introduziu o conceito das funções da linguagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * a emotiva, que «denota» a carga do emissor na mensagem;&lt;br /&gt;    * a injuntiva, relativa ao destinatário;&lt;br /&gt;    * a referencial, relativa àquilo de que se fala;&lt;br /&gt;    * a fática, relativa ao canal da comunicação;&lt;br /&gt;    * a metalinguística, relativa ao código;&lt;br /&gt;    * a poética, relativa à relação da mensagem consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Jakobson fala das funções da linguagem, Guiraud diferencia os códigos. E é nos códigos lógicos que está o mais importante para os signos. Nestes, ele releva os «paralinguísticos», associados a aspectos da linguagem verbal (ex: escritas alfabética, escritas idogramáticas). Associar números a pedras é ter e ser um código deste tipo: códigos práticos, ligados às sinaléticas, às programações e a códigos de conhecimento o (ex: sinais de trânsito) e, por último, os epistemológicos, ou específicos de cada área científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Morris e Greimas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morris e Algirdas Julius Greimas dizem-nos que tudo pode ser signo consoante a nossa interpretação, deixando em estado mais abrangente o conceito de signo. Porém, Morris diz-nos ainda que estes se dividem em&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * Sintáctico, ao nível da estrutura dos signos, o modo em como eles se relacionam e as suas possíveis combinações,&lt;br /&gt;    * Semântico, analisando as relações entre os signos e os respectivos significados,&lt;br /&gt;    * Pragmático, estudando o valor dos signos para os utilizadores, as reacções destes relativamente aos signos e o modo como os utilizamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Lingüística&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semiótica é considerada por alguns um dos campos da lingüística, por outros o inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo alguns autores, a semiótica nunca foi considerada parte da lingüística. De fato, ela se desenvolveu quase exclusivamente graças ao trabalho de não-lingüistas, particularmente na França, onde é frequentemente considerada uma disciplina importante. No mundo de língua inglesa, contudo, não desfruta de praticamente nenhum reconhecimento institucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a língua seja considerada o caso paradigmático do sistema de signos, grande parte da pesquisa semiótica se concentrou na análise de domínios tão variados como os mitos, a fotografia, o cinema, a publicidade ou os meios de comunicação. A influência do conceito linguístico central de estruturalismo, que é mais uma contribuição de Saussure, levou os semioticistas a tentar interpretações estruturalistas (ver estruturalismo) num amplo leque de fenómenos. Objetos de estudo, como um filme ou uma estrutura de mitos, são encarados como textos que transmitem significados, sendo esses significados tomados como derivações da interação ordenada de elementos portadores de sentido, os signos, encaixados num sistema estruturado, de maneira parcialmente análoga aos elementos portadores de significado numa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deliberadamente enfatiza a natureza social dos sistemas de signos, a semiótica tende a ser altamente crítica e abstrata. Nos últimos anos, porém, os semioticistas se voltam cada vez mais para o estudo da cultura popular, sendo hoje em dia comum o tratamento semiótico das novelas de televisão e da música popular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4805565492372012736?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4805565492372012736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4805565492372012736' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4805565492372012736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4805565492372012736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/semiotica.html' title='Semiótica'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5821776617358452999</id><published>2009-06-11T14:08:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T15:22:11.747-07:00</updated><title type='text'>Pérolas e Parolas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjGDiXxQQSI/AAAAAAAAAM8/uM3LLZ2p2-c/s1600-h/Granito+Abstrato.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjGDiXxQQSI/AAAAAAAAAM8/uM3LLZ2p2-c/s320/Granito+Abstrato.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346198859184881954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ais... Ais...&lt;br /&gt;Amargo, lembra uma tempestade; &lt;br /&gt;Corre o vento , vôa pedaço de papel, plástico, pó e poeira.&lt;br /&gt;Sopra saudades. (Saudadiiiii..) Partem letras minúsculas daqui por diante, e outras coisas, que vem, olha... Mais e mais... E frases sem sentido aparente. &lt;br /&gt;Resmunga , franzi, fecha mais os olhos, roda a cara, franzi mais a testa...&lt;br /&gt;Um cheiro de ovo queimado no ar, frio, revolto.&lt;br /&gt;Daqui em diante tudo muda, pensa: Que raios... &lt;br /&gt;Alguém , alguns, e outros, todos se olham e pensam. Que raios? &lt;br /&gt;Daqui por diante termina, corre o fim. Sem ousar tudo é igual. A dúvida e sua atenção. &lt;br /&gt;Não sei... Sensação terrível de "não sei". Mal estar, raiva e preguiça de pensar. &lt;br /&gt;Raiva e frustração... Alguém simplesmente ri, enquanto o outro simplesmente chora. SimplEsmente... SimplEsmente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai a noite, muda o cheiro, agora de tremoço. &lt;br /&gt;Palavras sem sentidos. Uma ova aparente. &lt;br /&gt;Um sol de avião rosna no céu, azul, negro, no  frio do inverno fulgurado de estrelas, óh Brasil. O mesmo cheiro de décadas atrás fisga como um anzol no dedo. &lt;br /&gt;Um fusca que ainda existe passa pela rua sob a luz do poste azul, só uma lâmina amarela no capô brilha.&lt;br /&gt;Rosna outro avião, amedrontando os espaços dos meios dos edifíciosss. Frio na espinha da onde é que vem esta sensação (?).&lt;br /&gt;Tem coisas boas na vida. Muitas. Essa é uma delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5821776617358452999?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5821776617358452999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5821776617358452999' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5821776617358452999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5821776617358452999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/parolas.html' title='Pérolas e Parolas'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SjGDiXxQQSI/AAAAAAAAAM8/uM3LLZ2p2-c/s72-c/Granito+Abstrato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4746911035500681084</id><published>2009-06-09T09:48:00.000-07:00</published><updated>2009-06-09T10:03:08.805-07:00</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>Sonhei que era uma planta; Uma árvore, eu acho. Ou não foi esse o sonho, mas a conclusão dele. Sei lá, isso não importa. &lt;br /&gt;Conversava com algum sábio, e falávamos da vida e da morte. &lt;br /&gt;Na hora que nasce uma planta (eu) já começa a morrer. Os galhos, muitos deles, secam. Quebram, caem. Os galhos morrem, as célular morrem, até que um dia morre tudo, e nasce outra planta em algum lugar. &lt;br /&gt;Eu dizia pra alguém que estava morrendo que entendesse isso. E tentava compreender que isso servia pra mim também. Que a vida e a morte são irmãs gêmeas, ou mais, são lados da mesma moeda, dimensões da mesma existência. &lt;br /&gt;Os sonhos são tão significativos, e falam em uma linguagem tão própria que por mais que se queira relata-los, só o sonhador entende. Que pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4746911035500681084?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4746911035500681084/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4746911035500681084' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4746911035500681084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4746911035500681084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/sonhos.html' title='Sonhos'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7331705883959537920</id><published>2009-06-08T10:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-08T10:59:22.951-07:00</updated><title type='text'>Oi</title><content type='html'>Estou aqui no trabalho, pensando em ti. Hoje acordei meio estranho, sem saber onde estava, que dia era, o que tinha acontecido, se tínhamos acabado, se ainda era minha namorada. Demorei para voltar a realidade. Mas ainda to um pouco assim, estranho, sem entender direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é difícil a comunicação. Como é difícil se fazer entender, né? As vezes, é melhor não falar para isso. Para se alcançar a sintonia necessária a uma comunicação. &lt;br /&gt;De uns tempos para cá ando sem criatividade, sem alguma idéia que vala a pena. Me sinto vazio, como se estivesse dentro de uma bolha de sabão, flutuando por ai. Só observando, dentro da minha bolha, que sobre, que desce, que vai a deriva, por onde o vento a leve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que precisasse me chapar um pouco. Ver o que eu via chapado, que talvez isso me deixasse mais interessante. Enfim, todos temos nossos problemas, imaginários. Quando se está bem, sem problemas, inventa-se. Acha-se que falta alguma coisa. Ta estranhamente tudo bem, e essa harmonia é tão improdutiva... &lt;br /&gt;Eu não sei viver... Não sei viver em paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu queria... Viver em paz, em harmonia. Suave, tranquilo, capaz de viver, de sorver, de ser. Mas eu temo que isso vá se tornar como esse sentimento de estar numa bolha, que mesmo flutuando, observando tudo de forma tão bela, me sinta isolado. Na minha bolha, posso flutuar, olhar tudo de todos os angulos, mas tão distante de tanta gente. Quase incomunicável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente estamos com problemas de comunicação. A vida que cada um leva já é um problema pra cada um... Já é tão difícil sermos felizes sozinhos, compreender a existência, superar problemas até de falta de problemas... Ai com outra pessoa piora? Não deveria ser assim... Deveria ser mais fácil, mais confortador saber que alguém nos ama...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7331705883959537920?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7331705883959537920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7331705883959537920' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7331705883959537920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7331705883959537920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/oi.html' title='Oi'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3286822839878449416</id><published>2009-06-07T08:02:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T08:18:52.399-07:00</updated><title type='text'>Osho canastrão</title><content type='html'>Descobri um vídeo do Osho na Internet que pra mim é a imagem da picaretagem. Fantasiado de Guru, numa poltrona sofisticada, fala besteiras entre verdades plageadas. Ah, e fala arrastando as consoantes, para ficar mais estranho, mais supostamente mistico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio faz algumas gracinhas para um idiota que o entrevista. Mas o mais incoerente é seus conselhos vazios, seu marketing pessoal. Chega a dizer que se alguém meditar com seus métodos, não terá palavras pra o agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=T7CSeU3YDB4&amp;feature=related"&gt;Aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3286822839878449416?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3286822839878449416/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3286822839878449416' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3286822839878449416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3286822839878449416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/osho-canastrao.html' title='Osho canastrão'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6127670576289922401</id><published>2009-06-06T16:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T18:52:40.093-07:00</updated><title type='text'>A vida pode ser tudo, menos chata.</title><content type='html'>"O teatro pode ser tudo, menos chato". Dizia um diretor de teatro ontem a noite no Teatro São Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro nem do nome da peça. Já um abito de... Des de sempre. Optei ha muito tempo de escolher entre decorar datas, nomes, a estruturas de memória, pra preence-las de imagens e impressões, e foi o que me restou a noite de ontem. As conexões que imagino fazendo depois, com esses arquivos são mais produtivas e capazes de me provocar alguma consciência da realidade, iluminam mais minha vida, eu quero crer, mais do que imagino que nomes e numeros possam fazer. Me parece óbvio. E ótima desculpa também, se não for...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi feita uma adaptação dos dialogos de Platão, do Banquete, e de outros sobre retórica. E fazem um gancho com o Livro 8 de Lacan. Realmente uma coisa grega de entender. Sofismos, palavras e palavras, misturadas com mitos de uma cultura ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, alguns psiquiatras da Associação Psiqtuiatrica do RS fizeram algumas considerações. O diretor da peça falou. Acho que um cara homossexual, que colocou em sua peça muito de sua visão homossexual do herotismo. Quanto bla bla bla, pra dzer finalmente que cada um deve procurar em si mesmo suas razões, sua essência. Ser quem nasceu pra ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6127670576289922401?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6127670576289922401/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6127670576289922401' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6127670576289922401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6127670576289922401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/vida-pode-ser-tudo-menos-chata.html' title='A vida pode ser tudo, menos chata.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1142355738625062174</id><published>2009-06-04T10:43:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T11:04:50.417-07:00</updated><title type='text'>Escolhas e liberdade</title><content type='html'>Diferente do que se pensa, a liberdade não está nas escolhas. Liberdade deve ser absoluta, este é o sentido da palavra, ser livre é ser livre, não meio-livre.&lt;br /&gt;Como raios poderíamos ser livres absolutamente então, se no momento em que escolhemos uma coisa, definimos um ponto de vista, deixando assim de continuarmos livres? &lt;br /&gt;Poderiamos dizer que a liberdade consiste exatamente nesta escolha; somos livres porque podemos escolher. Mas no momento que escolhemos, termina a liberdade.&lt;br /&gt;Liberdade absoluta é não escolher, então? Mas a não-escolha não é também uma escolha?&lt;br /&gt;Sempre é necessário na vida alguma escolha. Sempre nos deparamos entre duas opçoes, ou mais, que temos que escolher. &lt;br /&gt;Pois bem, existe situações práticas que precisamos escolher, e não há problema nesta escolha. O que se está pretendedo dizer é que na esfera psicologica liberdade é não escolha, enquanto tudo mais pode haver escolhas, necessárias. O problema se dá quando se espera que alguma escolha traga sentimentos prazerosos, e neste aspecto, não trará. É que no ambito psicológico não existe um "vir a ser". &lt;br /&gt;É, enfim, um enfoque estranho, profundo, mas que merece reflexão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desde que me conheço por gente sonho com liberdade. Amo-a, mesmo que não a comprenda. Porém, continuo sonhando com ela, e creio que exista, na sua conscepção absoluta, seu sentido real. Se existir algum sentido na vida, pra mim é este. Ser livre. Terá valido muita a pena viver, se alcançar este estado, a liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1142355738625062174?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1142355738625062174/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1142355738625062174' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1142355738625062174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1142355738625062174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/06/escolhas-e-liberdade.html' title='Escolhas e liberdade'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5550088944339858081</id><published>2009-05-30T08:57:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T09:00:23.595-07:00</updated><title type='text'>Deixa chover, deixa a chuva molhar...</title><content type='html'>Chove lá fora.&lt;br /&gt;E aprendi a fazer uma coisa quando chove assim. Deixar chover...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5550088944339858081?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5550088944339858081/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5550088944339858081' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5550088944339858081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5550088944339858081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/deixa-chover-deixa-chuva-molhar.html' title='Deixa chover, deixa a chuva molhar...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2551658340076710928</id><published>2009-05-26T10:44:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T10:52:25.052-07:00</updated><title type='text'>Tio Rogs Canta</title><content type='html'>Meu primeiro disco solo está ainda no papel.&lt;br /&gt;Estou selecionando algumas canções preferidas, e lógico, das que canto melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será um pupurri, e super eclético, trazendo pinceladas de Caruzo, Andrea Bocceli, Zizi Possi, Tetê Espíndola, João Gilberto, Gonzaguinha, Roberto Carlos, Milton Nascimento, e Bezerra da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canções românticas, para surdos apaixonados...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2551658340076710928?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2551658340076710928/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2551658340076710928' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2551658340076710928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2551658340076710928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/tio-rogs-canta.html' title='Tio Rogs Canta'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5547300875837682943</id><published>2009-05-21T12:24:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T12:36:04.575-07:00</updated><title type='text'>Devaneios</title><content type='html'>. Eu apenas queria que você soubesse que aquela alegria ainda está comigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. As vezes me pergunto, o que estou fazendo aqui. O mundo lá fora precisa de mim para desenha-lo e eu preciso dele para desenha-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Ah, as pessoas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E tem alguém comigo, presa na memória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5547300875837682943?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5547300875837682943/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5547300875837682943' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5547300875837682943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5547300875837682943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/devaneios.html' title='Devaneios'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-284717189693719517</id><published>2009-05-20T11:25:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T11:56:39.289-07:00</updated><title type='text'>Psicótico suicida.</title><content type='html'>Pensem o que quiserem, mas eu sinto uma necessidade de fazer alguma coisa pra mudar o mundo.&lt;br /&gt;É uma psicose que me acompanha há muito tempo essa, de empunhar uma bandeira, de dar minha vida pela Vida. &lt;br /&gt;Cada dia me sinto mais preocupado e irresponsável por não fazer nada. &lt;br /&gt;É um sentimento que esbarra na ignorância. Não sei nem por onde começar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei por mim, e não terminei. Mas estou dedicado neste universo. Já despoluí muitos pensamentos, já replantei com perdão muito amor. Pretendo ser auto-sustentável, fonte límpida de vida, nascente de amor infindável, abundante, ecossistema verdadeiro, real, inteligente.&lt;br /&gt;Daria minha vida pra isso. Morreria se fosse pra salvar esta vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Einsten formulava que pra se julgar um homem, deve se aplicar a equação de quanto este homem se distanciou de seu EU, sobre os motivos o que o fizeram fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um bando de homens medíocres. Não nos distanciamos de nosso umbigo, ao contrário, achamos que seja o centro do universo. E nem se quer enxegamos motivos pra isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos mudar nossos estilos de vidas. Não os que já estão mortos, mas os que se não pretendem viver, pretendem que seus filhos vivam. &lt;br /&gt;Precisamos ser práticos, e enfrentar a ganância que está nos levando ao fim. Unidos, de uma vez por todas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É chegada a hora de nos unirmos pro bem comum. Fazermos um contrato social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou minha vida por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-284717189693719517?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/284717189693719517/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=284717189693719517' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/284717189693719517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/284717189693719517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/psicotico-suicida.html' title='Psicótico suicida.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-694344473827118422</id><published>2009-05-06T21:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T21:43:08.703-07:00</updated><title type='text'>Lógica oculta</title><content type='html'>Enquanto estiver dormindo, duvidarei dos meus sonhos. &lt;br /&gt;É a única forma de tocar, mesmo que por breves momentos, a realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo está meio ao contrário,&lt;br /&gt;Se ficar do avesso, talvez possa te ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditando em você, você apareceu. &lt;br /&gt;Quem sabe se continuar duvidando você permaneça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sempre é assim eu não sei. &lt;br /&gt;Sonhos não tem pé nem cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda descubro a verdade, por amor a você, realidade. &lt;br /&gt;...E estarás nela. Disso não duvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-694344473827118422?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/694344473827118422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=694344473827118422' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/694344473827118422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/694344473827118422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/logica-oculta.html' title='Lógica oculta'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6917771021007224615</id><published>2009-05-06T21:18:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T21:25:44.989-07:00</updated><title type='text'>Amor de verdade</title><content type='html'>"Em um pedacinho de papel, em cada pedaço do meu corpo e do meu coração, em toda a minha alma, por todos os caminhos em mim até você: Te amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...Amo sem tempo, com razões, sem razões, sem a menor explicação..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo em um tempo inexato e maluco que se faz presente e atual, sem contar as horas, mas contando cada emoção de estar ao seu lado: cumplice, sua, mulher, inteira, metade em você para ser única no teu corpo e coração. &lt;br /&gt;Te amo... Assim, assim!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.A.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6917771021007224615?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6917771021007224615/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6917771021007224615' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6917771021007224615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6917771021007224615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/amor-de-verdade.html' title='Amor de verdade'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5472012425469427563</id><published>2009-05-06T21:11:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T21:47:01.014-07:00</updated><title type='text'>Humildade</title><content type='html'>Nunca gostei de assinar um quadro.&lt;br /&gt;Nunca, por percepçcão extra sensorial, &lt;br /&gt;Por influência dos astros,&lt;br /&gt;Após ser abduzido,&lt;br /&gt;Depois de uma viagem astral,&lt;br /&gt;Contatos de 3º grau,&lt;br /&gt;Por premonição paranormal,&lt;br /&gt;Por sorte, por instinto ou o escambal,&lt;br /&gt;Nunca me senti honesto em assinar um quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas como eu gostaria de ser Deus...).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5472012425469427563?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5472012425469427563/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5472012425469427563' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5472012425469427563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5472012425469427563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/humildade.html' title='Humildade'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7394102707165250797</id><published>2009-05-06T21:07:00.001-07:00</published><updated>2009-05-06T21:49:04.165-07:00</updated><title type='text'>Surf life</title><content type='html'>Por que falar do amor? &lt;br /&gt;Amor é para ser vivido.&lt;br /&gt;Porque queremos ser maiores que o amor?&lt;br /&gt;Porque quero me apropriar do amor, preserva-lo, se sempre o matei assim?&lt;br /&gt;Amor é onda. (Já estou eu falando do amor...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor é pra ser surfado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7394102707165250797?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7394102707165250797/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7394102707165250797' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7394102707165250797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7394102707165250797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/surf-life.html' title='Surf life'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8686754334994594604</id><published>2009-05-06T20:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T21:06:23.617-07:00</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>As palavras... Os pensamentos...&lt;br /&gt;O que há fora eles? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a importância dos artistas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cheio de questionamentos. Artistas são receptores de ondas divinas. São receptores do óbvio, da realidade que não enchergam os mortais. &lt;br /&gt;Artistas são apenas isso, receptores, como aparelhos de rádio apenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falo nada com nada. Quando se fala, se destrói a realidade. &lt;br /&gt;Tudo o que se fala sobre a realidade a destrói. Quero não falar mais nada.&lt;br /&gt;Ah, eu sou artista, mas quando faço a arte, distruo a realidade se dessa arte falar. &lt;br /&gt;Alguém falou que somos velas, e nossa luz não é nossa, mas apenas a conduzimos. Alguma coisa assim...&lt;br /&gt;Quero saber o que é a realidade. Quero parar de falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8686754334994594604?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8686754334994594604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8686754334994594604' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8686754334994594604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8686754334994594604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4744669514859099569</id><published>2009-05-04T10:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T10:47:33.972-07:00</updated><title type='text'>Krishnamurti</title><content type='html'>O ensino fundamental de Krishnamurti pode ser resumido em poucas frases: o homem é condiciona­do pelo desejo e pelo medo; o pensamento é limita­do e resulta de habilidades inatas e adquiridas; to­das as idéias e opiniões são formas cristalizadas e fortalecem um centro psicológico que retoca a reali­dade constantemente; o presente é única coisa con­creta, sendo o passado apenas memória usada afetivamente e o futuro projeto de ação para preservar o conhecido; nenhum livro ou autoridade pode aju­dar o homem a encontrar a verdade, e todos os gurus e líderes são condicionadores da mente humana, sendo por sua vez condicionados; a curiosidade e a paixão da verdade são necessárias para uma busca que recomeça sempre do zero, a cada momento e sempre no aqui e no agora. Esses são os principais pontos dos ensinamentos de Krishnamurti, e segundo ele a ninguém caberá interpretá-los para outras pessoas, devendo servir-se deles para uso estritamente pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava dizendo esta manhã que, por setenta anos, esta superenergia — es­ta imensa energia, imensa inteligência — tem usado este corpo. Não creio que as pessoas compreendam a tremenda energia e inteligência que fluíam através deste corpo — é uma máquina de doze cilindros. E durante setenta anos — um longo tempo — e agora o corpo não agüenta mais. Ninguém, a menos que o corpo tenha sido preparado, muito cuidadosamente, protegido e assim por diante — ninguém pode compreender o que acontecia com o cor­po. Ninguém. Não pretendam compreender. Ninguém. Repito isso: ninguém entre nós ou o público sabe o que aconteceu. Eu sei que não sabem. E agora, depois de setenta anos, isso chegou ao fim. Não aquela inteligência e ener­gia, ela está aqui, todos os dias, e especialmente à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, após setenta anos, o corpo não pode mais suportar — não suporta mais. Não pode. Os indianos têm muitas superstições idiotas sobre isso — que o corpo obedece à nossa vontade e todos os tipos de tolices. Vocês não encontrarão outro corpo como esse, ou aquela suprema inteligência operando em um corpo, por muitas cen­tenas de anos. Vocês não verão isso outra vez. Quando ele partir, partiu. Não há consciência alguma deixada para trás daquela consciência, daquele esta­do. Todos pretenderão ou tentarão imaginar que poderão entrar em contato com aquilo. Talvez possam de algum modo se viverem os ensinamentos. Mas ninguém tem feito isso. Ninguém. E então este é o fato."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4744669514859099569?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4744669514859099569/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4744669514859099569' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4744669514859099569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4744669514859099569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/05/krishnamurti.html' title='Krishnamurti'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4154207552355112306</id><published>2009-04-28T16:44:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T21:45:01.986-07:00</updated><title type='text'>Meditação da pasta de dente  também conhecida como "pupila branca".</title><content type='html'>Esta meditação é ótima pra vc perceber que meditação pode-se encontrar em qualquer lugar, e não precisa ser orientada por raios de guru nenhum.&lt;br /&gt;Vc sabe aqueles pontinhos brancos, de pingos de pasta de dentes, que volta e meia aparecem no espelho do banheiro? &lt;br /&gt;Pois é... Um dia, que estiveres na correria pra sair, pra ir numa "balada", ansioso (a), com trocentos e um pensamentos na cabeça, tendo que tomar um banho, faça o seguinte:&lt;br /&gt;Ligue o chuveiro bem quente e deixe que o vapor tome conta do ambiente, enquanto tiras a roupa. Então, em frente ao espelho, escolha um pontinho branco de pasta respingada da escova, que fique na altura dos seus olhos, de modo que a imagem do seu rosto, com aquela sua cara de babaca quando se olha no espelho permaneça fixa, imóvel. Fechando um dos olhos, mire neste pontinho. Faça com que ele fique parado exatamente no meio da pupila do seus olhos, como se tivesse uma pupila branca. &lt;br /&gt;Neste momento, perceberá que para manter a pupila branca no seu olho, vc estará pendendo, ora pro lado esquerdo, olha pro lado direito, pra buscar o centro. &lt;br /&gt;Mantenha-se absorto na tentativa desse equilíbrio , esquecendo-se do banho, da festa, das pessoas, e de tudo que estiver fora desta imagem, desta pupila branca no seu próprio olho. &lt;br /&gt;Não vou contar o que vai acontecer. Vc deve descobrir. &lt;br /&gt;...(Pronto, fodeu). Vc não conseguirá porra nenhuma. Sabe porquê? Porque vc está esperando que algo aconteça. Sua mente estará esperando algo, como lhe falei.&lt;br /&gt;Conclusão, moral da história: meditação precisa ser descoberta por vc. &lt;br /&gt;Quando descobri essa meditação, não esperava que nada acontecesse. Era somente uma brincadeira. Uma observação. Mas neste movimento de tentar me equilibrar, percebi que não precisava ir nem pra direita, nem pra esquerda, que era ´so ficar parado. Tudo estava já álí, era só parar. E quando parei, e vi a pupila do meu olho branca, sem se movinetar absolutamente nada, tive um insight profundo, e desaguei em choro. Naquele insatante percebi algo que não pode ser expresso por palavras, que as palavras são como o movimento que tenta se equilibrar, e enquanto estiverem presentes, não se está presente. Se está tentando equilibra-se. &lt;br /&gt;Quando se deixa de querer equilibrar-se, porque se percebe de forma intensa que não há porquê se mexer, toma-se uma consciência indescritível sobre a vida, sobre a própria vida, sobre o tempo inútil em busca de algo que já está presente desde sempre. Rompe-se em choro, se alegria, de contentamento, se perplexidade, de um profundo amor e compaixão, a todas as pessoas que como eu estão ai, batendo a cabeça e procurando algo que está sempre aqui, diante de nossos olhos, exatamente igual pra todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4154207552355112306?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4154207552355112306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4154207552355112306' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4154207552355112306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4154207552355112306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/meditacao-da-pasta-de-dente.html' title='Meditação da pasta de dente  também conhecida como &quot;pupila branca&quot;.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-56644498073024134</id><published>2009-04-21T08:45:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T09:37:48.927-07:00</updated><title type='text'>Epistemologia</title><content type='html'>Folha em branco. Não sei começar. &lt;br /&gt;Lembro da aula de filosofia, que está engastagada na memória. Lembro de uma espada que está sob minha cabeça. O texto não tem pé, nem cabeça.&lt;br /&gt;As imagens vão se formando assim. Subjetivas. Meu objetivo é o de sempre, fazer sair a angústia da ferida. Encontrar a ferida, e limpa-la.&lt;br /&gt;Epistemologia. Estudo sobre o conhecimento. O professor é um alterofilista. As orelhas de abano de lutador de jiu-jitzsu, cabelo raspado, roupas de grife, católico radical, ou cristão xiita, se é possível. Promotor do Estado. Um filósofo contemporâneo na mais pura concepção.&lt;br /&gt;Mas o conteúdo da matéria é Filosofia do Direito, somente do lado direito. Do lado ocidental. &lt;br /&gt;Epistemologia. Que palavra... O que raios quer dizer? Teoria do conhecimento. Wikipedia diz: A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por filosofia do conhecimento). Ela se relaciona ainda com a metafísica, a lógica e o empirismo, uma vez que avalia a consistência lógica da teoria e sua coesão fatual, sendo assim a principal dentre as vertentes da filosofia (é considerada a "corregedoria" da ciência). Sua problematização compreende a questão da possibilidade do conhecimento: Será que o ser humano conseguirá algum dia atingir realmente o conhecimento total e genuíno, fazendo-nos oscilar entre uma resposta dogmática ou empirista? Outra questão abrange os limites do conhecimento: Haverá realmente a distinção entre o mundo cognoscível e o mundo incognoscível? E finalmente, a questão sobre a origem do conhecimento: Por quais faculdades atingimos o conhecimento? Haverá conhecimento certo e seguro em alguma concepção a priori?&lt;br /&gt;Me interessou. Epistemologia. Ei! Psiti!! Ei! Psiuu...&lt;br /&gt;Epistemologia quem sabe vai me dizer alguma coisa. &lt;br /&gt;O professor fala, fala, fala... Todos escutam, ouvem, olham... Nenhuma pergunta. Mas ninguém entende nada. &lt;br /&gt;Eu pergunto. Ele se zanga. Eu me pergunto, o que estou fazendo aqui? Essa figura não entende que eu sou seu cliente, e pago pra saber, e que é meu direito perguntar portanto?&lt;br /&gt;Epistemologia. O conhecimento vem das experiências. O conhecimento é intelectual, vem da razão, da lógica. &lt;br /&gt;Mas não parece lógico.&lt;br /&gt;"Segundo Trindade “todo conhecimento torna-se, devido à necessária vinculação do meio ao indivíduo que pertence ao próprio meio, um auto-conhecimento. Essa interação faz-se cogente pela gênese unívoca entre os muitos integrantes do mundo da vida, sem olvidar que o homem é um desses integrantes. [...] Ocorre, deste modo, um acoplamento estrutural entre o sistema nervoso do observador e o meio proporcionando, assim, uma mútua transformação/adaptação. O ser é modificado pelo meio ao qual o próprio ser pertence e modifica”. "&lt;br /&gt;Epistemologia veio pra confundir, eu penso. Veio pra me fazer aceitar que as coisas são assim, que eu e o meio somos iguais, que ele me modifica, e eu a ele.&lt;br /&gt;Mas não me lembro de ter modificado o meio. Nem uma pergunta na aula, que pretenderia modificar a atenção eu consegui.&lt;br /&gt;Professor, isso é no mundo inteiro? Porque não falaste nada do ponto de vista dos orientais, dos filósofos orientais. Creio que desta escola, o problema do conhecimento é justamente o pensamento pretender conhecer alguma coisa ilimitada, enquanto é limitado.&lt;br /&gt;Ele olha pro céu. Continua a aula, apenas diz, que essa aula é ocidental, esse conteúdo é ocidental, e não sabe nada sobre filosofia oriental, e debocha, velado.&lt;br /&gt;Epistemologia. &lt;br /&gt;As experiências, as imagens do essencial quando olhamos um cavalo, sabemos que é um cavalo. Mas se tirar uma perna, continua sendo um cavalo? Continua... o assunto é por demais complexo e interessante, mas ele pretende concluir em no máximo 10 minutos. Não durou isso. Esta pode também ser a origem do preconceito. "Não entendi", diz ele, com um ar de quem interessou-se pela afirmação.&lt;br /&gt;Pois bem, digo eu. Por um momento me preocupei de fazer papel de louco, e receber em troca gargalhadas unissinas de toda aula. Engoli em seco e prossegui. Lembrei-me de Krisnamurti, e não me senti só. Apenas reproduziria as palavras de Krishnamurti. Quando lhe peço pra ver aquela porta, o que vê? Vê uma porta, e pensa, é uma porta, é uma porta amarela, e pode pensar que gosta da porta, que simpatiza com ela, é uma porta de uma sala de aula, e advém outras lembranças daí, e podes ter prendido o dedo um dia na porta, e temer as portas, e no fim, o que estará olhando, a porta, ou seus pensamentos sobre a porta. &lt;br /&gt;Todos calados, nenhuma risada. Ele diz que não entendeu. Que vai fazer a chamada, pra refletir sobre o assunto. Faz a chamada, retorna a aula, e não volta mais a epistemologia. Ao meu questionamento, a me encarar. n&lt;br /&gt;E eu pergunto a mim, o que estou fazendo ali. &lt;br /&gt;Como pode-se falar em Epistemologia, e dividir o conhecimento em ocidental e oriental? Como se pode pretender estudar filosofia, sem estudar a "filosofia" oriental, e ter algo pra falar sobre ela. Como se pode ser professor de filosofia, filósofo, e não questionar, e não buscar responder, e não filosofar?&lt;br /&gt;Eu sei, professor, que tens conteúdo pra dar. E que não estamos numa faculdade de Filosofia, mas de Direito. Sei que são questões complexas pra serem abordadas em 20 minutos. Então, faça um favor pra nós, e pra si mesmo. Não pretenda dar nocção de Epistemologia, se não tens nocção do que seja. Eu tenho nocção que é bobagem.&lt;br /&gt; O conhecimento é sempre limitado, e gera pensamentos limitados. Pensamentos limitados jamais darão ao homem capacidade de compreender a totalidade. &lt;br /&gt;Vai ler Krishnamurti, e amanhã quando algum aluno perguntar sobre filosofia oriental, tens alguém pra indicar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-56644498073024134?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/56644498073024134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=56644498073024134' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/56644498073024134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/56644498073024134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/epistemologia.html' title='Epistemologia'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8769915958343780061</id><published>2009-04-19T07:57:00.001-07:00</published><updated>2009-04-19T08:30:42.840-07:00</updated><title type='text'>Catarze -</title><content type='html'>O nonitor em branco... &lt;br /&gt;Como fazem os cronistas que tem que escrever uma crônica por dia, quando não passa pela cabeça nada que mereça ser anotado, observado, eternizado? &lt;br /&gt;Um papel embranco, pra depositar nossas tagarelices, e organizar nossas idéias. Quem sabe no papel se tornem claras, lúcidas, compreensíveis... Quem sabe alivia a raiva que estou sentindo da minha mãe, ou me de resignação suficiente pra aceitar as direções que meu pai me leva, pq sabe o que é melhor pra mim... &lt;br /&gt;Hoje a melhor coisa que há pra registar, pra expressar numa folha em branco, e colori-la, é a falta que estou sentindo de vc, Cris. Por muito tempo escrevi pra ninguém, mesmo que em determinado momento pessoas importantes passaram a ler. &lt;br /&gt;Atualmente luto pra continuar escrevendo com liberdade de um anônimo, mas deixarei de lutar, porque vc me conheceu anônimo, e gostou de mim como sou. &lt;br /&gt;Sei que é enfadonho os diários pessoais. É, como diria Pitigrilli, como aquele que assoa o nariz e abre o lenço pra espiar. Não passa muito disso. E é por algo assim que me move a escrever. Limpar-me os pensamentos, descongestionar a alma, deixar o coração respispirando melhor.&lt;br /&gt;Ahhh! Meu coração já está bombando livre. Que ótimo exercício é esse. Fecho os olhos para ler, e vejo as coisas que sairam, que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não são minhas&lt;/span&gt;, mas adversidades da vida, e continua no coração, lubrificando-o, preenchendo-o, aquecendo-o , uma imagem de mulher, solta por ai, comigo no coração, e eu com vc, que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é minha&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8769915958343780061?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8769915958343780061/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8769915958343780061' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8769915958343780061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8769915958343780061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/catarze.html' title='Catarze -'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6930012948762929944</id><published>2009-04-18T14:57:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T15:21:29.476-07:00</updated><title type='text'>Depois...</title><content type='html'>To tentando ensinar pro meu cachorro o significado da palavra "depois".&lt;br /&gt;Eu to aqui, no pc, ora estudando, ora navegando (de forma imprecisa, já que é virtual), e ele vem, com aquela cara que eu ja conheço, que quer dizer "vamos passear?". &lt;br /&gt;Então eu digo "depois", e depois eu cumpro a promessa, de forma que estou condicionando ele a, se não entender, esperar, sumir da minha frente.&lt;br /&gt;É difícil acreditar, mas acho que ela ta entendendo. É um cachorro Buda, que apreendeu os comandos de primeira, no máximo de segunda. Com dois meses pedi pra sentar. Sentou. Pedia a pata, ele deu. Deitar, tudo, foi de primeira. Veio com o chips e o softer da sua mãe. Está pronto pra entender o significado de "depois", e poderá se tornar semi humando, quando finalmente compreender isso, e estiver preso no passado, poderá me entender, e deixar de ter aquela banca de Buda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6930012948762929944?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6930012948762929944/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6930012948762929944' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6930012948762929944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6930012948762929944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/depois.html' title='Depois...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3560158959108614816</id><published>2009-04-10T18:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T19:22:53.802-07:00</updated><title type='text'>Sonho de mulher II</title><content type='html'>Estava aqui, emocionado com o comentário dessa mulher do futuro, quando pelo msn recebi um convite de uma amiga. Ta a fim de ir pra Torres? Eu: Ué... Bora então... Pensei: O que me prende? O Yankee? Ah, passeou bastante hoje, que espere. Nada me prende, isso é fantástico. Há algum tempo atrás eu podia aceitar um convite de ir pra Itália que também nada me prendia. Foi a vida que eu escolhi viver. Não que seja a certa, mas foi a que eu pude ter dentro das opcções que me restaram. Já é uma riqueza. &lt;br /&gt;De tempos para cá minhas possibilidades aumentaram. Abri mão no passado de estabilidade econômica porque não tinha a emocional. Agora estou alcançando a estabilidade emocional e a econômica será desta vez verdadeira, legítima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando de assunto, Cris, vc é uma mulher nota 10. Estou perplexo como usou as palavras certas, que... inteligência, que sensibilidade... &lt;br /&gt;Eu devo estar sonhando, que presente conhecer vc, sem preconceitos, madura, precisa. Dá um sentimento na gente de confiança, de segurança, de milhares de possibilidades de comunicação sem receio, preocupação de mal entendidos. Não há mal entendidos com vc. Posso rasgar ceda sucegado, como gosto, livre, poder errar até acertar, que é isso que busco.&lt;br /&gt;Beijos mocinha, bom fim de semana, cheio de paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3560158959108614816?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3560158959108614816/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3560158959108614816' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3560158959108614816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3560158959108614816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/sonho-de-mulher-ii.html' title='Sonho de mulher II'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4790775184278883773</id><published>2009-04-09T18:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T19:11:22.772-07:00</updated><title type='text'>Observação</title><content type='html'>Pois minha musa comporta-se diferente de todas no ambiente. &lt;br /&gt;É a única que me ignora, e ignora tanto que acaba comunicando. &lt;br /&gt;Desvia o olhar, e só olha quando não estou olhando. Já a peguei distraída me olhando.&lt;br /&gt;Parece óbvio que não está ao meu alcance. Se tivesse demostraria. &lt;br /&gt;Mas é de uma soberba tão grande, tão arrogante, que mantenho uma esperança estúpida de ser daquelas mulheres difíceis, impossíveis, que só se rendem a um homem determinado.&lt;br /&gt;A paixão é assim, se adapta ao impossível. Fecha os olhos à realidade, religiosa, indeusa, põe o objeto amado em pedestal. &lt;br /&gt;Não farei nada mais contra essa força, a não ser observa-la, como faço, calado, sem dar bandeira. Quem sabe assim não se renda a minha indiferença e me deixe livre, mais forte (já que o que não mata fortalece), e mais próximo da realidada, num amor verdadeiro e recíproco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4790775184278883773?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4790775184278883773/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4790775184278883773' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4790775184278883773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4790775184278883773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/obercacao.html' title='Observação'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4632401513308328640</id><published>2009-04-08T07:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-08T07:51:12.465-07:00</updated><title type='text'>Bla ba bla</title><content type='html'>Não tenho tanta pretenção de dizer coisas sérias como pretendo parecer ter. &lt;br /&gt;Mesmo eu, quando leio as baboseiras que screvo nesse treco me envergonho. Geralmente é assim, e conforme disse um professor, essa técnica de diários servem apenas pra organizar melhor as idéias, como no espelho, que vendo as rugas que nos surgem a cada dia, deixamos de assediar as ninfetas de pouca idade. Do contráio, sem espelhos, passaríamos a vida achando que aquela lindinha de 14 anos finalmente caia na nossa graça.&lt;br /&gt;To falando, besteiras é o meu forte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das muitas coisas que superei na vida, uma ainda, por mais estúpida que conscientemente seja, não me é superada. Trata-se da importância que dou a beleza física. Por mais racional que eu queira ser, por mais compreender que genética é pura loteria, ainda assim meus olhos pensam com independência moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um homem meia-boca que queria profundamente ter uma mulher nota 10. Toda minha insatisfação reside nisso. São meus exageros que não encontram espaços pra satisfazerem-se. E blá blá blá... Tenho que ir... Termino esse papo outra hora. Agora meu nariz vai pro trabalho, e siguirei atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4632401513308328640?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4632401513308328640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4632401513308328640' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4632401513308328640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4632401513308328640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/bla-ba-bla.html' title='Bla ba bla'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1241353097856724510</id><published>2009-04-07T09:56:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T10:17:30.012-07:00</updated><title type='text'>Sorteazar</title><content type='html'>Eu sou um cara que ainda não sabe se afinal tem sorte ou azar.&lt;br /&gt;Eu e a torcida do  Flamengo...&lt;br /&gt;Na verdade tenho sorte, mas ela é sempre incompleta, a tal ponto de virar um azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplos? Não faltam. Nasci no dia de Santo Antônio, dia 13. Minha nona, devota de Santo Antônio adorou. Tenho Antônio no meu nome, santo casamenteiro, e estou solteiro até hoje. Nunca tive uma paixão correspondida, daquelas perfeitas. Ou eu amava mais, ou elas. Igualzinhos nunca. Azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço mulheres belas, sorte. Mas moram a centenas de quilômetros, azar. Quando são companheiras, agradáveis, e fazem tudo que eu quero, sorte, são feias. Azar. E quando não são feias tem pés feios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão irônico essa questões na minha vida, que de tanto o azar metido, nesta sorte pela metade, tudo se torna engraçado. E me tornei simpático a ironia, este humor sacana da vida e ao menos isso é realmente uma sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1241353097856724510?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1241353097856724510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1241353097856724510' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1241353097856724510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1241353097856724510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/sorteazar.html' title='Sorteazar'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1521837635758832310</id><published>2009-04-07T09:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T09:48:50.568-07:00</updated><title type='text'>Com que roupa ela veio hoje.</title><content type='html'>Vou acabar mudando o nome deste blog pra "com que roupa ela veio hoje".&lt;br /&gt;Já estou em processo de "desencanação", mas algumas amigas manifestam curiosidade. Curiosidade feminina, que alimentarei com detalhes, observados a distãncia, muito discretamente.&lt;br /&gt;Hoje, pelo que vi de relance, está usando um vestido roxo, modelo "Alice no País das Maravilhas", um cinto largo, parece de vinil, verde, saltos altos, verdes, cabelo com uma tiara. Muito elegante e criativa. Apenas ainda não sei se é mal educada ou tímida, ou os dois. Estivemos a menos de um metro de distância e nem se quer me olhou. Maledetta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1521837635758832310?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1521837635758832310/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1521837635758832310' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1521837635758832310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1521837635758832310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/com-que-roupa-ela-veio-hoje.html' title='Com que roupa ela veio hoje.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1325459118752013257</id><published>2009-04-06T12:41:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T12:43:58.300-07:00</updated><title type='text'>Ambiente cardio-insalubre</title><content type='html'>Se ela vier de mini-saia mais uma vez eu peço demissão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1325459118752013257?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1325459118752013257/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1325459118752013257' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1325459118752013257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1325459118752013257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/ambiente-cardio-insalubre.html' title='Ambiente cardio-insalubre'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5145171788304300313</id><published>2009-04-06T11:07:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T11:08:00.418-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quinta-feira passada aconteceu de dar carona a beldade citada em outros posts. &lt;br /&gt;Foi interessante ter estado com ela a só. É uma moça delicada, bem humorada, e dona de um sorriso lindo... &lt;br /&gt;Tá, e daí? &lt;br /&gt;Pois é... Tive que interromper o trabalho e vir aqui. Não vou me apaixonar! Apaixonar-se é questão de decisão, como quase tudo na vida. &lt;br /&gt;Estava decidindo me apaixonar por ela, como faço em geral, volta e meia na vida. É gostoso, ou melhor, é fantastico, mas também é caótico.&lt;br /&gt;Não estou conseguindo me concentrar em porra nenhuma, e isso, por hora, é um grave erro. &lt;br /&gt;Paramos por aqui. &lt;br /&gt;Foi ótimo ouvir de algumas amigas dicas, conselhos de como agir para obter esse ser lindo e desejado, esta mulher maravilhosa. E todas, quando se está apaixonado, são maravilhosas. Sábias dicas... Manter o mistério, não fazer cara de bobo, ser afoito, inseguro. Dicas ótimas, que na verdade já conhecia. Mas nunca tinha ouvido tão francamente vindo delas.&lt;br /&gt;Mas paremos por aqui. Talvez seja auto-proteção. Não to num momento propício para frustrações. Mas mais que isso, não to num momento que seja indicado perder a atenção nas minhas metas. E talvez essa paixão esteja mais pra sabotar metas do que sabotar minha felicidade conjugal. &lt;br /&gt;Deixemos assim. Provavelmente ainda seja muita areia pro meu caminhãozinho, e mudando a estratégia, me concentrando na minha vida profissional, um dia eu esteja com um caminhãozinho que possa leva-la pra onde nasça o sol. rsrs&lt;br /&gt;Beijos pra todas!&lt;br /&gt;Tio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5145171788304300313?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5145171788304300313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5145171788304300313' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5145171788304300313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5145171788304300313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/quinta-feira-passada-aconteceu-de-dar.html' title=''/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6932611328564117392</id><published>2009-04-03T19:50:00.001-07:00</published><updated>2009-04-03T19:50:49.496-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6932611328564117392?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6932611328564117392/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6932611328564117392' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6932611328564117392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6932611328564117392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/blog-post.html' title=''/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8975043003100166299</id><published>2009-04-03T19:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-03T19:52:21.335-07:00</updated><title type='text'>Conselhos únicos e exclusivos</title><content type='html'>Anjo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher dando toques, dicas sobre suas percepções, sobre como gostariam de ser tratadas, é o must!´É algo com que nós, homens, sempre sonhamos. É a &lt;br /&gt;amizade, porque é dito em segredo algo que é verdadeiro. Coisa que se pode confiar, que se bem ouvido, se naturalmente entendido nos dá a chave pro pro coração do sexo oposto. Coração de gente dos mesmos gostos, das mesmas expectativas, sonhos, fantasias...&lt;br /&gt;Pois ela entrou no meu carro. naquele mesmo dia ela entrou nop meu carro, e ficamos pela primeira vez a sós. E foi divertido, e consegui ser eu mesmo, sem afetação, sem coloca-la em um pedestal (ela já estava nele, não é necessário que eu a coloque ainda mais), e foi inexplicável vê-la bem de perto, aqueles olhos, aquelas pernas, aquela voz... &lt;br /&gt;obviamente que pode não passar disso, mas é tão bom o que já tenho. É, mulher, o tio foi ele mesmo, não fez cara de bobo, provocou sorrisos sinceros, curiosidade, mistérios. Não, não serei mais aquele que entrega os segredos, que tira a graça das descobertas a sua hora. Nada de ser afoito, de achar o que nem mesmo eu acho. Macho, não machista.&lt;br /&gt;Os tempos são outros, e gosto que sejam assim. Veremos o que ela faz com o poder. Porque só se sabe quem é alguém quando lhe é dado o poder. E o poder está com ela, e eu não tenho pretensão nenhuma de atropelas a ordem das coisas.&lt;br /&gt;Mudando de assunto... Ela é muito linda...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8975043003100166299?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8975043003100166299/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8975043003100166299' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8975043003100166299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8975043003100166299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/conselhos-unicos-e-exclusivos.html' title='Conselhos únicos e exclusivos'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3999979584160131328</id><published>2009-04-02T13:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T13:05:37.623-07:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>Quando estava escrevendo o texto abaixo, ela entra na sala e para ao meu lado. Gelei. Perguntou uma futilidade para uma outra mulher que trabalha ao meu lado. Retribui o sorriso que lhe dei. Acontece nesses casos de completa perda de realidade. Tenho que me cuidar, e desconfiar da minha lucidez. É quase como se estivesse sob uso de uma droga alucinogena...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3999979584160131328?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3999979584160131328/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3999979584160131328' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3999979584160131328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3999979584160131328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3967508319526807170</id><published>2009-04-02T12:21:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T12:26:37.240-07:00</updated><title type='text'>Curiosidade...</title><content type='html'>Ela hoje está um pouco mais que linda, se isso é possível. Um vestido colorido, curto, mostras as pernas torneadas em pedestais de lindos sapatos de saltos altos.&lt;br /&gt;Parece que vai pra uma festa. Porém é uma beleza distante, quase intocável. Apenas quando passa por minha sala posso ve-la, e noto que me olha, nem sei ainda bme porquê, mas me perturba, me tira a concentração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3967508319526807170?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3967508319526807170/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3967508319526807170' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3967508319526807170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3967508319526807170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/04/curiosidade.html' title='Curiosidade...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-936300089271262830</id><published>2009-03-31T11:01:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T11:42:42.594-07:00</updated><title type='text'>Jornal virtual</title><content type='html'>Quando entro no Terra pra ler notícias me dá uma sensação de insignificância existencial. &lt;br /&gt;O Stallone estar no Brasil é a coisa de maior destaque...&lt;br /&gt;"Professora posa de calcinha após ser eleita a mais sexy". Desmoraliza as professoras, a educação, os alunos, o site, os leitores, as loiras, as calcinhas, meu intelecto, meu tesão, e por ai vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUNDO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lançamento da Coréia do Norte é provocação", diz Hillary. &lt;br /&gt;E a baixo: &lt;br /&gt;"Prostituta invade apartamento e exige sexo com 3 americanos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tem o mesmo peso, pois se trata da mesma coisa, da mesma merda. Lançamento de foguetes e invasão de prostituas. Estão todos provocando os americanos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens e apelos sensacionalistas fazendo de tudo por um clic do meu mouse. Um clic insignificante assim... Clic.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-936300089271262830?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/936300089271262830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=936300089271262830' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/936300089271262830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/936300089271262830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/jornal-virtual.html' title='Jornal virtual'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6416114905434072124</id><published>2009-03-31T09:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T09:39:46.743-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Levantei lá pelas 3h da manhã, depois de ficar fritando, me revirando de um lado para o outro da cama como um bife na chapa, pensando, parlando, parlando, e fui pintar.&lt;br /&gt;Algumas vezes me aontece isso, de ficar fritando na cama. Talvez tenha sido os excessos de café durante o dia, que não caiu bem com o capuccino na noite. Talvez... Mas os pensamentos renderam. Um levou a outro, e culminou em vontade de pintar. E a vontade foi tanta que depois de mais umas 2h de sessão, quando fui dormir, sonhei que estava pintando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi um documentário sobre aquele livro "Você pode mudar a sua vida". Daquela mesma linha do "The secret", mas mais profundo. Gosto e recomendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela hoje veio de vestido floreado, predominando o tom rosa. Ainda não sei ao certo que tipo de pessoa é, pois falamos poucos minutos, sobre nossas rinites alérgicas. Minha intuição está confusa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No almoço conversei com minhas colegas de sala, e é recorrente o assunto. Que os homens são egoístas, que só dão trabalho... E eu estranho que as mesmas reclamações que vem de nós são as mesmas delas. E tudo isso me aborrece, a tal ponto de começar a achar tudo bom e divertido, quando passo a não levar mais a sério nada, e volto-me pra dentreo de mim, uso meus olhos, minhas percepcções para extrair os instantes de vida que não voltarão mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu processo é de coragem, pois estou mudando minha vida. Tenho capacidade de construir belas coisas, e mesmo se não tivesse, as coisas belas estão ai, diante dos meus olhos para serem vistas, e sorvidas. Transformo-me mesmo com adversidades, com os erros que faço de punhado (ah, como gosto dos meus erros!), com os amores que tenho e que nem se quer são correspondidos, pelas pinturas que tento, por tanta coisa que parece insiginificante, mas só parece, pra quem não sabe ver. E pra quem sabe, concorda comigo, e vive também feliz, apesar de tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6416114905434072124?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6416114905434072124/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6416114905434072124' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6416114905434072124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6416114905434072124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/levantei-la-pelas-3h-da-manha-depois-de.html' title=''/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-1080853330788181839</id><published>2009-03-30T09:09:00.000-07:00</published><updated>2009-03-30T09:11:45.994-07:00</updated><title type='text'>Sorrise-se calado.</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-1080853330788181839?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/1080853330788181839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=1080853330788181839' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1080853330788181839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/1080853330788181839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/sorrise-se-calado.html' title='Sorrise-se calado.'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4407560711756298583</id><published>2009-03-28T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T14:41:21.073-07:00</updated><title type='text'>Eu não tenho nada pra falar...</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4407560711756298583?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4407560711756298583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4407560711756298583' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4407560711756298583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4407560711756298583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/eu-nao-tenho-nada-pra-falar.html' title='Eu não tenho nada pra falar...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3812288997607282512</id><published>2009-03-28T14:39:00.001-07:00</published><updated>2009-03-28T14:40:29.607-07:00</updated><title type='text'>tststs</title><content type='html'>Normal, o cara desanima as vezes. Aí fala besteira, se sabota, encontra desculpas...&lt;br /&gt;Era isso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3812288997607282512?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3812288997607282512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3812288997607282512' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3812288997607282512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3812288997607282512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/tststs.html' title='tststs'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4185222104892098663</id><published>2009-03-27T08:51:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T08:57:55.851-07:00</updated><title type='text'>la ra ri la la...</title><content type='html'>É interessante perceber que algumas mulheres parecem gostar de serem esnobadas. &lt;br /&gt;É algo que me parece relativo a idade, ou melhor, a imaturidade. &lt;br /&gt;Quando se fica mais velho, naturalmente que não se tem mais muito tempo a perder. Descarta-se esse tipo de jogo de gato e rato, de cão e gato, de burro e anta. &lt;br /&gt;Me tapei de nojo... &lt;br /&gt;Teria mais a dizer... Minha vontade é de afirmar-me, salientar o que sou, o que perdeu com isso. Mas talvez eu não seja realmente tudo isso, e nem ela.&lt;br /&gt;Voltemos a prancheta de desenho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4185222104892098663?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4185222104892098663/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4185222104892098663' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4185222104892098663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4185222104892098663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/la-ra-ri-la-la.html' title='la ra ri la la...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-571833716647156775</id><published>2009-03-24T09:44:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T10:02:35.489-07:00</updated><title type='text'>Querido diário</title><content type='html'>Hoje ela me deu um oi tão doce, e me olhou com aquelas bolitas azuis que me remeteu à infância; meu coração pequeninho, meu tiquinho durinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perco a conquista mas não perco a piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No almoço, pela primeira vez se aproximou, perguntou se podia sentar conosco. Sentou ao meu lado. Me olhou de novo, e pude penetrar naquelas bolitas azuis, a ponto de não acreditar se eram mesmo desse mundo. A danada é linda, de saltos mais alta que eu. Soltou os longos cabelos loiros e comeu como uma laidy. Gentil, delicada, culta. Já sabe que existo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-571833716647156775?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/571833716647156775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=571833716647156775' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/571833716647156775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/571833716647156775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/querido-diario.html' title='Querido diário'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5867796196949418893</id><published>2009-03-23T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T12:03:55.592-07:00</updated><title type='text'>Reflexões da vidraça</title><content type='html'>Trocando em miúdos, ela não era tudo aquilo. Da janela em que me encontro devia haver uma tal refração, defração, convergência, distração, ou seja lá como se chama o tipo de fenômeno físico que embaralha os olhos, a percepção do vivente, do apaixonado. Ela não era realmente tudo aquilo. &lt;br /&gt;To brincando. Já pedi pra não acreditarem no Tio Rogs, o estranho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, tenho mesmo um problema que é verdade. Ando travando conforme a idade vai passando. É uma mão-de-obra envolver-se num novo relacionamento, pra no fim das contas tudo acabar, e se chegar a conclusão que foi um equívoco, e blá blá blá... &lt;br /&gt;É um medo também, uma mágoa anexada a essas novas mulheres, e um fartão de tanta burocracia pra conquistar, que desanimo. Nunca imaginei-me trabalhando em uma repartição pública, e nunca imaginei-me chegar até essa idade sem um amor. A vida não é nada daquilo que imaginava. Pode ser até legal, mas nunca se consegue conciliar o conhecimento com o momento. Quando pareço estar pronto pra uma coisa, é de outra que elas precisam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5867796196949418893?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5867796196949418893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5867796196949418893' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5867796196949418893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5867796196949418893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/reflexoes-da-vidraca.html' title='Reflexões da vidraça'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-2299583396318594144</id><published>2009-03-16T09:23:00.000-07:00</published><updated>2009-03-16T09:34:39.291-07:00</updated><title type='text'>Ambiente de trabalho</title><content type='html'>Hoje ela veio de rosa, e com uma saia estampada. &lt;br /&gt;Tem flores coloridas em volta da cintura.&lt;br /&gt;Esguia, loira, bailarina, e duas vidraças nos separam.&lt;br /&gt;Olho discretamente pra ela, sem que ela ela perceba. &lt;br /&gt;Não sei se é casada, se tem alguém. Só sei que não existo pra ela.&lt;br /&gt;Imagino-a deitada em sua cama de solteira, com os pés gelados,&lt;br /&gt;pensamentos num corpo pra abraçar. E este corpo está a duas vidraças, &lt;br /&gt;trasparentes de vidro, mais distante que daqui até a lua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-2299583396318594144?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/2299583396318594144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=2299583396318594144' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2299583396318594144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/2299583396318594144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/ambiente-de-trabalho.html' title='Ambiente de trabalho'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8528682104244812698</id><published>2009-03-16T09:20:00.001-07:00</published><updated>2009-03-16T09:22:41.478-07:00</updated><title type='text'>Maxismo</title><content type='html'>Maxismo és tu mulher-espelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8528682104244812698?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8528682104244812698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8528682104244812698' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8528682104244812698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8528682104244812698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/maxismo.html' title='Maxismo'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8810269538559057072</id><published>2009-03-01T13:08:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T06:20:58.608-08:00</updated><title type='text'>O que é</title><content type='html'>É legal, alegre, colorido, radiante, impressionante, enriquecedor, e trás felicidade. É colorido, significativo, deslumbrante, indescritível, fantástico, musical, vibrante, divertido, gratificante e insuperável. É justo, e é lindo como a mais bela das mulheres, saudável, livre, amoroso e aconchegante. É rico, poderoso, forte, honesto, inteligente e criativo. É original, poético, brincalhão e humorado. Sorri, abraça, beija e acaricia. Conforta, ajuda, recebe, ama é é amado, brinca, trabalha e se diverte. Canta, assobia, observa e contempla. &lt;br /&gt;E o que mais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8810269538559057072?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8810269538559057072/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8810269538559057072' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8810269538559057072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8810269538559057072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/o-que-e.html' title='O que é'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6819415407399995206</id><published>2009-03-01T09:38:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T09:52:56.443-08:00</updated><title type='text'>Saia justa</title><content type='html'>Desde que conheço aquela figura, ele vem com papos de fazer swing. Minha mulher corava, e eu disfarçava olhando pra dele, que parecia gostar da idéia. Ai a minha mulher se mostrava irredutível, dizendo que apenas a idéia já era repugnante, e a dele, meio que concordava. E ele ria, com cara de tarado, enquanto eu ria debochadamente. Era claro que a minha não gostava dele, e a dele, talvez me preferisse a ele. &lt;br /&gt;Então o tempo passou e me separei. Apesar de uma boneca, minha mulher parecia uma âncora na minha vida. Pra que eu pudesse viver, já que é preciso, a separação foi necessária. E ele tomou um pé na bunda da mulher dele. Foi a separação mais violenta que vi, cheia de vinganças, magoas e sujeiras de ambos os lados. &lt;br /&gt;E o tempo passou mais ainda, como de costume, e ele arrumou uma outra maluca. Não sei bem como, porque é muito gata. Enquanto ele tem 46 anos, ela tem 21. E fomos visita-los. Eles moram em Florianópolis, canto da lagoa. Não tem muitos amigos, de modo que quando chega um, a vontade que tem é de que ficássemos dias. Que dormíssemos nas suas camas. E isso quase que literalmente. &lt;br /&gt;Só que desta vez quem não queria era ele. E a minha. Já a mulher dele estava louca pra dar pra mim, e por alguns momentos passamos por conversas surrealistas, onde ela manifestava essa vontade publicamente, gerando discussões ao casal, e perplexidade e constrangimento a nós. &lt;br /&gt;Não sei o que teria acontecido se tivesse a oportunidade de ficar a só com ela. Não perdia a oportunidade de me mostrar as calcinhas por baixo da mini saia, distraidamente. No fim, ficou tudo na fantasia costumeira, mas que deu uma apimentada no Carnaval isso deu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6819415407399995206?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6819415407399995206/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6819415407399995206' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6819415407399995206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6819415407399995206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/saia-justa.html' title='Saia justa'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7138478195431424039</id><published>2009-03-01T08:59:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T09:28:04.828-08:00</updated><title type='text'>Carnaval</title><content type='html'>O Homem_sofá me pergunta como foi o carnaval. O dele eu já sei, ficou vendo TV na frente do televisor, aquele desfile de escola de samba, um monte de gostosas rebolando, e se masturbando no sofá.&lt;br /&gt;Isso é terrível. Chega-se na quarta-feira de cinzas exausto, com olheiras, dor nas costas, e tendo que dizer que descansou bastante no carnaval, que não gosta disso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esse negócio de deitar no sofá e deixar a vida passar por hora está suspenso. Viajei, estive com amigos, peguei ondas, mesmo que pequenas e no meio da crawde, e um bocado de outras coisas interessantes. Na certa corri mais risco. Passei por uma tempestade na estrada de não se ver um palmo na frente do para-brisa. Morreram um pai e um filho neste momento. Caiu um raio e estam no meio da mata de eucalipto. &lt;br /&gt;O Carnaval pra eles terminou mais cedo. Dificilmente morreriam assim se estivessem vendo Tv np sofá. &lt;br /&gt;Eu não sei mais nada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho notado que o "palavra de Osho" não tem vindo mais aqui, e não é mais seguidor do Tio Rogs. Espero que não tenha o ofendido, mas sinto um ligeiro alívio por ter sumido. Não gosto de ter a sensação de um OSHO me olhando. Digo, um olho. Ainda mais quando se trata de um osho falso, um osho de vidro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da presença da "Eu sou neguinha". Deve ser gostosa a moça. De bem com a vida, aparece pra cumprimentar, interagir. E a "Escrevendo na Pelezinha", aquela safadinha de mente fértil. Não sei como pode ter sempre palavras lindas pra falar de sexo e amor. Talvez seja a reencarnação da madre Teresa de Calcutá arrependida daquela vida monástica. Quem duvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela das pernas lindas... Misteriosa sempre, gosto dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos que visitam aqui, o português que agora esqueço o nome, Manza, eu acho. Muito educado e caloroso. Enfim, cada um deve ter tido um Carnaval diferente. Aqui ou em Portugal, no sofá ou na praia, mais um dia se passa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7138478195431424039?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7138478195431424039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7138478195431424039' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7138478195431424039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7138478195431424039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/03/carnaval.html' title='Carnaval'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6078849166820392740</id><published>2009-02-27T18:48:00.001-08:00</published><updated>2009-02-27T18:51:01.122-08:00</updated><title type='text'>Salvar o mundo</title><content type='html'>Graças a d’EUs estou falando neste diário pessoal, anônimo, e meu. Assim posso falar sobre minhas impressões, memórias, e qualquer besteira que eu queira sem ser irresponsável. Apenas liberdade de expressão. Em muitas ocasiões erra-se, mas dessa liberdade de errar, fazemos um dia o acerto. Esta liberdade de expressão faz do erro necessidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é moda a ecologia. Continua moda saltos-altos agulhas, ou mudou o modelo esse ano? Qual o carro mais econômico a gasolina? E quantos litros de água são poluídos pra sua fabricação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era apenas um esquizofrênico, imaginava-me com a capacidade de mudar o mundo. Nesta época eu era preocupado com a ecologia, pensei em fazer o que hoje se chama ONG. Há mais de 20 anos reuni duas amigas e contei a idéias que tive de fazer uma agência de propaganda com uma ideologia ecológica. Todas as Contas deveriam ser de empresas engajadas com a ecologia, que pagariam para que fizéssemos um trabalho de educação ecológica e não uma campanha pra vender seus produtos. Chegamos a ir na Fepan. Lembro de terem pedido um projeto, e que havia uma bela fortuna de verba para caso estivéssemos à altura executar tal projeto. Saímos cagados, e praticamente nunca mais se falou no assunto. Apenas a idéia nunca me saiu da cabeça quando ouço esse papo de ecologia. &lt;br /&gt;Quando era esquizofrênico tinha idéias como essas. Olhava para o céu estrelado e pensava que precisava fazer alguma coisa. Achava-me responsável pelo rumo que as coisas estariam tomando caso eu não interviesse. Caso deixasse de ouvir aquela minha voz interior me encorajando, dando-me poder, coragem e propósito de vida. &lt;br /&gt;Aí convenceram-me de que estava louco. Que era psicótico, desajustado, e feliz demais. E triste demais. E me tornei um idiota.  &lt;br /&gt;Agora vejo o mundo assim, a um passo do fim, (até rimou), e imagino que na ecologia do meu corpo fui agredido com defensivos neuronais, poluído com todo tipo de verdades falsas, poluíram os rios da minha vontade, do meu poder, da minha alegria, amor a vida...  E eu deixei. &lt;br /&gt;Fui incompetente de salvar minha vida, e imaginava salvar o planeta? &lt;br /&gt;Que mico... Que irresponsabilidade geral. Mas enfim, a coisa mudou, tomei consciência, e agora vou salvar o mundo. Com licença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6078849166820392740?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6078849166820392740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6078849166820392740' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6078849166820392740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6078849166820392740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/salvar-o-mundo.html' title='Salvar o mundo'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5303335902260749361</id><published>2009-02-22T04:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T04:50:26.737-08:00</updated><title type='text'>No ranking das maldades</title><content type='html'>Nenhum conto de terror existiu sem ter sido inspirado do interior das famílias.&lt;br /&gt;Das famílias se ganha a força pra viver, quando são decentes; Raras!&lt;br /&gt;Mas quando indecentes, pode-se ganhar uma força terrível pra morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheço histórias, vivi histórias, ouvi histórias sobre o que se passa no íntimo dessa instituição. E não há nada mais devastador do que famílias. O embrião de todas as maldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houvesse um prêmio para os indivíduos mais maldosos e inescrupulosos que já existiram, sem dúvida, na entrega da medalha, por exemplo, Hitler no pódio, após ter ganho o prêmio da época em extermínio de massas, agradeceria sua família, que deu-lhe a base para sua "vitória".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fossem reconhecidos prêmios aos maldosos, todos os presídios do mundo tratariam seus detentos de filhos, não de presidiários. Agententes de seguranças, de irmãos. O  diretor de mamãe, e a lei, de papai. Cadeira elétrica seria herança. E a morte nossa missão de vida, valores a serem cultivados e perseguidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heróis realmente é aqueles que mesmo tendo vivido anos sob o jugo família, manteve integridade, pureza, e construiu uma personalidade saudável, sob toda a crosta repugnante de rancor, mágoa, vergonha, e tantas outras mazelas que uma família é capaz de impingir. Herói é aquele que se livra de todo o mal, e da sua família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5303335902260749361?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5303335902260749361/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5303335902260749361' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5303335902260749361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5303335902260749361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/no-ranking-das-maldades.html' title='No ranking das maldades'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5471072457121305451</id><published>2009-02-21T20:58:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T04:28:58.647-08:00</updated><title type='text'>Exagerado</title><content type='html'>É verdade, sou exagerado. Preciso deixar de ser exagerado.&lt;br /&gt;Preciso não julgar. E ter uma vida mais produtiva;&lt;br /&gt;Preciso trabalhar. E procurar crescer na profissão;&lt;br /&gt;Preciso estudar. Saber mais, e ainda aproveitar coisas boas da vida;&lt;br /&gt;Preciso ver o Pôr-do-sol. E também me divertir; &lt;br /&gt;Preciso apreender a sambar. E me manter forte e atraente;&lt;br /&gt;Preciso malhar. E me alimentar bem, direito;&lt;br /&gt;Preciso comer alimentos orgânicos de preferência, E evitar a carne;&lt;br /&gt;Preciso entrar numa ong contra matanças de animais; E ter uma atitude mais ecológica;&lt;br /&gt;Preciso deixar de tomar coca-cola, comer macdonad's, e casar.&lt;br /&gt;casar? Não, essa não... Preciso ser independente emocionalmente, só me envolver com quem seja igual a mim. É isso que preciso, de alguém do mesmo nível;&lt;br /&gt;Preciso fazer meu pé de meia. Me preocupar com o futuro.&lt;br /&gt;Preciso também ir ao cimema, ao teatro...&lt;br /&gt;Quem sabe uma plástica no nariz? Preciso é me aceitar como sou.&lt;br /&gt;Preciso uma carrada de coisas... Não pensar tanto... É isso que eu preciso;&lt;br /&gt;E meditar. Aummmm... Preciso aprender a meditar.&lt;br /&gt;Preciso me desapegar... Mas ter os pés no chão; &lt;br /&gt;Ter os pés no chão, mas a cabeça livre, leve e solta, ciativa;&lt;br /&gt;Preciso ser eu mesmo. Ser autêntico, meu próprio estilo.&lt;br /&gt;Preciso ter um estilo próprio, e desenvolver meus talentos;&lt;br /&gt;Preciso pintar. E desenhar mais, exercitar bastante.&lt;br /&gt;E preciso manter os amigos, cultiva-los, fazer mais.&lt;br /&gt;Preciso ser gentil, que quem é gentil recebe de volta.&lt;br /&gt;preciso respeitar as crenças dos outros As ignorâncias dos outros...&lt;br /&gt;preciso ser mais humilde. Preciso deixar de ser arrogante. &lt;br /&gt;Preciso é me divertir, andar de skate. Preciso ir surfar.&lt;br /&gt;E preciso encontar uma fórmula mágica pra fazer tudo que eu preciso. &lt;br /&gt;preciso não precisar de porra nenhuma pra ser feliz. &lt;br /&gt;Preciso ser feliz. Valorizar o essencial da vida. Amar.&lt;br /&gt;Amar o próxomo como a mim mesmo.&lt;br /&gt;Me amar. Crer. &lt;br /&gt;Preciso viver. &lt;br /&gt;Mas ja to vivo... &lt;br /&gt;Preciso calar a boca e dormir. &lt;br /&gt;preciso largar os vícios. Esse blog, outras drogas;&lt;br /&gt;Preciso... &lt;br /&gt;Pre juízo. &lt;br /&gt;Prejuízo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5471072457121305451?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5471072457121305451/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5471072457121305451' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5471072457121305451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5471072457121305451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/exagerado.html' title='Exagerado'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-3737657059653205783</id><published>2009-02-21T20:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T20:43:35.757-08:00</updated><title type='text'>Vergonha de ser humano</title><content type='html'>As vezes tenho vergonha de ser humano. Uma vergonha alheia. Pela crueladade que somos capazes. Nenhum outro animal é assim. Somos os piores dos animais. &lt;br /&gt;Dizem que podemos ser os melhores, os mais isso, ou mais aquilo. MAs até hoje eu não vi, de fato, nada tão humano assim, exceto nossa inteligencia desenvolvida pela priguiça, pelas nossas fraquezas. De virtuoso mesmo, nada que me lebre. &lt;br /&gt;Ah, sim, alguns humanos, pouquíssimos, honraram nossa espécie. Mas de fato, pouquíssimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-3737657059653205783?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/3737657059653205783/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=3737657059653205783' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3737657059653205783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/3737657059653205783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/vergonha-de-ser-humano.html' title='Vergonha de ser humano'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7081106063201788091</id><published>2009-02-20T10:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T11:41:09.886-08:00</updated><title type='text'>Nossas amigas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZ7-x512B6I/AAAAAAAAAM0/k0i5v22Kbl0/s1600-h/004.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZ7-x512B6I/AAAAAAAAAM0/k0i5v22Kbl0/s320/004.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304957544382728098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há um tempo atrás havia apresentado duas mulheres que transava. Nany e Patrícia, vamos chamar assim. Nany é loira de verdade, cabelos lisos, bem claros e em abundância. Verdadeiras crinas. Os olhos azuis parecem duas bolitas de gude, emoldurados por olhos italianos, sempre com os cílios pintados, deixando que pareçam aranhas abertas para o bote, ou pétalas de flores carnívoras. Pele clara, cravejada de pintinhas pretas nas costas, seios fartos, e mamilos rosa, lisos como uma adolescente antes do primeiro sutiã. Alta, sempre de saltos, dona de uma bundinha de respeito. Ou falta dele. &lt;br /&gt;Em fim, não dá pra descrever a mulher. Cada cm2 é perfeito, da unha do pezinho a última vértebra da espinha dorsal. Casada, o marido ciumento vive embarcado em navios, com um bando de machos, e a pobrezinha aqui sozinha, precisando de beijinho beijinho e pau pau. &lt;br /&gt;Ai entra o Tio. Resolvi colaborar com as fantasias de Patrícia muito motivado diga-se de passagem, e começamos a sociedade da sacanagem. &lt;br /&gt;Patrícia é uma espécie de Julia Robert trash. Tresh de tresh mesmo, que apesar de não ser tão linda quanto a americana, não fica muito atrás. Talvez só lhe falte Hollywood por trás. Alta, corpo de modelo, seios proporcionais, mamilos que arranham o peito , cabelos lisos e finos que no primeiro puxão vem metade. Sem falar do rebolado funk. &lt;br /&gt;Uma mulher quando é linda e se solta como uma funkeira do subúrbio carioca, se torna algo inesquecível. Rende punhetas pro longo da vida... &lt;br /&gt;No entanto, pervertida considera elogio. É da mente dela que evapora toda essa sordidez. Passa horas navegando em sites pornôs, masturba-se umas 200 vezes por dia como... (só ela?), até entrar num estado depressivo e mórbido. Mas no fim das contas não realizou nem 0,5% de suas fantasias. Não que não tenha coragem, mas talvez não tenha o o resto. &lt;br /&gt;Sobre mim? Nem falaram direito. Que iam se pegar, pq da primeira vez ficaram só no beijo. (A vantagem é que não brocham), mas ficaram amicíssimas. Talvez depois me chamassem. Talvez depois eu esteja apaixonado, casado e feliz, só com minha esposa. Ou já tenha cansado dela e aceite o convite... Ou talvez... Ah... &lt;br /&gt;Uma casou, a outra foi no casamento. Pegou o buquet. Eu disse pegou o buquet. &lt;br /&gt;Ela sempre foi boa nisso, não me admira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7081106063201788091?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7081106063201788091/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7081106063201788091' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7081106063201788091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7081106063201788091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/nossas-amigas.html' title='Nossas amigas'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZ7-x512B6I/AAAAAAAAAM0/k0i5v22Kbl0/s72-c/004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4423786831006505851</id><published>2009-02-20T08:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T08:46:18.993-08:00</updated><title type='text'>Trabalho é legal...</title><content type='html'>1. PROCURE SER POLIVALENTE&lt;br /&gt;Não saia a procura de um determinado cargo ou função numa organização. Procure encontrar um lugar onde suas competências, habilidades e capacidades se encaixem, fazendo de você uma pessoa realmente útil à organização em que pretende trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. SEJA FLEXÍVEL&lt;br /&gt;Talvez a oferta que se apresenta para você não seja exatamente aquilo com que você sonhava. Que fazer? Deixá-la de lado e continuar de braços cruzados? Não tenha medo de experimentar. Se o que estiver sendo oferecido lhe permitir executar pelo menos parte de suas habilidades (aquilo em que você é bom), aceite e vá em frente. Se conseguir utilizar o que sabe ou tem capacidade de aprender em benefício real de seu empregador isto já é um bom começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.CORRA ATRÁS&lt;br /&gt;Não espere que as oportunidades caiam no seu colo. Corra atrás delas. Correr atrás de uma oportunidade não é ficar agradando seus chefes. É procurar aumentar seu conjunto de competências, habilidades e capacidades, procurando aprender cada vez mais dentro e fora da escola que freqüenta, dentro e fora do trabalho que realiza atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. CADA POSTO DE TRABALHO É UM POSTO DE APRENDIZAGEM&lt;br /&gt;Enquanto seu posto de trabalho lhe oferecer oportunidades de aprendizagem e de crescimento pessoal e profissional, ele é bom para você.  Quando o trabalho se estagnar e cair numa rotina, isto é, quando ao fim do dia, você sentir que nada aprendeu, chegou a hora de mudar.  Por isso não se concentre apenas em seus deveres e obrigações funcionais. Olhe a organização como um todo. Procure estar por dentro do que está acontecendo em outras organizações, observe as tendências do mercado. Procure aprender alguma coisa todos os dias. O dia em que você não aprendeu nada em lugar nenhum, é um dia perdido em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. ENCARE SEU EMPREGO SEMPRE COMO TEMPORÁRIO&lt;br /&gt;É uma ilusão alguém preparar-se a vida toda para um único posto de trabalho. Um belo dia, uma mudança tecnológica, organizacional ou mesmo uma crise acontece e seu trabalho, que era sólido, se desmancha no ar. Procure preparar-se para o mundo do trabalho. Hoje em dia não existe ninguém formado. Todos nós estamos em formação o tempo todo. Quem abrir mão da formação permanente está sujeito a tornar-se obsoleto, a perder a sua empregabilidade e a ter que viver de bico o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. TODO EMPREGO DEVE SER VISTO COMO UM DESAFIO&lt;br /&gt;Ninguém pode prever nos dias de hoje o que vai acontecer com o seu emprego ao longo dos próximos anos. Portanto, ao conseguir uma vaga em algum lugar, não se acomode.  Desenvolva a mentalidade de que aquele emprego é parte de um mundo de trabalho que deverá mudar muito nos próximos anos. Procure conhecer o rumo das mudanças e prepare-se para elas. Como? Melhorando sua formação escolar, fazendo cursos de curta duração que aperfeiçoem o seu trabalho, aprendendo línguas, aprimorando-se nas tecnologias de informação e da comunicação. Adquirindo habilidades de liderança e de trabalho em equipe, aumentando sempre que possível a sua cultura geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. DESENVOLVA UMA POSTURA PROATIVA&lt;br /&gt;Procure fazer sempre mais e melhor do que lhe está sendo exigido no momento.&lt;br /&gt;Em vez de reagir às exigências, procure adiantar-se a elas e surpreender positivamente seus superiores hierárquicos. Esta é uma questão de atitude, de posicionamento diante do trabalho e da vida.  Não procure competir com seus colegas de trabalho, compita consigo mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. FAÇA DE SEU TRABALHO UM PROFESSOR&lt;br /&gt;Ao iniciar sua jornada de trabalho, pergunte-se todos os dias: o que vou aprender de útil para a organização e para mim ao longo deste dia? À noite, repasse em sua mente todos os acontecimentos e procure tirar lições, aprendizados de tudo que você percebeu de certo e de errado ao longo do dia.&lt;br /&gt;O trabalho e a nossa vida são uma escola e nela podemos aprender tanto com os acertos como com os erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. OBSERVE OS PROFISSIONAIS BEM SUCEDIDOS&lt;br /&gt;Seja um caçador de bons exemplos. Observe atentamente as maneiras de ver, entender, decidir, interagir e reagir dos melhores profissionais. Selecione aqueles que você mais se identifica e procure ir incorporando seus exemplos em sua maneira de atuar na organização. Não seja um mero imitador. Isto não dá certo.  Procure assimilar tudo aquilo que você sinceramente admira nas pessoas. Aquilo que combina com o seu querer-ser como pessoa e como profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. A PRINCIPAL SATISFAÇÃO DEVE VIR DO PRÓPRIO TRABALHO&lt;br /&gt;Se sua principal satisfação vier do salário ou lazer que se segue ao trabalho, alguma coisa esta errada. A principal satisfação de quem trabalha deve vir do próprio trabalho, do sentido de utilidade e de realização que ele traz para sua vida.  Se o seu trabalho for um preço caro que você paga para ter um salário e a segurança de um emprego, procure mudar.  Você pode estar no lugar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só as pessoas que estiverem conscientes e focadas em seu auto-desenvolvimento, serão capazes de responder rapidamente às mudanças tão aceleradas, adaptar-se à nova realidade tecnológica, e superarem desafios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * Para muitos isto pode parecer óbvio, mas o grande questionamento é: por que reclamamos tanto de como somos atendidos e da má qualidade de parte de serviços e produtos adquiridos no dia-a-dia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4423786831006505851?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4423786831006505851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4423786831006505851' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4423786831006505851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4423786831006505851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/trabalho-e-legal.html' title='Trabalho é legal...'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6890512585405560205</id><published>2009-02-20T08:33:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T08:45:21.221-08:00</updated><title type='text'>Lema moderno</title><content type='html'>Vou desenhar um gibi, plantar um pé de maconha e comprar mais um cachorro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-6890512585405560205?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/6890512585405560205/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=6890512585405560205' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6890512585405560205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/6890512585405560205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/lema-moderno.html' title='Lema moderno'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-7014716237431055024</id><published>2009-02-19T19:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T08:33:02.165-08:00</updated><title type='text'>To vivo</title><content type='html'>To vivo, e vivendo. &lt;br /&gt;Escrever é relatar, e enquanto se escreve não se vive realmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elis já cantava, "Viver é melhor que sonhar...". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que é melhor, mas viver é mais incrível que a fantasia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-7014716237431055024?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/7014716237431055024/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=7014716237431055024' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7014716237431055024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/7014716237431055024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/to-vivo.html' title='To vivo'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-8650670960348479522</id><published>2009-02-14T19:16:00.001-08:00</published><updated>2009-02-14T19:16:54.876-08:00</updated><title type='text'>O SERENO PESSIMISTA</title><content type='html'>— Como é que, após dez anos de parada, foste fazer um filho?&lt;br /&gt;— Que queres? Estávamos no Hotel Continental. Havia uma cama, eu sofria de insônia e minha mulher acabara de ler o jornal.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;E isto não é um caso isolado. Salvo algumas raras exceções, acontece quase sempre assim. A vida de cada um de nós é a conseqüência de um preservativo rasgado, de uma lavagem feita depois do tempo, de um óvulo antifecundativo que não se dissolveu, ou de qualquer outra prática neomalthusiana que falhou. Se a serpente, em vez de oferecer a Adão e Eva a maçã, tivesse pendurado à árvore do Bem e do Mal um bom irrigador, o gênero humano nunca teria existido.&lt;br /&gt;Nasce-se quase sempre por engano.&lt;br /&gt;Da parte dos queridos genitores quase nunca existe a intenção de nos darem à vida.&lt;br /&gt;Sei de um sujeito que veio ao mundo porque a mãe, concubina de um banqueiro um tanto volúvel, compreendera que para fazer-se desposar por ele não havia nada melhor que arranjar-lhe um filho. Este veio, portanto, ao mundo para dar uma situação financeira à mãe.&lt;br /&gt;Sei de outro que nasceu porque a mãe, depois de uma série de abortos provocados, ouviu do médico esta sentença:&lt;br /&gt;— Para sarar da sua salpingo-ovarite ser-lhe-ia bom ter um parto regular.&lt;br /&gt;Outros nasceram para operar uma lavagem na alma das mães, que após anos e anos de prostituição entenderam de se purificar, tendo um filho. Dir-se-ia que aquele embrião de homem que se forma realiza durante a sua estadia do útero uma espécie de desinfeção moral, de absorção de impurezas, como aquelas tiras de gaza fenicada que os cirurgiões introduzem nos furúnculos para absorver o pus.&lt;br /&gt;E conheço finalmente um tal que, concebido por distração, foi, durante a sua vida uterina, submetido a todos os tratamentos da sonda, da arruda e do fósforo, para impedir que nascesse. Durante o sétimo mês a mãe entregou-se às mais acrobáticas danças, esperando que se lhe rompesse o saco amniótico; e quando, apesar de todas essas manobras o guri nasceu vivo e vital, deram-lhe o nome de “Benvindo”,&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Benvindo Amsterson é um dos meus bons amigos. Conheci-o num transatlântico, quando regressava do México, aonde fora enviado por um jornal de Roma à espera de uma revolução que depois não houve. Na volta fiz a viagem com ele, que vinha à Itália estudar a arte e beber o sol. Lembro-me como se fosse ontem — e passaram vinte anos; eu tinha, então, trinta e cinco — dos discursos que me fazia à noite, no convés, sobre a paz trágica do oceano estrelado.&lt;br /&gt;— Eu não compreendo — dizia — como é que se pode, com tão inconsciente leviandade, lançar filhos ao mundo. Criar uma vida! Pensa — dizia-me — que atroz responsabilidade! O meu único temor é este; ter um filho! Os outros homens dão a vida com o mesmo desembaraço com que eu lanço ao mar esta ponta de havana.&lt;br /&gt;Isto dizendo, o jovem Benvindo Amsterson atirou a ponta acesa e acompanhou-a na parábola. Quantos homens, depois de terem lançado à vida uma outra se desinteressam por completo da parábola que descreverá no mundo.&lt;br /&gt;Benvindo Amsterson foi meu amigo durante vários anos. Tivemos em comum a casa, os livros, as amantes. Olhamos para o pensamento e para a vida um do outro muito melhor do que cada um de nós pode fazer na própria vida e no próprio cérebro. Sei tudo dele: o bem e o mal; e como me gabo de ter u’a memória prodigiosa, escreverei a seu respeito como se estivesse copiando de um livro de histórias, ou melhor, de um romance.&lt;br /&gt;À idade de vinte e dois anos Benvindo Amsterson fez-se amante de u’a mulher belíssima que tinha um nome como Gertrudes, Catarina, Rosmunda; um desses nomes que são vulgares quando usados por uma cozinheira, e decorativos quando os leva uma princesa.&lt;br /&gt;Era uma domadora de leões, do circo de Hagembeck.&lt;br /&gt;Mulher feita para o amor, não para a filiação. Era u’a amante demasiado hábil para ser boa mãe. O seu corpo tinha proporções tão hormoniosas e puras, que parecia modelado para o amor, que não deforma, e não para a maternidade que incha desastradamente as linhas. Nem todas as plantas são destinadas a dar frutos; muitas são destinadas a produzir somente flores, sem que todavia a espécies sofra; a espécie das tuberosas e das orquídeas não se extingue, mesmo que todos os anos na Costa Azul se colham milhões. A maternidade, essa função animalesca que é a maternidade, não está reservada a todas as mulheres, mas só a uma categoria. As outras são feitas para o amor.&lt;br /&gt;A domadora de leões fora feita para o amor.&lt;br /&gt;Contudo, um dia ficou grávida.&lt;br /&gt;Lembro-me, lembro-me do desespero do meu amigo Benvindo Amsterson.&lt;br /&gt;— Um filho — me dizia — um filho! Mas pensa que desgraça! Eu não quero um filho. Eu não quero dar infelicidade a ninguém. E dando a vida dá também a infelicidade.&lt;br /&gt;— Imagina — me dizia — a que pavorosa responsabilidade eu me exponho! Pensa que desgraça, se o meu filho for um doente. Pensa que horror, se for um estúpido. Pensa que tragédia se tiver a desventura de ser inteligente! Estúpido ou inteligente, será um infeliz porque se verá esmagado pelos outros homens; se for inteligente será infeliz porque verá a torpeza que ferve neste ignóbil charco que é o mundo e sofrerá com isso. Entre as duas coisas eu preferiria que nascesse estúpido. Os inteligentes são os mais desgraçados, porque têm os olhos abertos.&lt;br /&gt;— Eu já vejo — me dizia Benvindo Amsterson — este filho aos nove anos: uma cabeça rapada de reprovado crônico ou de primeiro da classe, que é a mesma coisa. Vejo-o empenhado em meter as mãos por baixo da saia das criadas e fazer coleção de selos, e juntar areia nas praias e arranjar salitre para fazer pós explosivos. Vejo-o já fumando o primeiro cigarro e vomitar; vejo-o ler tranqüilamente o jornal e dizer besteiras.&lt;br /&gt;— Mas com que direito — se debatia obstinadamente Amsterson — dou a vida a um indivíduo? dou-lhe o meu nome? crio-lhe obrigações para comigo? amarro-lhe aos tornozelos essa cadeia que é a família? Com que direito, por lhe ter feito o triste dom da vida, dou-lhe o nome de Esupério ou Calógero, insuflo-lhe as minhas idéias, lanço-o na carreira que me agrade a mim, dou-lhe mulher segundo os meus gostos?&lt;br /&gt;“Todos os homens deveriam ser bastardos para não se afeiçoarem a ninguém, para não se 1igarem a ninguém.&lt;br /&gt;“O bastardo! Que haverá de mais belo que ser um bastardo? Poder odiar e desprezar todo o mundo sem fazer reservas para o próprio pai e a própria mãe!&lt;br /&gt;“Felizes os bastardos!&lt;br /&gt;“Eu quisera que os bastardos fossem considerados como uma casta de eleição, privilegiada, como os fidalgos espanhóis, como os samurais japoneses!&lt;br /&gt;“Entre nós, porém, são desprezados. E por isso deverei ainda impor-lhe o meu nome, encaminhá-lo para uma carreira que decerto não será a mais adequada para ele porque não há pai que saiba encaminhar con&amp;shyve&amp;shynien&amp;shyte&amp;shymente um filho.&lt;br /&gt;“E se ao contrário, for mulher? Oh, seria muito melhor!&lt;br /&gt;“Se for bela e inteligente fá-la-ei uma atriz, uma artista, uma “cocotte”.&lt;br /&gt;“Se for bela e burra fá-la-ei uma boa mulher.&lt;br /&gt;“Se for feia e inteligente, uma advogada, uma professora, uma doutora em medicina.&lt;br /&gt;“Se for feia e burra não se dará conta de ter um e outro defeito, e será contente de si.&lt;br /&gt;“Oh, se pelo menos eu tivesse a sorte de me nascer uma filha!&lt;br /&gt;“Faria dela u’a mulher diferente de todas as outras escrofulosas de falsos pudores; faria dela u’a mulher de vistas largas, atrevidas, rebeldes, que quando alguém lhe perguntasse: “Por que a senhorita não toma banho?“ respondeses com desembaraço: “Porque estou com a menstruação”.&lt;br /&gt;“Mas se tivesse a sorte de não nascer nada!&lt;br /&gt;“Entretanto — acrescentou Benvindo — já estou no extremo limite da juventude: estou no ponto da vida em que se sente a necessidade de ter um filho. Um filho que tome sobre si a minha acabada juventude e a continue.&lt;br /&gt;“É um erro crer-se que nos filhos a gente queira reproduzir a vida.&lt;br /&gt;“Queremos reproduzir a juventude.&lt;br /&gt;“Mas como poderia eu — dizia Benvindo — ser um pai diferente dos outros? Eu vejo claramente a burrice dos outros educadores; os erros grosseiros, as torpezas obscuras em que caem os outros pais. E como poderei impedir-me de ser um pai como todos os outros!&lt;br /&gt;“Repare como se educam os filhos: não dão dinheiro aos rapazes e pretendem que não roubem; conservam-os longe das mulheres e querem que não se masturbem: rodeiam-os de mentiras e exigem que os rapazes digam sempre a verdade.&lt;br /&gt;“Sabe qual é a idéia que me aterra? Que meu filho um dia pense que eu sou um imbecil. Eu muitas vezes pensei isto do meu pai. Os filhos são juízes implacáveis, porque neles há ao mesmo tempo o juiz e a testemunha; as crianças não julgam: ficam perplexas, estupefactas; este estupor dura muito tempo, grava-se como um sonho na cera da observação. E dez anos depois julgam, lendo na própria memória como num feixe muito bem ordenado de documentos. Julgam e condenam. E então o pai não está mais em tempo de se reabilitar. No conceito do filho está irremediavelmente perdido.&lt;br /&gt;“Um castigo injusto, uma resposta tola, uma sombra de covardia, os filhos no-los fazem expiar cruelmente com o seu desamor.&lt;br /&gt;“Eis por que a perspectiva de ter um filho me assusta como uma pavorosa ameaça!”&lt;br /&gt;Assim falou Amsterson.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Alguns meses mais tarde o ventre da domadora de leões se desinchava e se livrava de um quilo de matéria. Àquela matéria de sexo masculino foi dado o nome de Marcelo.&lt;br /&gt;Benvindo — o pai — sentiu-se feliz.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Sentiu-se feliz, ele que até o dia anterior tivera terror da paternidade. O nascimento daquele marotinho tivera o poder de transformar completamente o seu modo de pensar.&lt;br /&gt;O sentimento da paternidade existe latente em nós, e fatalmente desperta um dia. A nossa vida é uma sucessão de transformações, ou, mais exatamente, é uma sobreposição de atitudes.&lt;br /&gt;A maturidade não é u’a modificação da juventude; a velhice não é uma transformação da maturidade. Juventude, maturidade e velhice são três entidades que se sobrepõem primeiro e se substituem uma à outra, gradualmente. A velhice não é produzida pela metamorfose do corpo, mas é qualquer coisa que se desenvolve em nós; qualquer coisa de exterior a nós, que entra em nosso eu; aos vinte e seis anos senti entrar em mim a maturidade; aos quarenta senti que em mim entrava a velhice; aos quarenta e cinco comecei a ver a caveira sob a minha pele; comecei a ver em mim, por transparência, a morte. A morte não chega um belo dia com a foice no ombro para levar-nos, mas instala-se em nós desde o nascimento. Nascendo, nós começamos a morrer.&lt;br /&gt;Jovem é aquele que ainda não se apercebe de que começa a morrer.&lt;br /&gt;O mesmo acontece com a paternidade. Mesmo quando a nossa prole está no porvir longínquo, já nos sentimos pais. O primeiro filho confirma em nós a paternidade, como em nós que morremos pouco a pouco a morte definitiva confirma o fim.&lt;br /&gt;O pequeno Marcelo até aos cinco anos nada fez de notável.&lt;br /&gt;Aos cinco anos disse a primeira mentira.&lt;br /&gt;Àquela primeira mentira o pai sentiu-se em verdade velho, porque quem diz a primeira mentira já é, de verdade, homem.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;— Ao meu filho — me dizia Benvindo — darei uma educação muito especial. Os outros educadores metem no cérebro e nos hábitos do educando uma quantidade interminável de erros, de ingenuidades, de tolices que servem para a infância, para a escola, para a sacristia, para a casa, mas que eles um dia terão que repudiar e destruir se quiserem viver na realidade.&lt;br /&gt;A maior parte dos cretinos — e eles existem entre os médicos, os advogados, os docentes, os engenheiros, os comerciantes, os industriais, os oficiais e os magistrados — a maior parte dos cretinos é assim porque conservaram no seu código os princípios que lhes inocularam para a infância, sem procurar eliminá-los e substitui-los por outros, tirados da experiência da vida. Inteligente é quem os renegou, todos.&lt;br /&gt;— Pois bem, eu não quero — dizia Benvindo Amsterson — que meu filho tenha esse duplo trabalho de absorver primeiro para ter de eliminar e renovar depois. E quero esclarecê-lo logo sobre a realidade do mundo.&lt;br /&gt;— Fá-lo-ás desgraçado — objetou-lhe alguém.&lt;br /&gt;— Não — respondeu Amsterson —. Revelar-lhe-ei logo a perfídia dos homens, a podridão do mundo, a falsidade da vida para que esteja preparado para tudo, sempre. Infeliz é aquele que, iludido, se desilude. Mas o meu filho não será desses, porque não lhe deixarei o tempo de se iludir nunca. Eu quero fazer dele um pessimista, mas um pessimista sereno.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;O pai não lhe incutiu uma religião para não dar-lhe o incômodo de defendê-la ou de repudiá-la. Se ele um dia quiser abraçar uma religião, pensava — escolherá. A escolha de uma fé não tem maior importância do que a escolha de um cartão-postal; todas se eqüivalem e não há uma que sirva para nada de útil.&lt;br /&gt;Não lhe falou da pátria.&lt;br /&gt;A pátria é aquele conjunto de pessoas que nem sequer temos o prazer de conhecer, e que fuzilam a gente pelas costas se a gente não se faz matar por elas.&lt;br /&gt;A “pátria” é um glossema, uma palavra que serve para arrastar as reses ao matadouro, em bem dos interesses dos pastores que ficam em casa.&lt;br /&gt;Não lhe ensinou a beleza do heroísmo, que só presta para brilhar aos olhos das mulheres, que chamam de covardes aos homens com tanto desembaraço, ao passo que tomam clorofórmio para cortar uma unha, e choram fazendo uma irrigação vaginal com água fria.&lt;br /&gt;Disse-lhe que a família é uma fórmula hipócrita que cobre as mais baixas especulações; que a casa é um lugar fechado e coberto onde se come, e às vezes não se paga pensão; nós pagamos já com ágio a hospedagem suportando, sem protesto, os vizinhos de mesa repugnantes e importunos.&lt;br /&gt;— A honestidade, — lhe disse Benvindo — o dever, a fraternidade, o desinteresse são como os fenômenos espíritas; quando a gente se aproxima para ver, ou não se realizam ou se realizam por escamoteio.&lt;br /&gt;“A honestidade, o dever, a fraternidade, o desinteresse são como as colunas dos templos antigos, que não têm mais teto, e continuam de pé em fragmentos, para atrair a atenção platônica, o entusiasmo frio, ou, quando muito, alguma retórica. Mas ninguém pensaria nunca em procurar neles refúgio ou uma utilidade qualquer, pois todos sabem que não servem mais que para provocar grandes palavras e belas frases.&lt;br /&gt;“A amizade — insistia o pai — é uma aventura ocasional como um conhecimento feito no bonde.&lt;br /&gt;“Quando tens uma disputa com alguém, e um terceiro toma o teu partido, não toma o teu partido para te agradar a ti, mas para causar dano ou fazer uma perfídia ao outro.&lt;br /&gt;“Quando alguém vier te pedir explicações por uma tua suposta ofensa, dá-lhe logo um soco no olho, tenhas razão tu ou tenha razão ele. Procura não furar-lhe o olho, não porque isso seja mal, mas porque é um daqueles gestos que os industriais do justo e do injusto convencionaram punir.&lt;br /&gt;“Não escutes conselhos de ninguém. Quando alguém te der conselhos, pede-lhe mil liras emprestadas. Verás que se vai embora.&lt;br /&gt;“Dá pouquíssima importância às palavras. Todos os acontecimentos humanos se deram e realizaram após ter sido precedidos ou seguidos de torrentes de palavras que fariam prever o contrário.&lt;br /&gt;“Nunca deixes nas mãos dos teus amigos ou das tuas amantes armas que possam usar contra ti. Como a amizade e o amor têm de acabar durante as tuas relações com o amigo ou com a amante, reúne tu também provas da sua malícia e da sua desonestidade. Um dia, quando ele procurar ferir-te, terás com que feri-lo. A mulher que abandonas ou que te abandona, torna-se tua inimiga; como todas as mulheres são prostitutas, mesmo as que não se fazem pagar, ela passará ao seu novo amante, entre dois coitos, as confidencias que tu, em todo segredo, entre um coito e outro houveres feito a ela.&lt;br /&gt;“E a mulher age assim de boa-fé, porque é sempre o último homem o que ela julga digno do seu amor, o que julga amar. Se a interrogares sobre qualquer um dos amantes que te precederam na sua cama, ainda que por ele tenha tentado suicidar-se, te responderá: “Não o amava. Julgava amá-lo”.&lt;br /&gt;“Nunca faças benefícios a ninguém. Lembra-te de que os benefícios se expiam. Se alguém te pedir a indicação de uma rua, dirige-o para o lado oposto; se te pergunta a hora dize-lhe quarenta e cinco minutos menos, e com isso o farás perder o ônibus.&lt;br /&gt;“Odeia o teu próximo como amas a ti mesmo; e não esqueças que a vingança é uma admirável válvula de segurança para a nossa dor. Se alguém te ofende, não perdoes. Finge que perdoas, a fim de que a tua vingança o fira inesperada e em cheio.&lt;br /&gt;“Não te inflames por uma idéia. Os que se fazem matar por uma idéia são bestas. Quem está verdadeiramente convencido da bondade da própria idéia não gasta nem um centímetro cúbico de alento para demonstrá-la aos outros. Inteligente não é o que se faz matar por uma idéia, mas o que não lhe dá importância. Acredita-me: uma boa digestão vale mais que todas as idéias da humanidade.&lt;br /&gt;“De outra parte, que são as idéias? Que há mais relativo que a idéia? O homem é um traidor ou um mártir, segundo se olha para ele de um lado ou de outro da fronteira. A mulher é um “tesouro” quando está na cama do amante; mas se entra o marido torna-se uma “adúltera”.&lt;br /&gt;“Não te enamores nunca das palavras altissonantes. O belo gesto serve quase sempre para mascarar uma inferioridade ou uma incapacidade. Cornélia, mãe dos Gracos, à amiga que com faceirice lhe mostrava braceletes e colares, apresentou os próprios filhos, dizendo: “Aqui estão as minhas jóias”. Pois bem, meu rapaz, se Cornélia, mãe dos Gracos, tivesse anéis e cadeias mais ricas do que as da amiga, não fazia por certo o rodeio de mostrar-lhe os garotos.&lt;br /&gt;“A mãe espartana que sacrificava o filho à pátria, devia ser uma rameira qualquer, que se queria libertar dele para mais comodamente desempenhar o seu ofício. Uma mãe que ame o filho, não quer saber de vitória, de pátria, de mundo, contanto que o filho se salve. Para mim é uma boa mãe, uma autêntica mãe a que ajuda o filho a desertar.&lt;br /&gt;“Durante as guerras, os que põem bandeiras nas janelas são os que dão menos em sangue ou em dinheiro.&lt;br /&gt;“Nunca digas a verdade. A mentira é uma arma. Falo da mentira útil, necessária. A mentira inútil é antipática como é odioso o inútil homicídio. A mentira é uma arma de legítima defesa; ela não é degradante nem vergonhosa, do mesmo modo que não é vergonhoso nem degradante fechar os cofres ou tapar com um palmo de fazenda os rasgões do casaco.&lt;br /&gt;“A mentira serve para guardar os tesouros do nosso pensamento e para cobrir os remendos da nossa consciência. O teu próximo é tão miserável no espreitar-te para te fazer mal pelas costas, que me parece mais que honesto fazê-lo perder a tua pista ocultando-lhe a verdade.&lt;br /&gt;“Nunca discutas com as mulheres. Nunca procures ter razão. Em ter razão com as mulheres perde-se sempre, porque quando se chega a convencê-las de que estão erradas, dizem (ou pensam): Eu não tenho razão, mas tu és um imbecil.&lt;br /&gt;“Não desejes a mulher de outrem, mas se a desejares toma-a livremente.&lt;br /&gt;“Quando no teatro, no bonde ou na cama de u’a mulher há um lugar desocupado, toma-o tu antes que outro o ocupe.&lt;br /&gt;“Quando u’a mulher não se quer deixar despir, não insistas. Despir-se-á por si.&lt;br /&gt;“Com isto não quero dizer que todas as mulheres sejam fáceis. Elas se dividem em duas categorias: as que se entregam a ti e as que a ti não se entregam. As que não se entregam a ti dão-se a outros.&lt;br /&gt;“Não creias nunca na amizade de u’a mulher. Quando u’a mulher disser que sente amizade por ti, isso quer dizer que começa a te amar ou a não te amar mais.&lt;br /&gt;“O amor é como um líquido posto a ferver. Mal pára de aquecer, começa a resfriar-se. Mal a temperatura cessa de subir, começa a descer. Quando u’a mulher não te ama “cada dia mais”, podes ficar certo de que te ama cada dia menos.&lt;br /&gt;“Grava no teu córtex cerebral que todas as mulheres são cruéis. Podes desejar uma até o delírio, até à loucura, até ao suicídio. Ela, se não quer entregar-se, recusará ainda que tu tenhas de delirar, enlouquecer, morrer. E entregar-se-á a outro qualquer, mesmo que não lhe agrade, pelo mero capricho de entregar-se. E lembra-te de que, feitas raras exceções de recusa obstinada, todas as mulheres se entregam com grande facilidade, como aqueles modelos de reclamo que as fábricas remetem mediante simples pedido feito em cartão de visita.&lt;br /&gt;“O primeiro amor e a primeira blenorragia não se curam nunca. Todos os sucessivos, sim. Mas o primeiro deixa sinais para toda a vida.&lt;br /&gt;“Não indagues nunca do passado de nenhu’a mulher. É melhor ignorá-lo. Deixa que tenha qualquer passado sujo, mas não procures descobri-lo. A torpeza e o mal só existem na medida que os conhecemos.&lt;br /&gt;“Se tens medo que u’a mulher te queira fazer dormir com ela, faze-lhe a corte. Ela, naturalmente, por boa educação, dá-se ares de repelir-te, ou pelo menos de resistir.&lt;br /&gt;“Tu, então, não insistas mais e some-te.&lt;br /&gt;“Ela, vendo que te retiras, corre atrás de ti, e então tu tens o prazer de rejeitar, causar-lhe duplo despeito, tens dupla satisfação, e poupas o desgosto de ires para a cama com u’a mulher que não te agrada.&lt;br /&gt;—“As mulheres chamadas honestas não existem. Existem fenômenos de frigidez sexual, em mulheres que têm os órgãos defeituosos ou foram submetidas a intervenções cirúrgicas. Mas a maior parte das mulheres honestas são as que fazem escondidas as piores sujeiras. As mulheres de quem “não se conhecem os amantes” são as que se dão ao caixeiro do açougue ou ao dentista.&lt;br /&gt;“Pelas ruas provincianas vemos muitas vezes os pedestres insultarem e amaldiçoarem os que andam de automóvel. Outro tanto sucede no amor: os velhos, as mulheres feias que ninguém quer, as virgens rançosas desprezam e insultam as que têm um amante. Pois bem, a esses pedestres do amor, não podemos mais que atirar, em nossa carreira para o prazer, a poeira, a lama e os restos do nosso banquete.&lt;br /&gt;“Se à passagem de duas mulheres tu olhares uma, a outra te rirá na cara. Para ter êxito na vida é preciso fazer a corte às mulheres, mas livrar-se de todas.&lt;br /&gt;“As mulheres cujo corpo foi um espetáculo de entrada sempre franca são mais dignas de amor que aquelas que só se abrem, como os teatros provincianos, nas ocasiões solenes. Estes cheiram a fechado.&lt;br /&gt;“Não recues diante das mulheres que “jamais caíram”. Todas as mulheres, antes de caírem a primeira vez, nunca tinham caído. Do fato de jamais terem caído não se deve tirar um juízo de pureza absoluta. Nunca tendo caído, mais fácil será fazê-las cair. As que caíram várias vezes têm menor probabilidade de tornar a cair, porque agora já sabem de que se trata.&lt;br /&gt;“Não digas: É inútil tentar com aquela mulher, porque há outro. Em amor, se devêssemos beber somente onde não há outro que beba, morreríamos de sede.&lt;br /&gt;“Lembra-te, meu filho, de que a beleza e a elegância são tudo. Mais vale um belo par de bigodes que um diploma. Impressiona mais uma peliça de “rat musqué” do que uma cultura enciclopédica. De dois senhores que esperam numa ante-sala, será introduzido primeiro o que estiver mais bem vestido.&lt;br /&gt;“Vemos, nos salões e nas sociedades cinco ou seis homens de valor girarem ao redor de uma senhorita que se dá ares de ter roda, ensartando alegres pulhices, distilando brilhantes banalidades, gorjeando presunçosas besteiras, e que não têm outro mérito além do de projetar sob o tecido do corpete duas pontinhas de seios atrevidos.&lt;br /&gt;“Mas, sobretudo, não te preocupes excessivamente com as máximas que te vou expondo, e não reflitas muito. Os homens que antes de tomar uma resolução raciocinam, pesam, medem, são sempre decepcionados como os que na roleta apontam os números que saíram, e fazem cálculos e mais cálculos e quando estão seguros do método, eis que meia volta a mais da bolinha de marfim manda para o diabo as suas previsões.&lt;br /&gt;“Nao tenhas o prurido da coragem. É melhor o medo, que é indício de superioridade. Vemos nas classes animais que os seres inferiores, como a lombriga, não têm medo; o pássaro, sim.&lt;br /&gt;“Procede sempre como te agradar, sem nunca te preocupares sobre se é justo ou injusto. Os homens industrializaram o bem e o mal, como os médicos industrializaram a saúde e a doença. As doenças, para seu governo, não existem. O que existe são os nomes de doenças; os médicos, para comodidade de negócio, convencionaram que quando há açúcar nas urinas deve-se dizer: Diabete; quando há albumina deve-se dizer: Nefrite. Por isto, apenas para dar aparência de seriedade à profissão.&lt;br /&gt;“Do mesmo modo convencionaram que, quando um indivíduo surrupia o relógio do bolso de outro, este gesto se chama furto e seja qualificado de desonesto.&lt;br /&gt;“Mas tudo é convenção. Tudo relativismo.&lt;br /&gt;“Para escapar, basta que se pilhe o relógio do bolso alheio sem permitir que os outros percebam, e portanto sem que possam dar ao gesto aquele nome convencional.&lt;br /&gt;“Livra-te dos homens.&lt;br /&gt;“E livra-te de Deus!&lt;br /&gt;“Não foi Deus que fez os homens, mas os homens que fizeram Deus.&lt;br /&gt;“E depois de o fazerem queixam-se de ele proceder de certo modo em vez de outro. Fizeram-no com barba, pernas, mãos, umbigo, cabeça, como eles; e imaginaram que ele tinha um sistema de moral e de legislação idêntico ao dos homens; tanto que, por ocasião das pestes e dos terremotos, perguntam se é justo que Deus faça assim.&lt;br /&gt;“Pobre de nós!&lt;br /&gt;“Mas se Deus verdadeiramente existe, o seu sistema de moral e de legislação deve ser fantasticamente diverso do dos nossos educadores e das nossas cortes de apelação!&lt;br /&gt;“Por isso, não receies pôr-te em conflito com Deus, porque não há nenhum de nós que saiba como é que ele pensa em matéria de justiça e de bondade.”&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Assim disse Benvindo Amsterson ao seu filho Marcelo, para fazer dele um sereno pessimista. É fácil conceber que ele não congestionava de preceitos, enchendo-o do modo esquemático e árido de que me servi, reproduzindo-o. Aplicava-os em pequenas doses crescentes e decrescentes, com longos períodos de repouso, como se faz no tratamento arsenical. Eu teria podido, reconheço-o, em vez de condensá-los coagulá-los, cristalizá-los em oito páginas, teria podido diluí-los num banho, fazendo crescer em tais e tais pontos algum nenúfar episódico e incidental. Mas neste caso, em vez de uma novela, faria um romance em vários volumes.&lt;br /&gt;O essencial é dar a entender que a adolescência de Marcelo Amsterson foi superalimentada de advertências contrárias à moral corrente, que visavam, na intenção do pai, suprimir do seu espírito os preconceitos, os erros óticos a que estamos expostos por séculos e séculos de falsa educação.&lt;br /&gt;Benvindo Amsterson desenovelava ao filho os seus princípios sem um fio condutor único, mas numa simpática desordem, mesmo para dar-lhe também o horror daquela coisa odiosíssima que é a metodologia.&lt;br /&gt;Ele falava calmamente, nas longas passeatas pela beira do mar e sob as alamedas de choupos; à mesa do café ou junto à grande estufa da sua grande casa.&lt;br /&gt;Aquele homem que falava da mulher com um tom que a um auditório desprevenido podia parecer ultrajoso, tomava, entretanto, no qualificar a mulher e os seus defeitos, uma atitude de vasta indulgência. Ele sabia que a mulher foi moralmente deformada pelos homens.&lt;br /&gt;Cofiando a barba fina e loira, com as pernas cruzadas (polainas brancas sobre sapatos amarelos; calças cinzento-claras, tecido inglês, punhos estreitos, corrente de platina), fazia pensar naquele humorista hipnotizador que foi Jesus Cristo, quando fala da adúltera (quem estiver sem pecado atire a primeira pedra). Sempre imaginei Jesus como um brilhante conversador de salão, de barba luzente perfumada a brilhantina, que viveu muito em Paris e leu todos os romances de Paul Bourget e de Anatole France...&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;No entanto o filho de meu amigo Benvindo Amsterson crescia. Eu o acompanhava algumas vezes a um daqueles estabelecimentos onde, mediante módico preço, nos aliviam do líquido que quando se junta de mais envenena o espírito. Aquele pobre rapaz de dezesseis anos debatia-se entre as necessidades da carne e as necessidades da alma.&lt;br /&gt;Aos dezesseis anos o amor ainda é uma necessidade da alma.&lt;br /&gt;O pai hesitava entre lançá-lo aos braços de um amor qualquer, para desenganá-lo de vez, do amor, ou então satisfazer muitas vezes a sua carne para impedir-lhe de se enamorar.&lt;br /&gt;O amor, uma das duas belas coisas (a outra, sabem-no até os estafetas, é a morte) que os poetas se transmitem hereditariamente para perpétua exploração, é a coisa que se deseja com intensidade enquanto não se conhece. Depois que se conheceu, pergunta-se: Mas é isto o amor? Não tinha por que desejá-lo.&lt;br /&gt;À morte, teme-se. Mas, depois que se a experimentou, estou certo de que, se pudéssemos ressuscitar para julgá-la, diríamos. Mas é isto a morte? Não tinha por que temê-la.&lt;br /&gt;— Eu quero — dizia Benvindo — que o meu filho experimente de uma vez o amor para que não conceba ilusões na espera. Ele deve ser o sereno pessimista.&lt;br /&gt;E Marcelo cresceu preparado para todas as iniqüidades do mundo. Não tinha amigos; não confiava em ninguém; era fechado em si mesmo e armado, mas não lívido de veneno e de azedume. Era pálido de serenidade. Tinha as belas feições de quem está certo de que o seu caminho está desimpedido. Dir-se-ia que os seus olhos possuíam uma segunda visão. Ele via, com efeito, o interior e o exterior das coisas: o aquém e o além; a manifestação e a intenção. Avezado a ver o mal, descobria-o logo, em qualquer parte; e não se impressionava com ele.&lt;br /&gt;Um dia, disse-me:&lt;br /&gt;— Eu quisera morar numa grande praça cheia de multidão, tão densa que quando eu escarrasse da janela sobre o meu semelhante, tivesse a certeza dê acertar na cabeça de alguém.&lt;br /&gt;Marcelo não tinha o senso convencional do pudor, e em conseqüência disso até os seus propósitos mais escabrosos tinham um divino perfume de pureza.&lt;br /&gt;O amor ainda não o havia tocado, porque o pai nunca o deixava em condições glandulares de se enamorar.&lt;br /&gt;Oh, se não existissem as doenças venéreas (único perigo que torna menos freqüente e mais difícil a função), todo o problema do amor estaria resolvido! Ir-se-ia dez ou doze vezes por semana a uma experimentada manipuladora de sensualidade, a uma distribuidora quase automática de vertigens, e não se suportaria mais o aborrecimento da mulher, a complicação do lar, a rabugisse da amante. Houvesse, ao menos, a prostituta mecânica, esterilizada, desinfetada, asséptica, cômoda como as distribuidoras de ingressos nas estações!&lt;br /&gt;Ir-se-ia descarregar nela as pilhas elétricas da nossa animalidade, como as mulheres vão a um confessionário de pecados descarregar a consciência.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Um dia — Marcelo tinha então dezoito anos — o seu pai veio a mim.&lt;br /&gt;— Meu filho anda fazendo versos. Horácio diz que quando um homem está apaixonado, ou fica louco ou faz versos. Felizmente, não está louco, mas apaixonado.&lt;br /&gt;— O céptico? — indaguei —. O sereno pessimista?&lt;br /&gt;— Sim, sim — respondeu-me Benvindo —. Apaixonou-se num instante. Coze em dezoito minutos, como arroz. Apaixonou-se por uma datilógrafa que foi amante de um bicheiro, esteve num bordel de Catânia, onde apanhou a sífilis, e durante dois anos atraiu os passantes na esquina do Café Madrid. Todos a possuíram por três liras. Agora é dactilógrafa porque o chefe do seu escritório está apaixonado por ela.&lt;br /&gt;— E o teu filho...&lt;br /&gt;— E o meu filho ama-a desesperadamente. Eu não tenho a coragem de arrancá-lo com violência àquela mulher, porque a violência nos fenômenos desta ordem é perigosa. Ajuda-me tu, meu amigo!&lt;br /&gt;Eu tinha sabido conquistar a afeição do jovem Marcelo, que me punha ao corrente dos seus pensamentos mais íntimos, dos seus segredos e das suas fraquezas. Mas também julguei imprudente enfrentar de modo brusco a situação; e em vez de procurar a ocasião, preferi esperar que ela se apresentasse.&lt;br /&gt;E apresentou-se bem depressa.&lt;br /&gt;O sereno pessimista levantara-se da mesa para fumar com o pai e comigo um cigarro, na varanda da sala de jantar. Não foi difícil encaminhar a conversa para o lado das mulheres.&lt;br /&gt;— Um meu conhecido — disse Marcelo — pediu-me alguns conselhos sobre o modo de proceder com relação a u’a mulher que ama e que não conseguia conquistar: eu indiquei-lhe o caminho; conseguiu. Hoje de manhã mandou-me esta cigarreira de prata com um bilhete:&lt;br /&gt;“Meu jovem amigo, obrigado pelos seus conselhos. Tudo bem. O senhor é prodigioso. Aconselho-o a abrir um gabinete de consultas amorosas”.&lt;br /&gt;— Eu não sei mesmo — prosseguiu Marcelo — como é que se chega a ter paixão por semelhantes mulheres. É a esposa de um instrutor de esgrima, e entregou-se a todo o regimento: oficiais, inferiores, cabos e soldados. Mas o marido não sabe e o apaixonado que me pediu conselhos, tampouco. Eu não compreendo por que é que eu só vejo em torno de mim prostitutas e aqueles que com elas têm contactos diários não o percebem!&lt;br /&gt;E Marcelo era sincero.&lt;br /&gt;A sua admirável clarividência fazia-o descobrir o engano, adivinhar o adultério no pequeno mundo dos seus conhecidos. Ele via, com a sua segunda vista, onde os outros não percebiam nada. Sentia o perfume da semivirgem como os cegos, com os dedos, sentem a cor dos tecidos. E quando ele impressionava o interlocutor com a frase habitual: “Todas as mulheres são prostitutas”, não repetia servilmente a máxima que o pai lhe inculcara, mas exprimia uma convicção profunda.&lt;br /&gt;O cinismo naquela boca fresca de adolescente, o cepticismo nos seus olhos azuis de criança, davam-lhe ao rosto o aspecto daquelas flores estranhas que sabem a doença e a veneno, criadas pela fantasia cruel de um botânico artista. No seu olhar inteligente de jovem demolidor havia como que a nostalgia de uma infância nunca vivida, como que a saudade de uma infância sem brinquedos, sem contos de fadas e sem perseguições a borboletas.&lt;br /&gt;— Todas as mulheres são prostitutas! — concluiu, naquele dia em que estávamos sentados eu, ele e seu pai, na varanda.&lt;br /&gt;— Sem exceções? — objetei eu, tendenciosamente.&lt;br /&gt;— Sem exceções — respondeu ele, fazendo, conforme adivinhei, uma restrição mental.&lt;br /&gt;Chegara para mim o momento de falar da mulher que ele amava, da dactilógrafa aposentada da caça noturna ao macho e dos prostíbulos para marinheiros.&lt;br /&gt;E arrisquei uma pergunta. Mas, se cínico se pode tornar, cínico não se nasce. Nascemos sentimentais, e o sentimental dorme sempre em nós, como uma doença hereditária em estado latente, que o cepticismo ingerido, o cinismo injetado não chegam a curar.&lt;br /&gt;O cínico que há em nós vê a perfídia em todos os homens, a vulgaridade em todas as mulheres. Mas um dia, quando encontramos uma criatura de quem, por quaisquer razões, a nossa necessidade de amor nos aproxima, o cínico que há em nós fecha os olhos, e o sentimental desperta para estender-lhe sobre os olhos uma venda cor de rosa.&lt;br /&gt;— Todas as mulheres, então, são prostitutas? — disse eu —. Mas tu, Marcelo, não estás apaixonado por uma dactilógrafa loira que...&lt;br /&gt;— Sim — respondeu o sereno pessimista, corando de comoção.&lt;br /&gt;— Pois bem, aquela — insinuei eu — não achas que é...&lt;br /&gt;Mas o sereno pessimista não me deixou terminar.&lt;br /&gt;— Aquela — afirmou resolutamente — é u’a mulher diferente de todas as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pitigrilli&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-8650670960348479522?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/8650670960348479522/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=8650670960348479522' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8650670960348479522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/8650670960348479522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/o-sereno-pessimista.html' title='O SERENO PESSIMISTA'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-4737477088720027622</id><published>2009-02-13T13:35:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T13:36:49.940-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZXntyE8yJI/AAAAAAAAAMs/ZqrYtHYImbg/s1600-h/xeque-mate.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 230px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZXntyE8yJI/AAAAAAAAAMs/ZqrYtHYImbg/s320/xeque-mate.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302398910021290130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-4737477088720027622?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/4737477088720027622/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=4737477088720027622' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4737477088720027622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/4737477088720027622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/blog-post_13.html' title=''/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SZXntyE8yJI/AAAAAAAAAMs/ZqrYtHYImbg/s72-c/xeque-mate.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-5164439641009052298</id><published>2009-02-12T13:02:00.000-08:00</published><updated>2009-02-12T13:04:47.492-08:00</updated><title type='text'>UM CÃO INFELIZ</title><content type='html'>(Tio Rogs diz: Melhor que escrever é ler. Melhor que ler besteiras, é ler coisas boas...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às mulheres que na juventude foram pródigas de si mesmas e passaram através de duas gerações semeando o prazer visual, táctil e cinestético da sua graça, resta, no limiar da velhice, um recurso. Um recurso que é como a aposentadoria e as honras para os funcionários administrativos; como a cadeira no senado para os generais que chegaram ao limite da idade; isto é, um meio, para quem foi mais ou menos brilhante na juventude, de fazer, no último quartel da vida, figura ainda decente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recurso para as mulheres feias e para as que não são mais belas é a moral, essa peronospora que onde quer que pouse faz murchar as flores mais louçãs. Pela moral propinam-se conferências, escrevem-se livros, consumam-se delitos, fazem-se os jovens contrair vícios secretos, inventam-se mentiras, multiplicam-se preconceitos, desnaturam-se instintos, criam-se honrarias fundam-se círculos com distintivos para os sócios, de usar na lapela, como se para distingir as conservadoras da moral não bastassem os distintivos e traços que elas trazem fatalmente impressos na cara. Mas se as causas da moralidade são a feiúra do rosto, a miséria física, a incapacidade sentimental, é preciso acrescentar que a moralidade, por sua vez, torna-se o ponto de partida de outra praga, a que daremos um nome de nosso fabrico: a “agatomania”, ou seja, a mania da bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se desce pela encosta do mal, nunca se sabe até onde se chegará; mas, quando se rola pela encosta do bem, chega-se às torpezas mais sinistras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agatomania impele o que dela sofre a desprezar, odiar, prejudicar, difamar a quem não pratica o bem absoluto, a quem não vive na renúncia mais inútil, na mais fúnebre castidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agatômano, isto é, o maníaco da bondade, exaspera o seu próximo para lhe fazer bem, para servi-lo com assistência e conselho; congestiona-o de cortesias, sufoca-o com a generosidade, trucida-o com o altruísmo, pulveriza-o com o sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mal fazem os que fazem sistematicamente o bem!&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois agatômanos, marido e mulher (um pegara a agatomania da outra), voltavam para casa, numa noite de inverno, a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora nunca espalhara a alegria. Mas para os efeitos da moral e da sua conservação, não há diferença entre as mulheres que foram belas e não são mais e as que nunca foram; entre as que não podem mais amar e as que nunca amaram. A senhora fora educada no lar, por genitores austeríssimos, que consideravam ato de faceirice, para u’a moça, limpar os dentes mais de uma vez por semana. Aos vinte anos caiu aquela forma disfarçada de prostituição que é o casamento arranjado. Impuseram-lhe um marido que durante cinco ou seis anos seguidos a fez dar à luz um filho por ano. Cinco ou seis filhos, todos semelhantes uns aos outros, como um mostruário de copos do mesmo tipo e de diferentes tamanhos. Tinham sido tirados, todos, sobre o mesmo estereotipo. Nem traços de um amante! Nunca encontrara um farrapo de homem que a honrasse com cinco minutos de corte, ainda que fosse para rir-se dela. Depois de se ter casado com um homem que não amava, não amou a mais nenhum. Era a autêntica mulher assexual. Ou antes, não era mulher. Aquela que nunca experimentou o amor, o desejo e o desejo de infidelidade, não é mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vemos exatamente estas “não mulheres”, para as quais o amor, o sentimento, a sensualidade são linguagens indecifráveis, ditarem severamente leis em matéria de amor, arvorarem-se em juízes da literatura em que vibram os nervos, em que freme aquela sensualidade que é um dos dois motores (o outro motor é a riqueza) da engrenagem social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a natureza lhes tivesse dado carnes mais provocantes e lábios mais tentadores, nunca teriam sentido o prurido de se fazerem sacerdotisas dos bons costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cônjuges voltavam, pois, para casa numa transparente noite de inverno. O marido representava dignamente a classe daqueles homens chatos que personificam o bom-senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bondade e o Bom-senso tinham ido a uma reunião de filantropos no Bairro Latino, e não encontraram mais nem um táxi nem um auto-ônibus. De espaço a espaço os faróis das estações do “metro” espalhavam, na noite azul, tímidas luzes vermelhas. Sob a Pont des Arts o Sena corria silenciosamente. Sobre a ponte, ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente havia um cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagem importantíssima nesta história, em que não se referem as peripécias de humilde rafeiro, mártir obscuro, que se fez arrastar pelas ondas para salvar um homem, nem as desventuras de um pobre cão de empalhador, que se deixou morrer de inanição em cima de um túmulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui se conta uma história muito, muito mais triste.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cônjuges Bom-senso e Bondade, moralistas e humanitários, viram o pobre cão, que junto ao parapeito da ponte dormia, ou fingia dormir, deitado de costas, com as quatro patas para cima. A lua (aquela lua que não se vê só em Nápoles, mas também em Paris) iluminava-o em pleno peito. Era um animal de raça finíssima, um buldogue inglês, de sólidas patas, de tórax robusto e com a máscara de Beethoven.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É a terceira vez que o vejo aqui — disse o senhor, apontando para o cão —. Está abandonado, perdido. Vês como sofre? Não pode nem se mover, de fome e de frio: está naquela posição (impudica, pensou a mulher) porque é atormentado por dores reumáticas: conheço isso: quem sabe há quantos dias não come! Parece moribundo... Pobre animal! pertencia decerto a gente rica, que o tratava bem, que o nutria abundantemente; quem sabe quanto sofrerá pelo abandono! Eu acho que se o matássemos praticaríamos um ato de piedade; acabaria de sofrer... Que achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Penso também que deixaria de sofrer — confirmou a senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Matamo-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se tens coragem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tenho, sim, quando se trata de fazer o bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Então mata-o. Olharei para outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora voltou os olhos na direção do Louvre, imersa num banho de azul, e tapou os ouvidos. Na Pont des Arts ressoou um tiro de revólver. Uma janela, na margem esquerda do rio, iluminou-se e uma sombra apareceu no seu vão; depois a sombra se retirou, fechou, apagou. Antes de se afastar, a senhora lançou um olhar cheio de piedade ao pobre animal, enquanto o marido o deixava cair no Sena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Era um animal infeliz. Fizemos-lhe bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim, era um cão infeliz.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas antes aquele cão de máscara de Beethoven encontrara, sob os pórticos da “Comédie Française”, por trás do monumento a De Musset um cão seu amigo, um “fox-terrier” estúpido como uma rapariga honesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois animais tinham-se aproximado, olhando-se nos olhos, e fazendo sinais por algum tempo, com a cauda. Depois um havia dado a precedência ao outro e o outro se tinha voltado, como para dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Depois de vós, senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esgotado aquilo que Maupassant chama as cerimônias maçônicas dos cães, sentaram-se um defronte ao outro, e contaram-se as suas peripécias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cão da máscara de Beethoven dissera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tu moras na pastelaria da Rua Lépic. Reconheço-te. Parecia-me que não fosses uma cara, ou antes, um cheiro novo. Sempre nos encontrávamos quando eu e o meu criado íamos comprar na tua casa o presunto cozido do meu almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora não estou mais naquela casa. Consegui fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que queres? Aquela casa não me agradava mais. Os meus hóspedes eram demasiados ricos, demasiado bons; queriam-me demasiado bem. Devam-me nojo com o seu afeto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Deixavam-te lamber os pratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Isso não, porque é anti-higiênico, dizem eles, deixar que os cães comam nos pratos do dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Preconceitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Têm razão. Eu sei de um cão que, por ter lambido o prato onde comera uma senhorita de dezoito anos, de família distinta, pegou a sífilis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Davam-me tudo o que eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sabes quanto se está mal na abastança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tinha um criado exclusivamente para mim. Dormia em coxins moles, macios, inchados, num quarto escrupulosamente aquecido, no meio de móveis finíssimos que eu me sentia no dever de respeitar, conquanto me deixassem a mais completa liberdade de escolha, entre uma peça e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não me faltava nada. Faziam-me contrair a diabete por hipernutrição. Não havia gulodice que não me dessem. Mantinham-me a pastéis de caça, “pemmican” e “plum cake”. Mandavam vir da Inglaterra uns biscoitos especiais. Haviam chegado a eliminar em mim a coisa mais bela: o desejo. Eu não podia desejar mais nada, porque tinha tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só desejava uma coisa, que nunca me permitiram: aventuras passageiras com cadelinhas de menor idade, que mostravam interesse por mim, quando eu levava a passeio nos Campos Elísios o meu criado. Mas um cão da minha raça — diziam eles — não pode ter “mésalliances”. E aconteceu-me o que acontece aos príncipes hereditários: estabeleceram épocas fixas para os meus amores, que eu só devia consumar com exemplares femininos da minha raça. Com este fim peregrinei de casa em casa; em toda parte onde se encontrasse uma fêmea de meu tipo, tinha eu que fazer estágios de quinze dias. Estive na casa de uma grande atriz, de um ex-presidente da República, de um embaixador, de um filósofo chinês, de uma “cocotte” célebre.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— De uma “cocotte”? Deves ter visto boas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. Vi mais nas casas de famílias decentes. Oh, quantas coisas vi nas que freqüentei! Se soubesses como os homens são diferentes em casa e fora de casa! Tu, que vagas continuamente pelas ruas, imaginarás que as mulheres sejam, em frente de si mesmas, seres delicados, refinados, preciosos como são fora. Oh, iludido! Eu vi-as na intimidade, e afirmo-te que nunca encontrei u’a mulher, por espiritual que fosse, que na solidão do seu quarto, sabendo-se inobservada, não introduzisse no nariz aqueles dedinhos pálidos que parecem destinados a só tocar hóstias santas e pérolas reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E as mulheres virtuosas? As mulheres honestas? Aquelas que o mundo chama intergérrimas porque não se conhecem os nomes nem o número dos seus amantes? Mas eu estive também na casa de mulheres virtuosíssimas, de mulheres católicas, de sócias da Liga de Moralidade Pública. Pois bem, essas não têm um amante oficial, mas quando estão sós em casa não lhes escapa nem o verificador do gás, nem o mensageiro da entrega de encomendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estive também na casa de uma parteira. Coitada, era boa! Agora passa fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por quê? — perguntou o “fox-terrier” —. Diminuíram os nascimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não é por isto — sorriu o cão da máscara sombria —. Tu sabes melhor do que eu que as parteiras não vivem dos que nascem, porém dos que não nascem. Mas, que queres? As coisas vão mal, agora, para as parteiras, porque as senhoritas distintas aprenderam a abortar sozinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto o cão se interrompeu, afastou-se, cheirou o chão, recolheu-se por alguns segundos e depois se arredou um passo para ir arranhar a terra um pouco adiante. Fez como os literatos que escrevem em Roma e vão vender as suas obras em Milão. Depois continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tu metes, às vezes, o focinho nos restaurantes e admiras as senhoritas que descascam elegantemente as frutas com o garfo e a a faca... Se as visses em casa! Empregam “tout bonnement” as mãos, e quando entre a polpa do dedo e a unha fica um pouco de suco, lambem os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que sujeira há nas famílias! Vês todas estas senhoras e estes cavalheiros que saem da “Comédie”? Eu aposto quatro frangos contra um osso que muito poucos, entre eles, estariam em condições de tirar as meias, diante de testemunhas, sem corar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É melhor ver os homens e as mulheres em público. Por isso eu fugi de casa. Agora durmo onde quero. Cheiro a quem quero. Freqüento as companhias que me agradam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho o prazer de sentir, algumas vezes, fome e, portanto, a ânsia de conseguir comida, e o frenesi de roubá-la. Quando roubo um pedaço de carne de um açougueiro eu sou feliz, porque aquela carne eu a desejei e conquistei com sério perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sou atormentado por um bando de pulgas, mas tenho a satisfação de matá-las eu, com os meus dentes, e não com as unhas de outrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A incerteza da minha vida me embriaga. O risco de ser, de um momento para outro, pegado pela carrocinha me exalta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não correm mais a meu respeito boatos desonestos, a propósito da senhorita, uma histérica sádica e intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Durmo todas as noites na Pont des Arts (daqui a um pouquinho te deixo, porque não quero recolher tarde), onde tomo a minha posição predileta: de pança para as estrelas e com as patas espichadas: posição comodíssima que antes a família não me permitia tomar, porque havia uma senhorita em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não tenho mais o aborrecimento de ter que dar a mão, gesto insulso que os homens também fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não tenho mais o enjôo do açaimo (a lei), da coleira (a escravidão) e do nome (a personalidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Posso finalmente tomar a liberdade de vomitar sem ter que dar explicações ao veterinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em resumo, a minha vida de vagabundagem, a falta de um travesseiro em que dormir, a incerteza do amanhã, a solidão absoluta, o não ter mais ninguém que me queira bem, mais ninguém que me admire, mais ninguém que me proteja; sentir fome cada duas ou três horas, tremer de frio, andar ao acaso pelo mundo como um mendigo, um cigano, um ladrão, depois de ter sentido o peso da casa, da família e da riqueza, é achar finalmente a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sou um cão feliz,”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37241565-5164439641009052298?l=rogstio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogstio.blogspot.com/feeds/5164439641009052298/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37241565&amp;postID=5164439641009052298' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5164439641009052298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37241565/posts/default/5164439641009052298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogstio.blogspot.com/2009/02/um-cao-infeliz.html' title='UM CÃO INFELIZ'/><author><name>.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://2.bp.blogspot.com/_b7q36Re0j5s/SNaZ98AGhsI/AAAAAAAAADc/BTcs-0FXvxo/S220/surf.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37241565.post-6024624549232494595</id><published>2009-02-11T18:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T18:19:27.711-08:00</updated><title type='text'>O CINTO DE CASTIDADE</title><content type='html'>Pitigrilli&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— És um amante demasiado vertiginoso para dares bom marido — segredara-lhe uma sua amiguinha num dia de infinito langor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o doutor Cirmeni, médico-cirurgião, não se casou.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Achas que ainda poderei agradar às mulheres? — perguntara muito tempo depois o doutor Cirmeni, médico-cirurgião, a um amigo — achas que ainda poderei agradar às mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quanto tens de renda? — indagara o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sessenta mil liras anuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim. Podes agradar ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Faria bem casando-me com a viúva Heiman-Bouchard? — perguntou um dia, depois dos quarenta o doutor Cirmeni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, não farias bem — desaconselhou o amigo. E o doutor Cirmeni casou-se com ela do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que se casam com uma viúva acompanham o gesto com espetaculosa exibição de inteligente modernidade de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Os costumes estão por tal modo corruptos, que casando com uma virgem a gente se expõe, nove vezes em dez, a uma decepção. Uma senhorita que foi agitada pelo desejo e não se pôde satisfazer senão com os sucedâneos do amor, ao entrar na vida conjugal torna-se necessariamente uma adúltera. A viúva, ao contrário, já passou pelos bruscos movimentos durante o primeiro período matrimonial, como a madeira seca que se rachou, retorceu, inchou sob as intempéries, e depois de trabalhada não se altera mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser uma boa mulher — aconselham — deve-se casar com uma viúva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ter pertencido a outro homem não tem importância. O amor que a mulher nos dá é independente do que deu a outro, quando nós não tínhamos nem aparecido no seu horizonte. O florescimento de uma árvore nos delicia, mesmo se um ano antes, muitos anos antes, o mesmo florescimento deliciou a outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem isso antes de se casarem com uma viúva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, depois que casaram, sentem-se como que envenenados por uma espécie de pudor. Sentem-se como que os voluntários do chifre, os cabrões legalizados, os minotauros consagrados, os enganados oficias. E envergonham-se disso como de u’a mancha. Não podendo esconder o seu estado, transformam-no habilmente com a fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Casei-me com uma viúva, mas uma viúva especial. Quando casou comigo, era ainda virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Todos os meus conhecidos que se casaram com viúva, encontraram-nas virgens.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O primeiro marido, — explicam — descendo as escadas do Foro, tropeçou e partiu a espinha dorsal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a versão mais simples. Outros dizem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Era virgem porque, apenas voltaram à casa após a cerimônia nupcial, tiveram de separar-se por incompatibilidade de gênios. Ele era um alcoólico brutal. Ela, alma delicadíssima, recusou-se-lhe e fugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também esta é uma versão de uso corrente. Mas há outras, cuja complexidade varia segundo o nível da imaginação do segundo marido: histórias de partidas inesperadas, de mandados de prisão, de ossos de frango que durante o jantar de núpcias entupiram o esôfago do esposo; de incêndios que irromperam no hotel no momento da cópula inaugural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história mais usual, a que me foi contada por nove pessoas diversas, é a da impotência do primeiro marido. Um amigo meu, que se casou com o dinheiro de uma viúva, jurava-me que o primeiro marido, fraco de constituição, deixara-a literalmente intacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube mais tarde que daquele primeiro marido impotente a viúva intacta tivera três filhos que agora gozam de excelente saúde, são os primeiros da classe e batem nos companheiros.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casando-se com a viúva, o doutor Cirmeni não a engrinaldou aos olhos dos amigos com flores de laranjeiras artificiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escondeu a ninguém que a mulher era mãe de graciosíssima menina, e que durante o interregno de viúva tivera amiguinhos para uso interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Cirmeni era feio, mas tinha dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a u’a mulher se apresenta um homem com fins matrimoniais, se este é financeiramente um bom partido, ela não lhe vê os defeitos físicos, ainda que seja feio ou disforme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-lo-á feio e disforme somente se o homem a desdenhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Cirmeni era feio mas inteligente. Era magro, pálido, descarnado como a etiqueta farmacêutica dos venenos; tinha olhos pequenos como os dos homens míopes e os das galinhas cozidas; e tinha na cidade um consultório para moléstias dos ossos e u’a amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amante era a “femme-crampon”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando jovem fizera de modista; depois, de “chanteuse”; depois, de “cocotte”; e chegara a ser uma grande “cocotte”. Para chegar a ser uma grande “cocotte”, precisa-se começar fazendo de modista e de “chanteuse”. Estes estágios preparam para a faceirice como o jornalismo prepara para a política. Depois de ter feito a “cocotte” viajante em todas as redes ferroviárias internacionais, e de ter pernoitado em todos os hotéis, das mais elegantes praias e das mais espermáticas metrópoles, retirou-se dos negócios, para se dedicar exclusivamente aos cuidados íntimos do doutor Cirmeni. Fez como aqueles que depois de terem, durante anos e anos, exercido a tumultuosa profissão de advogado, fecham o escritório e ingressam numa empresa particular, ocupando-se fielmente com os negócios mais ou menos limpos de um só cliente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Cirmeni, porém, não lhe dava excessivas ocupações. A sua escassa virilidade, devendo ser eqüitativamente repartida entre a mulher e a amante, reclamava aplicação prudente e cautelosa. Em outros tempos, quando os seu cabelos ainda não tinham necessidade de tintas e os seus nervos não exigiam regime equilibrado, o doutor Cirmeni era célebre na cidade pela sua vasta clientela feminina: diariamente vinham ao seu gabinete as belas e extravagantes iniciadas nos paraísos artificiais da morfina ou do éter, pedindo-lhe uma receita para a compra do doce veneno. E em troca do precioso documento, davam-lhe tudo. O dar “tudo” reduz-se afinal a dar uma coisinha só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o doutor Cirmeni envelheceu precocemente, devia em grande parte agradecer à sua demasiado reconhecida clientela feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Outrora, — dizia — quando eu fazia a corte a u’a mulher, receava sempre que recusasse. Agora tenho sempre medo de que aceite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia por semana ia ao seu barbeiro fazer tingir os quatro, vírgula zero zero, cabelos que lhe restavam, e com ímpeto juvenil dirigia-se para a casa da amante, experimentada nas mais misteriosas fórmulas amatórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartamento da amante era todo mobiliado à turca, com lâmpadas que não dão luz e tapetes moles e macios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesinhas baixas e cigarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um narguilé para o efeito da cor local, mas que nunca se sabe em que parte do aposento colocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madeiras incrustradas de madrepérola, pratos de bronze desbotado, quadros com minaretes ao crepúsculo, e o almuédão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigação para as visitas de se sentarem no chão, de pernas cruzadas, à turca.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi deputado durante uma legislatura, continua por toda a vida a chamar-se excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem cantou num “music-hall” por alguns meses e depois foi fazer de “cocotte”, continua a atender por “chanteuse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos de casa e os amigos do doutor chamavam-na a “chanteuse”. A mulher também a chamava a “chanteuse”, simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E o seu marido, não vem ao mar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. Está na montanha com a sua “chanteuse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas é sua amante mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Uma “chanteuse” não se tem por poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ao menos, quem sabe se pela música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um homem esquisito aquele marido. Não amava a mulher, mas tinha-lhe ciúme. O seu amigo Axenfeld, doutor em física, alemão, estudioso de todas as ciências, explicava-lhe como o seu ciúme era fato inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se não amas tua mulher, — dizia — não podes ter-lhe ciúme. O amor e o ciúme estão sujeitos a uma lei que lembra a da ótica: o ângulo de incidência (amor) é igual ao ângulo de reflexão (ciúme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Imagina que tens um tubo de vidro em forma de U — dizia-lhe Axenfeld, o jovem doutor em física alemão — Se duma parte do tubo derramares amor, esta substância, que suporemos líquida, subirá pelo outro braço do tubo, e parará ao mesmo nível nos dois braços. De um lado derramaste amor. Do outro subiu até a mesma altura o ciúme. A coluna do amor e a coluna do ciúme têm sempre exatamente a mesma altura. Se amares pouco u’a mulher, serás francamente ciumento. Se a amares com loucura, o teu ciúme tocará a loucura.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pois bem, estás errado, meu amigo — respondia o doutor Cirmeni —. Eu amo-a pouquíssimo e sou atrozmente ciumento. Tenho tido ciúmes de mulheres que não amava mais, ou que ainda não amava, ou que nunca amei. O que produzia esse estranho ciúme terá sido talvez amor em estado latente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Bem, então — retrucava o amigo — haverá em ti um amor em estado latente por tua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o seu verdadeiro amor dirigia-se à “chanteuse” a quem dava todos os ímpetos amortecidos da sua paixão debilitada. Todo mundo se perguntava como é que o doutor Cirmeni podia adorar tão desesperadamente a “chanteuse”, carne para marinheiro, resto de prostíbulos, aventureira aposentada, destroços de beleza naufragada, vênus decaída, bocado mastigado de mulher; como é que amava um corpo a que não restava mais a elegância da linha, a harmonia das formas. Como é que podia amar uma mulher envelhecida pelos anos e pelas pinturas, em quem a sensualidade se devia ter afrouxado como a pele do pescoço, como os seios, como os flancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos compreendem a verdadeira essência do amor. Julga-se geralmente que um homem seja atraído para u’a mulher pela frescura do seu rosto, pela esbeltez da cintura, pela agilidade das pernas, pelo mistério magnético dos olhos, pela muda promessa dos lábios impudicamente carnudos, pela palidez da fronte pura, pela tácita oferta das cadeiras, pela faceirice indisciplinada da cabeleira. Julga-se que u’a mulher se sinta atraída para um homem pela prepotência do seu olhar másculo, pela dobra da beca autoritária, pelo sorriso triste de sonhador ou de desiludido, pelos cabelos animalescos dos pulsos ou pela face depilada de efebo; pelo espírito que demonstra, pela inteligência que esconde, pela nobreza do seu caráter, pela malvadez sádica da sua alma, pela sensualidade que promete a sua mandíbula nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza, pois, a linha, a forma, a cor, são, no juízo da maioria, os elementos que atraem um para o outro o macho e a fêmea. Só por meio deste erro se explica a pergunta que ouvimos todo dia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas como podes gostar daquela mulher, que não tem seios, que é magra, quo tem boca pequena e olhos apagados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor — respondemos nós — não é produzido pela mútua contemplação da cor dos olhos ou da forma do nariz. O amor, este magnetismo animal mediante o qual um indivíduo é atraído para outro indivíduo, é causado pela afinidade química de dois corpos. No indivíduo devem-se distinguir duas entidades: a forma e a substância, isto é, a linha exterior e a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é devido, não à forma, porém à matéria; o amor é atração física, a afinidade química dos dois organismos. A beleza não influi nada. A juventude não influi nada. O espírito, o talento, a elegância, a honestidade, a traição não têm a mínima parte no magnetismo animal que faz um corpo sentir a necessidade de se compenetrar noutro. Quando um homem e u’a mulher, tendo-se encontrado num ponto do espaço, experimentam a necessidade imperiosa (digo necessidade imperiosa e não desejo distraído) de se unirem, isso quer dizer que no corpo “daquela“ mulher existe a substância, a matéria, o produto químico que com implacável ânsia procura a substância, a matéria encerrada no corpo “daquele“ homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem de outro modo se explicaria o desejo de certas mulheres belas por homens que todos, e elas também, acham horríveis, nem de outro modo se explicaria o amor doido de certos homens por mulheres feias ou gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor eterno, isto é, o inextricável retorcimento de uma vida em torno de outra vida, é o produto do encontro de um corpo em cujos tecidos existem aqueles metais e aqueles metalóides que têm afinidade química pelos metais e metalóides de um determinado corpo de sexo diverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esta expressão fará rir os farmacêuticos, mas eu não ligo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e as mulheres que se amam com um amor tenaz assim, podem, é verdade, praticar infidelidades com relação uns aos outros. Mas a aventura não é o amor; a cópula ocasional deixa intacta a paixão constante. Pode-se amar desesperadamente um homem e ir umedecer os lençóis de outro. A aventura não é mais que uma espécie um pouco refinada de masturbação, depois da qual, ainda que os sentidos tenham sido extenuados, permanece inalterada a paixão da mulher pelo indivíduo que emulsionou estavelmente a própria vida com a sua vida.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor do doutor Cirmeni pela “chanteuse” era a verdadeira paixão inextinguível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amorzinho intermitente com a esposa legítima era um incidente fortuito como uma aventura, insignificante como uma masturbação. Certas vezes, de manhã, acordando saciado, cansado, esgotado na cama da esposa jovem e bela, o seu desejo corria para a “chanteuse”, a velha amante desgastada pelos anos, pelas pinturas, pelas massagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, meu amigo. O ciúme não é o estado alotrópico do amor — objetava o doutor Cirmeni ao doutor Axenfeld, que freqüentemente discutia com ele psicologia —. Eu não amo a minha mulher e tenho ciúmes dela, simplesmente porque aproximando-me dela por desfastio, por distração, por uma novidade, tenho necessidade de saber que aquela mulher, cuja posse não passa de acidente mínimo na minha vida, pertence-me só a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O ciúme, reconheço, é um sentimento bárbaro, selvagem, primitivo, que os séculos e a civilização deviam ter abafado e dissolvido. Mas não tenho culpa, se sou um homem da minha época, se vivo em 1921, ano em que os animais da minha espécie, que vivem em colônias no meu país, não chegaram ainda a tal ponto de evolução que consintam em que a mulher de cada um seja também mulher de outros. Com os séculos, com a evolução animal, o ciúme do homem se irá eliminando, como se vão perdendo o dente do siso e as vértebras do cóccix. Mas hoje ainda não chegamos a esse ponto de aperfeiçoamento, e eu sofro o ciúme como o sentiam aqueles guerreiros da Idade Média que, antes de partirem para as demoradas guerras, impunham à própria esposa o cinto de castidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Lenda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Lenda? Então nunca estiveste no Museu de Cluny, em Paris? Há dois, em tão perfeito estado de conservação que se poderiam usar ainda hoje. Pois bem, eu compreendo o ciúme como o compreendiam aqueles enamorados primitivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É grotesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Isto sei eu, que é grotesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E por cima, ingênuo. Que te importa que a tua mulher — objetou o amigo Axenfeld — não entregue a outro homens aquela parte do corpo que o cinto de castidade resguarda, se lhe pode dar a sua boca, a sua paixão, a sua alma? Com o cinto de castidade não fazes mais que impedir um ato, o ato sexual, o contacto de duas mucosas. Mas não podes impedir todo o resto, o amor, a paixão, o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Palavras! — retrucou o marido —. O nosso ciúme, o ciúme verdadeiro, o grande ciúme que arrasta ao delito, o ciúme que se manifesta da maneira mais animalescamente sublime, está todo resumido na aproximação das duas mucosas, como tu dizes. Aquele que faz cena de ciúmes com a amante ou com a mulher porque trocou um olhar, um sorriso, um beijo furtivo com um estranho, não é um ciumento. O verdadeiro ciumento pouco se importa de que a mulher crave o olhar no olhar de um homem ou a língua numa boca masculina. O ciúme verdadeiro é o horror terrificante que experimentamos ao pensar que as suas mucosas situadas na fonte da vida sofreram o contacto das mucosas de outro. O homem verdadeiramente ciumento só tem medo deste contacto, da adesão daquelas duas mucosas úmidas. Entendes-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E lamento-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O cinto de castidade é um instrumento ideal, porque impede essa conjunção. Se à mulher que amo (a minha amante) e à mulher que me agrada (a minha esposa) eu pudesse fechar em torno do ventre aquele aparelho de ferro e marfim, acompanharia o gesto com estas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— E agora podes beijar outro, beija-o como quiseres, onde quiseres; dá-lhe todo o fogo da tua boca enamorada, entrega-lhe a tua paixão, morre de amor por ele; odeia-me, toma nojo por mim. Não me importa. Basta que eu saiba que aquele ponto misterioso e maravilhoso do teu corpo não recebeu as poluções de outro homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O adultério consumado é a única coisa que me assusta. Mas o desejo, o amor, o adultério branco não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu amigo, causo-te horror, compreendo, como causaria horror a u’a mulher a quem falasse deste modo. Mas o grande amor, o amor imenso, o amor pelo qual se mata e que nos mata, não é mais, deixa-me dizê-lo, que o contacto daquelas duas pequenas mucosas.“&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Axenfeld passara grande parte da juventude sobre as fórmulas e os instrumentos de física. Preocupado com penetrar os mistérios da alimentação, da reprodução e da morte no mundo vegetal e no mundo animal, não tinha podido estudar os homens e as mulheres: da psicologia humana tinha, por isso, conceito impreciso e convencional. A realidade científica da matéria de que estudava os segredos não chegara nunca a desanuviar-lhe o espírito de todos os preconceitos que pesam sobre o nosso córtex cerebral e são o dom de triste herança milenária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era aquilo que, com perdão da palavra, se chama um moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não escondia, ao contrário, gabava-se de ser absolutamente puro de qualquer contacto feminino; e sustentava que o homem, se tem o direito de exigir de sua esposa a virgindade, tem o dever de dar-lhe em troca a própria virgindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ao casamento — proclamava — chegarei puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como poderia, aliás, não sê-lo? Como poderia possuir u’a mulher que não fosse a minha esposa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As mulheres mercenárias me assustam como frascos de veneno ou de explosivo ou de vírus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desejar a mulher alheia é um delito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como vês — concluía — não posso deixar de ser puro.“&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem como este deve fazer pena a quem dele se aproxima. Eu sempre me representei os moralistas como velhos e ressequidos, com a face térrea e rugosa como um velho sapato amarelo, e cheirando a castidade. O cheiro de castidade imagino-o como aquele cheiro de lacre, de tinta seca e de mofo que empesta as repartições de correio e as secretarias dos tribunais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moralista, visto de perfil, deve ter o cabelo caindo sobre o nariz, o nariz descendo por cima do bigode, e os bigodes chovendo sobre o queixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alemão Axenfeld, doutor em física e moralista, era, porém, um belo rapaz, elegante, sem seguir a moda, interessante, sem se esforçar por sê-lo. Das mangas do trajo negro saíam-lhe as mãos pálidas de convalescente. Espáduas largas, mas não curvadas; cintura fina, porém não estrangulada; tez clara, mas não doentia; fronte vasta, mas sem prelúdio de calvície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um quê místico na sua pessoa. Era o tipo do asceta moderno, fundido com o violinista dos cartões-postais, com o poeta murgeriano e com o conspirador de 48, como o imaginam as senhoritas das escolas normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos, olhos, supercílios, vestes negras e pesadas, como os traços de uma xilografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fronte, faces, lábios, mãos de um pálido amarelado como o pálido amarelado das águas-fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chamava-se Hans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans Axenfeld.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora que conhecemos o marido e o amigo do marido travemos conhecimento com a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora Cirmeni tinha cabelos tão ruivos que neles se poderia acender o cigarro. Vestia roupas aderentes que nem malhas de seda, e nos dedos usava anéis antigos com pedras não facetadas, mas redondas, hemisféricas, pançudas como gotas de “alchermes“ ou de “chartreuse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensualidade escassa, na aparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensibilidade nula, na aparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nervos anti-sísmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher gélida, imperturbável, simuladora hábil, dissimuladora prudente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos frios de bebedora de absíntio; impenetráveis como se as suas íris cinzentas fossem esmeriladas, fossem lavadas com minúsculos cristais de gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conduta quase indiferente do marido, o seu “faux ménage” não a humilhava, não a ofendia. Ele tivera a lealdade de lho confessar antes de casar-se. Ela tivera a serenidade inteligente de suportá-lo. O casamento não é a paixão. É o encontro de dois seres que fazem juntos um trecho de estrada: um dos dois, de vez em quando, reparte com o outro as suas provisões: o casamento é o encontro de dois seres de sexo diferente que tomaram uma casa em comum, que se servem de pão sobre a mesma toalha, repousam os membros sobre os mesmos lençóis, e que às vezes aproveitam a comodidade da cama para um contacto mais íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As noites que o marido passava fora de casa, ela dormia sem achar falta e sem desejo dele, e à sua volta não lhe dirigia perguntas indagadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Estive em casa de um doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não te perguntei onde estiveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão, quando, numa aldeia do Adriático, ela recebia a visita do marido proveniente da cidade, fazia-lhe um acolhimento cordial, e não menos cordialmente o acompanhava à estação quando partia de regresso à sua clínica de enfermidades dos ossos e sua amante, a desbotada “chanteuse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vila das Cetônias, onde ela passava os verões, estava animada ao fundo de vasto parque de sebes penteadas à Humberto, aquelas sebes quadradas preferidas por Emma Ciardi. Aqui e ali negrejavam alguns ciprestes lúgubres, que pareciam postos para amedrontar os ladrões noturnos; e sobre as rosas singelas dos canteiros, iridescentes reuniões vegetarianas de cetônias que se banqueteavam. Dir-se-ia que as rosas vermelhas fossem cultivadas para nutrir aqueles coleópteros azuis que ali viviam e morriam imperturbados, realizando e poetizando a tola expressão convencional do “leito de rosas”. E nasciam entre as pétalas vermelhas como na alcova de púrpura nasceu o imperador Constantino, o porfirogênito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde há vários anos, todos os verões, a senhora Felka Cirmeni voltava com a filha para aquela vila aconchegada ao fundo do parque, daquele parque recolhido ao fundo do golfo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Vila das Cetônias havia um órgão, um dócil galgo inglês, um papagaio brasileiro poliglota e doente de esplim, um burrico estúpido como um homem, e três quartos para hóspedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses hóspedes era o doutor Hans Axenfeld, o físico alemão, o moralista elegante, pálido, quase jovem, quase belo, o homem que se proclamava puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém melhor do que ele podia ser o companheiro ideal da senhora Felka, cujo marido ciumento via em quase todos os homens um conjurado contra a sua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans ensinava física e matemática à filha da senhora, e segurava a sombrinha de Felka, durante os demorados passeios vesperais ao longo da praia e do parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ao sol — dizia a senhora — eu enegreço depressa como papel fotográfico. Ai de mim, se fico um instante sem sombrinha. E sou demasiado indolente para carregá-la. É fatigante. Hans, segure-a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles dois seres tão elegantes e tão singulares, a senhora Felka e o doutor Hans, eram, para a opinião pública, amantes. Andavam demasiado encostados, conversavam demasiado baixo, parando demasiadas vezes para se olharem de face, sob as manchas de sol filtradas através da folhagem. Quase todos os dias, seguidos pelo ágil e flexuoso galgo (era um conjunto de curvas) desciam pela alameda do parque, avançando até os recifes, e se deixavam ficar contemplando o mar quase imperturbável, sob delgadas e oscilantes tramas de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Estar sentada num rochedo, contemplando o mar e pensando no tédio da vida da cidade — dizia a senhora — é bom como telefonar ao marido estando sentada nos joelhos de um amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans e Felka respiravam a melancolia da tarde, comovendo-se tacitamente com os sortilégios que o crepúsculo opera no mar, interrogando no azul, lentamente, a luz das primeiras estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo este sentimentalismo repugna. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois tornavam a subir pela alameda do parque. Dos subterrâneos da casa vinha um bom perfume de funeral indiano. Às vezes detinham-se a observar, através da grande, o cozinheiro paramentado como um sacerdote no ato de frigir sabiamente um pedaço de cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava-os a sala de jantar de forro em forma de baús intercalados com grandes bordas de ouro. Sobre todos os móveis, desordenados feixes de ervas colhidas por Crisu, a menina de treze anos, meio ciganinha, meio “farouche”, que preferia arrancar celidônias, clematites e giestas a estudar a composição da pilha de Bunsen, ou a guardar na memória o “Piemonte” de Carducci, a poesia “baedecker”, trabalhos que lhe impunham o simpático e sereno doutor Hans, e o desapiedado e divertido teólogo Nardelli.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli era outro amigo do marido e outro hóspede da Vila das Cetônias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe, uma antiga glória de Cítera, pusera-o num colégio de barnabitas para ter mais liberdade de movimentos. Todos os meses um banqueiro israelita e mação comparecia ao colégio dos padres para pagar a taxa mensal. Ele era o principal acionista da grande aventureira, cuja arte deliciava os ricos vivedores das grandes capitais européias. Esta vendedora de contrações espasmódicas, este lobo do mar da galantaria era como uma usina elétrica que distribuísse a sua energia em todas as direções e a distâncias fantásticas. Uma mulher como aquela não podia, pois, carregar um filho consigo. Se fosse uma filha... Poderia iniciá-la. Mas um filho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo do colégio dos barnabitas à morte da mãe, o teólogo Nardelli preparou-lhe comovente cerimônia fúnebre (com presença do clero, filhas de Maria, filhas do Sagrado Coração e filhas de Jesus) paga pelo banqueiro israelita e mação; depois, partiu para o Oriente. Após dois anos de viagem, voltou à Itália, e retirou-se com os seus livros e a sua melancolia para uma casinha branca às portas da cidade. O dinheiro herdado da mãe permitia-lhe ser um padrezinho bem tratado, limpo, com meias de seda e fivelas de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um educador-tipo de famílias patrícias; o padre que usa lencinhos de batista, penteia o cabelo para um lado e usa camisas de seda com punhos de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Queres-te encarregar da educação da pequena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Com muito gosto, meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ensinar-lhe-ás um pouco de literatura. A cultura clássica pode ser útil até a u’a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por certo. Um pouco de cultura clássica não lhe fará mal, tanto mais que a esquecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que também o jovem teólogo Nardelli partira para aldeia à margem do Adriático, e na Vila das Cetônias encontrara um lugar à mesa e um quartinho claro que dava para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A sua humilde cela” — dizia a senhora. Mas naquela humilde cela vermelhejavam estatuetas de Doulton, e cheiravam as giestas colhidas por Crisu, abandonadas em fantasiosos cristais de Lalique. Da trave de uma porta pendiam as molas elásticas para ginástica de câmara; e genial desordem de livros, jornais, revistas e pijamas de seda cobria o leito, baixo à maneira otomana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pia de água benta cheia de água-de-colônia perfumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrivaninha de palissandra com objetos galantes de escritório. Uma pasta sulcada de fios de bronze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era esta a cela que a senhora Felka Cirmeni oferecera ao teólogo Nardelli na Vila das Cetônias.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas havia naquela casa um terceiro e último moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentamo-los um de cada vez para não dar ao leitor uma congestão de náusea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro moralista era um jovem demissionário, vice-presidente da Liga de Moralidade Pública, implacável desenredador de tramas filosóficas, cirurgião do ideal que se abstraía continuamente da realidade. Nos poucos meses durante os quais tinha exercido a chamada justiça, enfiara todo um rosário de besteiras. Julgando um ladrão de sapatos ou um corruptor de menores, ele se elevava por sobre a realidade dos fatos para guindar-se às sublimes razões do espírito. E como para ser magistrado é preciso raciocinar com os critérios de um guarda campestre, foi galhardamente convidado a pedir demissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usava lentes de hipermetrope, que lhe agrandavam bovinamente os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tire esses óculos — aconselhava-lhe a senhora Felka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se tiro os óculos fico em baixo de um automóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É melhor ficar em baixo de um automóvel do que ser feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ou pelo menos — sugeria o elegante teólogo Nardelli — se quer a todo custo usar óculos, em vez dessas lentes que lhe fazem monstruosos os olhos, use lentes para míopes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três moralistas hospedados na Vila das Cetônias viviam em harmonia, se bem que as suas contínuas discussões quase filosóficas os pusessem muitas vezes em estado de perturbar a paz comum. Mas, como a moral não é mais que um conjunto de preconceitos, dogmas e mentiras hereditárias, aceitas sem exame crítico, os moralistas sempre se acham de acordo sobre todos os pontos do preconceito e da mentira. Um moralista que criticasse um dos dogmas da imbecilidade humana sobre que se apoia a moral, seria um moralista encaminhado na estrada da verdade. Noutras palavras, apartar-se-ia daquelas hipocrisias de que se tem de esfregar um moralista ortodoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre moralistas nunca existem divergências, porque eles admitem incondicionalmente a inútil renúncia, a pureza aviltante, a felicidade tola, a honestidade ridícula, a criminosa cloroformização dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida dos três moralistas em torno de Felka Cirmeni, naquela vila adriática de veraneio, não tinha outro fim, na aparência, que não fosse orientar os estudos da pequena Crisu, cuja inteligência vivaz merecia não se deixar perder. O teólogo Nardelli ensinava a menina a tirar dos tubos do órgão as alegres e inspiradas vozes dos anjos e os lamentos das almas angustiadas. Ensinava-lhe também, em doses homeopáticas, latim e grego: o quanto bastasse para decifrar a inscrição de um relógio solar, ou para compreender o significado de um nome de remédio derivado daquela sublime língua de Safo, que hoje só se usa para compor nomes de pílulas, de pastas dentifrícias e vermífugos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crisu estudava com gosto e nunca se olhava ao espelho. O dia em que se olhasse ao espelho não estudaria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha os olhos azuis, do mesmo azul do vestido. As modistas dizem “ton sur ton”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bronzeada como um frango assado, passava a maior parte do dia na praia, correndo ao vento que lhe desmanchava artisticamente o penteado, ou lendo todos os livros que lhe caíam nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Gosto de “bouquiner” na beira-mar, porque o vento me vira a página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli procurava em vão fazer nas leituras da menina prudente seleção. Às vezes a menina “delurée” punha-o em inquietante embaraço com perguntas a que ele não saberia responder senão recorrendo a prestidigitação de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que é adenite? — perguntava Crisu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A adenite é uma doença exótica, que dá em Áden, na costa meridional da Arábia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo moralista, o juiz dos óculos grossos, ministrava-lhe conselhos úteis sobre a direção que se deve imprimir à vida, e preciosos ensinamentos educativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação não é mais que hipocrisia disciplinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os educadores são gente que ensina a não dizer certas mentiras, mas obriga a dizer outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro moralista, o doutor Hans Axenfeld, iniciava-a nos mistérios da botânica e da mineralogia e divertia-a com fáceis experiências sobre a dilatabilidade dos corpos, sobre a transmissão do calor, sobre a formação dos cristais, sôbre as maravilhas da eletricidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquela adolescente que apenas começava a desenhar-se, que ainda não tinha compreendido quanto são mais úteis os espelhos do que os livros, aquela menina de pernas delgadas de fenicóptero, já tinha nos olhos uma chama de mulher vibrante, e as suas órbitas eram veladas de uma sombra azulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se já fosse mais mulher, dir-se-ia que tinha “une mine de lendemain”.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Une mine de lendemain” tinha todos os dias a mamãe, a senhora Felka Cirmeni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cara de dia seguinte”... a quê? A que, se o marido estava longe, ocupado com os ossos ancilosados dos seus clientes e com as carnes amolecidas da sua “chanteuse”? Os três moralistas que o doutor Cirmeni pusera, na aparência, em torno da menina, formavam de verdade um cinto de castidade apertado em torno das cadeiras da senhora Felka. O marido que não a amava, porém que dela era doentiamente ciumento, tinha a sensação de ter-se assegurado a fidelidade física daquela mulher, pondo como guardiões das suas mucosas os três moralistas insuspeitáveis, que, pela sua in­vul­ne­ra­bi­li­da­de às setas do amor, ele chamava, como os três invulneráveis da lenda: Aquiles, Orlando, Siegfredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe podendo apertar em roda da cintura aquele aparelho de ferro e de marfim que admirara com bárbaro desejo numa vitrina do Museu de Cluny, organizara um mais inextricável ainda, composto de três homens, de três virtuosos inflexíveis: o magistrado, idealista, sonhador, que renegava a aparência da matéria, todo enamorado da realidade do espírito; o teólogo, cuja batina era absoluta garantia de pureza; o doutor em química alemão, que conseguira abafar o clamor da carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiada a mulher, tacitamente, à tutela dos três moralistas invulneráveis, ele podia viver tranqüilo, como o guerreiro medieval que nas noites de repouso, entre uma batalha e outra, palpava num bolso da cota de malhas a chave com que fechara e havia de tornar a abrir os tesouros de fidelidade da esposa longínqua.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entretanto, quem visse na praia ardente, sob o guarda-sol vermelho, naquele recanto quase secreto do golfo, os três moralistas invulneráveis e a bela senhora, deitados à sombra, em silêncio ou reunidos em grupo de conversa, não poderia deixar de suspeitar obscuras intrigas de amor e adultério. A mulher, ágil como um felino, era pródiga em sorrisos eloqüentes como promessas; o teólogo, vestido somente de um par de calções aderentes, que lhe deixavam nu todo o dorso de ginasta e as pernas delgadas e musculosas, dir-se-ia um desportista do grande mundo, dedicado, mais que aos exercícios espirituais, aos exercícios ginásticos; o magistrado demissionário, que tirava os óculos para olhar à distância, parecia procurar alguma coisa entre o mar e o céu, na linha do horizonte; o alemão pálido, de fronte emoldurada em negro, mostrava-se triste como se lamentasse um amor defunto ou uma paixão que não nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria que aqueles três jovens e aquela senhora não estavam ligados por invisíveis cadeias de amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre se reuniam em grupo na praia. As mais das vezes acompanhavam um por um a senhora, que não gostava dos colóquios numerosos; mais do que ao coro, ao alternar-se e cruzar-se das objeções e dos ditos, preferia os colóquios a dois, ora com este, ora com aquele, de só a só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar, falar! Ouvir falar! Felka Cirmeni tinha um medo louco do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu quisera que alguém, de noite, ficasse no meu quarto durante a minha “toilette” noturna, enquanto eu me dispo, enquanto procuro o sono; e que falasse, falasse até eu adormecer. Tenho medo de ficar só. Tenho medo do silêncio. Fugi de Veneza porque naquela cidade o silêncio me matava . Você devia vir, Hans, à noite fazer-me companhia, conversar, enquanto eu solto os cabelos e me aconchego. Entre nós dois há um compromisso tácito de castidade. Diante de você eu poderia despir-me sem corar, e você poderia ver a minha carne sem desejá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto da senhora e o do doutor eram contíguos; em frente ao de Felka estava a “cela” do teólogo Nardelli; do outro lado, simetricamente ao de Hans, o aposento do magistrado idealista. Até na disposição das peças reconhecia-se, ao redor de Felka, o cinto de castidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum estranho podia chegar ao seu quarto de dormir sem correr o risco de ser visto e ouvido por um dos três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nenhum dos três podia transpor o limiar da porta da bela presa sem se expor ao controle dos outros dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esta noite, às onze — disse Felka, abandonando a mão tão pálida que parecia fosforescente nas mãos de Hans — às onze dexarei a porta semicerrada, e conservarei apagada a luz. Você entrará em silêncio, como no quarto de uma amante.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às onze uma luz se apagava e um trinco se abria, com um ranger que parecia um gemido abafado sob a mão de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a que estou contando é uma história de amor, diremos que o céu estava povoado de estrelas palpitantes. Mas o fato teria acontecido mesmo que não houvesse estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das árvores do parque (ou da terra?) subia a voz dos grilos (ou das cigarras?). A sua voz era como se um polegar subtil passasse e repassasse infatigavelmente sobre os dentes elásticos de um pente de prata, e de vez em quando se interrompia em breves silêncios, como uma cascatinha de água interceptada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grilos assobiavam lamentosos, como dezenas de apitos numa feira, até o aturdimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que limam, infatigavelmente, como os inúmeros operários de uma oficina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma oficina de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intervalos, dentre aquele ranger monótono escapava-se o grito de prazer lacerante de um gato no terraço embranquecido pela lua e pelas constelações. Nem os poetas, nem os amantes, mas somente os gatos compreendem a linguagem das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou era talvez um grito de amor. Um grito de sofrimento, pois. O gato, no momento da “pequena morte”, no amor, sofre e sabe que sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o homem sofre. Mas não sabe. Pensa que goza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a única superioridade que, em amor, o homem tem sobre o gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cores do mar, na noite de verão, eram tão puras que pareciam filtradas através de um prisma de cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O mês que prefiro é este — disse Hans Axenfeld, depois de longo silêncio, na alcova sombria, de pé, junto à janela, ao lado de Felka, enquanto um e outra olhavam fixamente para o fundo do horizonte, onde o tear calado da água forma o tecido líquido de metal incandescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vão da janela, os dois vultos estavam direitos e próximos. Felka estava envolta numa túnica clara como uma aparição, e os seus pés estavam nus sobre as sandálias levantinas de junco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O mês que prefiro é este — prosseguiu Hans — porque a campanha e o mar são uma grande orquestra de perfumes, em que aqui e acolá, como nas sinfonias, os vários instrumentos, os vários perfumes, acordam uma lembrança. E agrada-me este silêncio dos homens. As luzes estão apagadas; os homens dormem nesta hora: que tolos! Entretanto, se os homens estivessem despertos, já não haveria esta poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a túnica leve de Felka, os pequeninos seios feitos ao torno parece que estremeciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Os seus seios são minúsculos — disse Hans — como os das amazonas. Com a diferença que as amazonas, para poderem abraçar o escudo, só tinham um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E eu — disse Felka — não tenho nem esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua subia, passando as cumieiras da vila, e deixando mais escura a alcova. Mas a brancura que jorrava do céu estrelado desenhava os vultos de Hans e de Felka, contornando-os sob o fundo negro tão nitidamente que, aproximadas duas cadeiras cobertas de almofadas, sentaram-se. Hans não precisou bracejar no vácuo para encontrar uma mãozinha fria, mimosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob os lábios de Hans, o pulso de Felka palpitava como o coração de uma andorinha prisioneira. Porém, mais em cima, ao longo do braço, na espádua, sob as axilas, os lábios de Hans encontraram um calor macio e morno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a túnica se abriu e os pequeninos seios apareceram duros, vibrantes, trepidantes de frescura e de desejo, Hans acariciou-os levemente, com uma face, e pensou — o doutor em física — que a eletricidade se escapa pelas pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.........&lt;br /&gt;.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a sacudida epiléptica em que os dois corpos se fundem num só, os olhos fecham-se automaticamente. A natureza deixou entender aos homens que o amor é uma cerimônia misteriosa em que não se devem ver símbolos nem sacerdotes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor de Felka e de Hans consumou-se na mais profunda escuridão. Dois corpos que sentem que são belos e se procuram e se encontram e se enlaçam sem se verem... Isto é sinal de que uma vontade superior, clarividente, os guia. Uma vontade eterna que não conhece nem fés de mulherzinhas, nem leis de homens, nem morais de hipócritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amanhecer, quando no quarto entrou o primeiro raio de sol, o corpo de Felka, pálido como um arminho, e o Hans, musculoso como um atleta grego, encontravam-se de novo extenuados e belos, um ao lado do outro, sobre a cama revolvida; as tranças de Felka soltas sobre o peito de Hans; um joelho feminino sobre o seu ventre; e as mãos dele errando por aqui, por ali, sobre a brancura da pele macia e gozada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de se terem amado sem se conhecerem nas linhas do corpo, olhavam-se mutuamente, admirando-se. E, satisfeita a carne, o prazer proveniente da beleza contemplada do outro era mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Amas-me, Felka?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as duas bocas tornavam a se unir, como se se amassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é um pseudônimo com que os homens convencionaram chamar o prazer dos sentidos; mas quase todos julgam que seja o nome de uma coisa diversa, abstrata, indefinível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma coisa que, em realidade, não existe.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aquele dia os passeios de Felka com o doutor Hans tinham sido mais freqüentes que com os dois outros moralistas, os outros dois cordões do triplo cinto de castidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até então, entre a bela mulher de olhos de bebedora de absíntio e o jovem alemão de fisionomia de sonhador insatisfeito e inquieto, nunca tinha havido nenhum contacto epidérmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os que paravam nos portões do parque para estender as mãos sobre uma flor ou para atirar um olhar à estranha gente um pouco lendária que morava na vila, pensavam que aquele homem e aquela mulher fossem amantes. Eles permaneciam muito tempos juntos. Não podiam deixar de ser amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a partir do dia em que se tornaram de verdade amantes, ninguém mais acreditou no seu amor, porque nunca mais se mostraram juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada duas ou três noites, a horas tardias, a porta de Felka se abria, e um homem de pijama de seda entrava no quarto, leve como um fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Hans!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Felka!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu de agosto era sulcado de estrelas, de fragmentos de estrelas projetados doidamente no espaço, como por um deus pirotécnico aprendiz da sua arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se enquanto uma estrela realiza no firmamento o seu vôo — dizia a mulher, no fundo das sensuais mais inteligentes, suspira sempre uma tola romântica — se, enquanto uma estrela realiza o seu vôo, tu formulares um desejo, o teu desejo será satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o desejo era sempre satisfeito, porque o homem ávido e a mulher vibrante, enlaçados, nus, em um nó de membros retorcidos como as serpentes de Medusa, permaneciam firmes, no amplexo, para prolongar longamente o espasmo. E enquanto isso, enrolados, contorcidos, trançados um com outra, na escuridão, em um nó que tendia a se desmanchar mas cada vez se apertava mais, olhavam, na bela noite adriática, ora através da janela, ora no espelho em frente, as estrelas nômades, faiscando fantasticamente no azul profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tão sublime celebração de amor, de um amor que desafiava o direito de um marido, a honestidade de uma mulher, a lealdade de um amigo; que se punha em conflito com duas consciências, com a lei, com a moral, Felka e Hans compreenderam finalmente como o amor dos amantes é lícito em todas as formas, quando é verdadeiro, quando é belo, quando dois corpos nus se atraem integrando-se, quando através de uma janela irrompem os perfumes de agosto e aflui o infinito do espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moral, diante do amor arrebatado, torna-se uma coisa ainda mais miserável e esconsa do que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se às paredes de um arco de triunfo, todo verde louros e vermelhos de sol, enquanto passam os soldados ébrios de conquista, alguém pregasse um cartaz com os seguintes dizeres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É proibido fumar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor celebrado assim, com loucura, com febre, com sofrimento delirante, é sempre belo, ainda que tivesse de arrastar consigo uma tragédia, ainda que trouxesse nos filhos a mistura com um sangue diverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é obsceno quando feito de cartas à posta-restante, de cumplicidade de porteiros, de cópulas apressadas em hotéis por hora, de movimentos embaraçados em veículos de praça com cortinas abaixadas, de posses incômodas com complicações de vestidos que o medo de serem surpreendidos não permite tirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o amor é sórdido e imoral somente quando atormentado pelas dificuldades, pelos subterfúgios, pelas hipocrisias que a moral hipócrita impõe.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A tristeza e a alegria — dizia a senhora Felka uma tarde, à sombra de um eucalipto sob o qual costumava tomar o café — a tristeza e a alegria, meu bom teólogo Nardelli, não nos vêm do mundo exterior, mas existem em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans e a pequena dormiam a sesta. O juiz, rodeado de livros impenetráveis aos profanos, entregava-se ao seu onanismo filosófico, num recanto do parque, solitário, fresco e poético, onde vingam os cogumelos e as dores reumáticas. As janelas estavam fechadas como pálpebras sobre olhos obumbrados pela luz. A vila era como um forno escaldante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli ofereceu o café à senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não é o mundo exterior — continuou Felka — que age sobre a nossa sensibilidade, gerando a dor ou o prazer, mas a dor ou a alegria que há em nós é que nos fazem ver diversamente colorido o mundo exterior. Hoje, meu amigo, estou triste. Sinto a necessidade de me embriagar, mas quero a sua cumplicidade autorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Embriagar-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Desmemoriar-me. “Me griser.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um ramo do eucalipto estava suspenso um gongo de bronze esverdeado. Felka deu-lhe um golpe com o martelo de couro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Leve para casa as xícaras — disse ao criado maltês, indicando a bandeja — e sirva no meu quarto champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— “Frappé”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se houver gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Biscoitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Se houver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli acompanhou a senhora, por entre os canteiros de hortênsias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas no meu quarto não o quero vestido assim. Pareceria u’a missa negra. Venha em traje de banho, em pijama de praia, como queira. Mas assim, não. Espero-o dentro de um quarto de hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora esvaziou — chegando ao quarto — o toucador de todos os aparelhos para as unhas e os cabelos. O criado pôs ali um vaso de metal com uma garrafa de pescoço e ombros envoltos em linho branco, como o manto de um rei, e uma bandeja em que duas taças se chocavam tinindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escrivaninha afastou alguns livros para dar lugar a um prato daqueles biscoitos compridos, tubulares, em anéis, que em 48, com aguda malícia, se chamavam “plaisirs des dames.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka chegou-se à janela. No jardim subjacente um presunçoso galo de amplas curvas caminhava cons­tran­gi­da­mente aos pulinhos, como um enfermo de ataxia motora que vá pedir uma reparação pelas armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar estava como nas aquarelas das senhoritas: uma linha, e sobre essa linha uma vírgula branca virada (uma vela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, entrou no quarto um cheiro de cedro. Cheiro de claustro. O teólogo Nardelli aspergia o corpo todas as manhãs com água inglesa que lhe recordava a sua adolescência. O jardim de seu colégio era todo cheiroso a cedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o jovem sacerdote devia estar muito pouco vestido para que logo ao entrar no quarto de Felka se escapasse do seu corpo aquele bom cheiro fresco de erva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Afia as armas? — perguntou à senhora que lustrava as unhas com o polidor de pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim — respondeu Felka —. E agora vou pintar também, na sua presença, a boca. É vaidade, não? Mas são os senhores, moralistas católicos, que, lembrando-nos com demasiada insistência que um dia próximo as nossas mãos hão de ser apenas ossos e o nosso rosto será apenas caveira, são os senhores que nos estimulam, enquanto não somos ainda esqueletos, a embelezar-nos as carnes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli sentou-se mergulhando os punhos nos bolsos do pijama. Sob a seda distendida o tórax se modelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tinham bebido a terceira taça, Felka disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que coisa efêmera é a dor se bastam três taças de champanha para suprimi-la!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A senhora disse uma tolice — sentenciou o jovem sacerdote —. Seria como afirmar que a vida é coisa efêmera porque basta meio grama de estricnina para aniquilá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tem razão — replicou Felka —. É uma coisa efêmera a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nardelli bebeu uma quarta, uma quinta taça de champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E efêmera é também toda a insensata ideologia sobre a castidade, sobre a fidelidade, sobre a espiritualidade do amor — zombou Felka — se à quinta taça de champanha os seus crentes a renegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca de Nardelli e a boca de Felka eram como as duas partes de um fruto partido que se tivessem colado de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos olhos de ágata de Felka ia desaparecendo a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O teu corpo nu — disse-lhe Nardelli com admiração — recorda-me o corpo de uma bela adolescente indiana que conheci numa cidadezinha cor de rosa nos confins da “jungle”. No seu ventre (um ventrezinho feito, como o teu, não para a fecundação, mas para os amores estéreis), no seu ventre havia, tatuada em espiral, toda a história de acidentada caça ao tigre. Depois de vários episódios dramáticos, o tigre perseguido conseguia fugir, sumir-se num esconderijo secreto do ventre depilado, de onde não ficava de fora mais que a cauda. Nos olhos de ágata de Felka não havia mais vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.......&lt;br /&gt;.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas horas depois tornavam a se vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa triste no amor é o tornar a se vestir.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tornei a me casar — respondia Felka servindo-se de açúcar — porque a situação da viúva nos nossos países é ridícula. A viúva, no meio das outras mulheres, é diante da opinião pública como aquela casca de ovo que um jorro de água levanta e que serve de alvo preferido nas feiras. Há, no fundo, outros alvos — as outras mulheres — mas o ovo na ponta do jorro de água é o que todos se empenham por atingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três moralistas, recostados nas cômodas poltronas de junco, acendiam cigarros e provocavam as revelações da senhora Felka. A luz, naquela sala de jantar, chovia de uma lâmpada amarela que fazia mais amarelas as grandes borlas de ouro do forro abaulado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu não amo o meu marido. O meu marido não me ama. Daí que, conversando há alguns dias com um amigo, no seu consultório, dissesse: “Quando eu morrer, não me enterrem junto com a minha mulher; sempre gostei de quartos separados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Não amas a tua mulher? — perguntou-lhe alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Não a amo — respondeu meu marido — nem nunca a amei. Casei com ela por meros motivos pneumáticos. Tenho uma amante assaz opulenta de formas, que não é a mulher ideal para a satisfação dos meus modestos apetites. Eu precisaria de u’a mulher inflável e desinflável como os travesseiros de borracha para viagem. Minha mulher, com a sua harmoniosa magreza, é a imagem desinflada da minha formosa amante.&amp;lrquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três moralistas tomaram uma expressão de branda e hilar pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criado trouxe uma carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora abriu-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E leu. Os outros calaram. Uma falena, indecisa entre a sedução da luz e a tentação do perfume, aleteava desordenadamente entre a lâmpada e os cálices de cristal avermelhados por um velho xarope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido de Felka escrevia-lhe no momento de partir para a Argélia, onde ia realizar importante operação. E concluía: “Espero que os teus receios se tenham dissipado”. “Receios? Que receios? — pensou a senhora — A que receios se referirá?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois se lembrou. E riu, por dentro, com os lábios fechados. Antes de se despedir do marido, a última vez, formulara-lhe a suspeita de estar grávida. Mas não havia nada. É uma precaução útil, para u’a mulher que o marido deixa sozinha ou com outros homens, dizer-lhe, antes da partida, no ouvido: “Sabes, eu tenho receio da estar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka rasgou em quatro, oito, dezesseis, trinta e dois pedaços a carta, e atirando os fragmentos na bandeja dos licores, anunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O meu marido parte para a Argélia. Voltará dentro de dez dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E levantou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Estou cansada, meus amigos. Se permitem, retiro-me para o meu quarto. Podem permanecer aqui. Deixo-lhes os cigarros, os licores, e um inesgotável assunto de conversa: “Uma mulher sem amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertou as mãos dos três amigos e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por certo que eu — comentou o juiz, deitando um olhar para a porta que se fechara — não me en­car­re­ga­rei de consolá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tampouco eu — acrescentou Hans, com horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu, então... — sorriu o teólogo Nardelli, fazendo correr um olhar significativo sobre as suas vestes talares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O estado de viuvez lhe pesava — comentou o juiz abraçando um joelho com as duas mãos —. O amor pelo marido defunto não era tão nobre que lhe acalmasse os baixos desejos da carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans calava-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teólogo Nardelli distraía-se contemplando um copo cilíndrico cheio de água, no qual se torciam lianas ornamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Parece aquela fauna intestinal — disse o teólogo Nardelli — que se vê em certos frascos, nas farmácias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans e Nardelli não queriam acompanhar o juiz em terreno tão insidioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Amor, amor... — disse Hans —. É um tema sobre que nunca se está de acordo. O amor é um conceito que tem diferente extensão para cada indvíduo... Adeus, eu vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao primeiro andar, bateu docemente, com as polpas dos dedos, na porta de Felka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esta noite não — disse Felka —. Estou cansada. Hoje só te dou um beijinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E agora, vai-te.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans recebeu o beijo e foi-se, puxando a porta, que pouco depois tornava a abrir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornava a abrir-se e o sacerdote setecentesco das fivelas de prata entrava silenciosa e leve, e aproximava-se de Felka com um gesto hierático das mãos pálidas, e olhava para ela comovido. Nunca olhara com tal transporte para um ostensório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas isto não é abraço, — estremeceu contente a mulher — é agressão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Amo-te, Felka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Também eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Serei o teu único amante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Juras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pelo túmulo de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não jures pelos túmulos, Felka! É o juramento menos seguro de todos, porque a quem está morto não lhe pode acontecer nada pior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka sentou-se nos seus joelhos e rodeou-lhe o pescoço com os seus braços nus, com o que ela chamava a “minha coroa sem espinhos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como és criança — murmurou Felka — no amor! És ainda daqueles que entre um e outro beijo exigem um juramento. Gosto de ti porque no ímpeto da posse gastas toda a energia acumulada em anos e anos de abstinência. E como no fundo do meu corpo de mulher sensual e insaciável há uma romântica incuravelmente iludida, eu te amo porque me iludo imaginando que durante toda a adolescência e a juventude tu te conservaste puro, esperando por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cupidez do homem não se podia mais conter. As suas mãos tentavam abrir passagem por entre a leve roupa branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, já não — reteve-o Felka —. Eu gosto dos “hors d’oeuvre” do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu também — mentiu o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. Tu queres logo o prato principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas tu depois repetes quatro e cinco vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os laços e nós se desataram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem apertou entre as mãos um punhado de linhos ainda quentes e cheirando a carne, e enterrou neles a cara. Depois os jogou para cima de uma cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pés descalços sobre o soalho frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O afundar-se de um leito sob o duplo peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertado entre os braços de Felka, que se cruzavam na sua nuca robusta, ele ouvia o seu próprio coração pulsar sobre o seio direito dela, quente e elástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos instantes desfilaram-lhe diante da memória os anos da sua vida espiritual, as longas meditações na cela branqueada a cal, no jardim do colégio, no pórtico solitário. Oh! a vida espiritual, a fé, o pensamento em Deus nunca tinham conseguido dar-lhe o verdadeiro esquecimento da matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o amplexo daquela mulher dava-lhe o completo esquecimento de tudo. O gozo que provinha daquela epiderme feminina guindava-o ao idealismo absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu colégio impregnado de fé, na cela branqueada a cal, muitas vezes pensara na morte sem ter dela uma idéia clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, entre aqueles braços femininos, mornos de luxúria, ele tinha a intuição exata da morte. Sentia-se arrebatar, mergulhar na inconsciência. O sono, a loucura, não dão idéia da morte. O amor, sim. A sacudida de todos os nervos, a aceleração do ritmo do coração, a abolição da consciência, não são mais que rápida agonia. No momento em que a gente se projeta fora de si mesmo, morre-se um pouco; faz-se uma excursão momentânea à morte, que parece mais bela porque se morre a dois e volta-se à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu fiz-te conhecer o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, Felka. Tu me fizeste conhecer a morte.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nardelli, o jovem sacerdote, dava a Felka, além do ardor de sua carne moça, também o fogo da sua espiritualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans dava-lhe somente a galhardia do seu corpo de atleta grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todas as noites, ora um, ora outro, gozavam no leito de Felka o prazer de um instante de morte. A mulher de sensualidade inextinguível dava a um e outro a ilusão da fidelidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a um e outro dava a ilusão de amá-los, porque sabia que no homem o paroxismo da nevrose, a sacudida epilética do prazer são mais intensamente trágicos quando sobre a verdade dos sentidos adeja a mentira convencional do amor. Os homens ainda não o compreenderam; mas a mulher sabe, por intuição, que no prazer não entra o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponham em contacto os dois pólos dessas máquinas imprecisas que são o macho e a fêmea. Se se agradarem, brotará a faísca do gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que, no fundo, as duas máquinas se detestem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que me deu os espasmos eróticos mais loucos foi u’a mulher que possuí, por cinco anos seguidos, odiando-a.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Devia ensinar-me um pouco de filosofia, o senhor que anda sempre com o Kant de arrasto — disse Felka u’a manhã, vestida de malha aderente, trepada na proa de um barco e virando as costas o juiz que remava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o espelho encrespado o barco deslizava, leve e rápido como uma “canga”, a embarcaçãozinha usada pelos egípcios no Nilo. Por ter a proa fina, cortante, levemente encurvada, o doutor Cirmeni batizara-o de “Bisturi”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pezinhos de Felka roçavam na água e com os dedinhos recurvados iam recolhendo um pouco de espuma. O barco corria ligeiro, impelido pelos braços sólidos do juiz, e o corpo da mulher, na proa, era como uma pequena vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Precisa-se muito inteligência — perguntou Felka — para ser uma boa filósofa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas se precisa — respondeu o moralista curvando-se sobre os remos — para ser uma boa amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka de um pisco fez passar uma perna por cima do esporão da proa, girou agilmente sobre si mesma, e sentou-se em frente dele. Este parou, baixando sobre as próprias coxas a empunhadura dos remos, e erguendo fora da água as pás gotejantes. O barco ficou abandonado sobre as ondas fracas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O azul era profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cortiça flutuante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na praia distante um colar fino e arrumado de vilas, como corais brancos, róseos e vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas nuvenzinhas alvas, em flocos, em fios, em cachos como uma peruca setecentesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka tirou o capacete de impermeável, e a cabeleira loira que estava em baixo, oprimida, se esparramou numa desordem rebelde, como as pétalas amarelas e crespas de um crisântemo dobrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como sabe o senhor se eu sou uma amante boa ou má?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não sei nada. Quisera saber. Ofende-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. Mas um moralista como o senhor... — respondeu ela, zombeteira, sentindo-se mais forte naquela tênue malha reveladora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz suspendeu os remos e, sem tirá-los das forquetas, pousou-os com as pás sobre o barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Falemos um pouco de sua pessoa. — disse, cruzando as pernas e levando dois dedos da mão direita a um joelho nu, como para beliscar, com o gesto habitual, o friso da calça —. Á senhora enche-me de curiosidade, Felka. Quisera saber alguma coisa de íntimo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E lhe parece pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É muito. Mas eu sou um colecionador de curiosidades sentimentais, de aberrações psicológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Em mim — garantiu Felka — não encontrará nem aberrações, nem curiosidades. Sou mulher. Muito mulher. Um meu amante farmacêutico definiu-me como um extrato etéreo de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho trinta e cinco anos. A idade em que os desejos se tornam espasmos, em que o espasmo se torna delírio, em que a entrega tem toda a beleza de uma bela impudicícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor se horroriza, meu amigo. É daqueles para quem a viúva devia ser queimada com o cadáver do marido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— À viúva os senhores permitem que constitua uma casa, que seja elegante, que freqüente as estações mundanas de veraneio; mas do ponto de vista sexual proíbem-lhe qualquer satisfação. Se os seus nervos vibram, se os seus sentidos gritam, deve, para satisfazê-los, recorrer a mil subterfúgios ignóbeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Impõem-lhe fidelidade à memória daquele marido de quem nada mais resta que um pouco de matéria calcária em forma de caveira. Em honra daqueles fragmentos ds cálcio, fósforo e carbono, a viúva deveria, segundo os senhores, abafar a vida que grita nas suas carnes. O ato sexual, para os senhores, é inseparável do sentimento: morto o marido, o estímulo sexual deveria desaparecer como se a mulher fosse um canhão de que o marido, partindo para o outro mundo, levasse consigo o obturador. Perdoe a comparação, mas o meu primeiro marido era um oficial da artilharia polonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os sentidos dever-se-iam apagar como se apaga a chama do gás, fazendo girar uma chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas não sabem, desgraçados, que alguma coisa de mais forte que o sentimento se ergue a cada passo em nosso sonho adocicado de ternura espiritual, para chamar-nos à brutalidade das funções orgânicas? Não sabem que podemos, pela alma, estar ligadas à memória do marido, e, morto ele, podemos não amar mais ninguém, mas que apesar de tudo a febre dos sentidos fatalmente nos impele a procurar um homem soberbamente vivo que nos sacie, onde haja não o eco da voz de um morto, mas o grito da vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A consciência? Consciência, nada! A carne, digo eu. Também nós, mulheres, temos desejos prepotentes como os têm os senhores, que, entretanto, podem atendê-los com a maior simplicidade, fora de qualquer fato sentimental. Os senhores satisfazem os sentidos como quem vai ao restaurante, ao bar, ao banhista, ao barbeiro. Pois bem, nós mulheres quiséramos que existisse uma prostituição masculina, para podermos saciar os nossos apetites sem tropeçar com complicações sentimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, não é feio, meu amigo. Arranjar um amante, com todas as complicações de epistolário, de fidelidade, de devotamento, de laço eterno, é u’a maçada. Um homem que tenha sido hóspede do nosso leito, considera-se no direito de só ele voltar ali. E julgando ter-nos dado quem sabe o quê, pretenderia ainda que lhe agradecêssemos comovidas, e que lhe déssemos em troca o nosso coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós mulheres arranjamos amante não por necessidade de coração, mas para as necessidades de outros órgãos menos literários e de funções menos indefiníveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Os senhores não compreendem a tortura orgânica das nossas noites solitárias. Não compreendem porque nenhuma mulher ousou confessá-lo nunca. E nenhuma mulher ousa confessá-lo, porque a moral dos homens de há dois mil anos proibe-lhe dizer uma honesta verdade. Mas entre nós, mulheres, o dizemos. Ou talvez nem o digamos, porque é uma verdade evidente, comum a todas as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não lhe terá acontecido nunca, meu amigo, ouvir u’a mulher dizer que almeja uma prostituição masculina. Mas eu lhe juro que todas as mulheres, no fundo, a desejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim, todas desejamos poder, finalmente, sobrepor ao nosso corpo o corpo de um macho, sem ter que lhe dizer: amo-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não ter que dizer: amo-te. A beleza da aventura de hotel, o encanto da cópula com o desconhecido de ontem, com o esquecido de amanhã, é este: não ter que dizer como a um amante: amo-te, como a um marido: só te amo a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E nós mulheres estamos tão cansadas de ter que dizer a um marido ou a um amante: “nenhum outro homem me agrada a não seres tu”, que o enganamos até para darmos a nós mesmas a prova da inexistência daquele amor que se nos impõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O prazer de trair consiste todo nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os senhores à carne não pedem o que a carne pode dar, mas exigem alguma coisa mais. Não lhes basta que nós nos entreguemos para saciar a nossa carne e a sua. Querem ainda o discurso de circunstância, o róseo cartão de dedicatória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não se contentam nunca com o amor que lhes oferecemos. Exigem também selos de garantia, análises químicas, fórmulas farmacêuticas que especifiquem todos os ingrediente do nosso amor, e as várias doses. Não há homem, por mais inteligência que possua, que não nos dirija as habituais, estúpidas perguntas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— No ano passado amavas-me como hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Amas-me hoje mais do que ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— O teu amor não se está entibiando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Amar-me-ás ainda por muito tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas que vamos nós saber do nosso amor? Não registramos todos os dias os vários graus de temperatura do nosso coraçãozinho, e não podemos prever os eclipses do nosso desejo, nem os cometas de outros homens que atravessarão a órbita imensa da nossa imensa sensualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os senhores nos ensinaram a dizer tolices para responder às suas tolas perguntas. As nossas estúpidas cartas de amor são copiadas das suas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ensinaram-nos a mentir, e depois dizem que a mulher mente por instinto. O meu instinto levá-la-ia a entregar-se lealmente a este e àquele, a três, a quatro, a dez homens em seguida, até que se esgotassem aquelas provisões de energia que um só não basta para esgotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“U’a mulher que parta para a sua longa viagem no oceano da sensualidade, provida do amor de um só homem, é como um navegante que saia para uma grande travessia e leve como único alimento favas em salmoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A mulher entregar-se-ia com cega prodigalidade. Mas a selvagem pretensão dos senhores, de domínio absoluto, obrigou-a, não podendo transformar os instintos, a mascará-los. A mentir. Os senhores contrariam-lhe o instinto: a mulher, tornando-se mentirosa, não faz mais que se adaptar ao ambiente, como aqueles animais que, vivendo em baixo da terra, criaram garras fortes para escavar galerias.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Em resumo, a senhora — replicou o juiz, palpando com o polegar a palma da outra mão, calejada pelo remo — em resumo, a senhora faz a apologia do prazer sem amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, deixo-o de parte — respondeu ela, rindo — como deixo da parte a questão das garantias, a questão homérica e a questão irlandesa. Não me interessa. Existe o prazer unido ao amor: admito. Mas sustento que o prazer separado do amor tem a sua razão de existir. Ama-se uma vez ou duas na vida. Há quem — como eu — nunca amou. Entretanto, a necessidade dos sentidos volta periodicamente, como num organismo sadio a fome volta cada cinco ou seis horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não acredita no amor feito exclusivamente de alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não. E procurei-o avidamente. O prazer dos sentidos a cujo encontro sempre corri, não tendia a outro fim, no fundo, senão a destruir a minha sensualidade, para poder um dia experimentar o amor da alma. Fiz como os “dapaks” de Bornéu, que, acreditando na imortalidade da alma, devoram o pai para conservar em si o princípio espiritual. Eu devorei os meus sentidos, para procurar a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Portanto nega a fidelidade, que é um fato espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pode ser que exista alguma mulher fiel — admitiu ela com ironia —. Mas a fidelidade, em qualquer caso, não é mais que uma série de adultérios abortados, de traições malogradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka, inclinando-se de lado sobre um flanco do barco, recolheu no oco da mão um pouco de água, com que borrifou a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E a senhora deseja tão ardentemente assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim, — confessou ela — desejo, desejo como desejamos todas nós, mulheres moças e sadias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco, abandonado a si mesmo, afastara-se muito da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esta discussão — observou a senhora, apontando para a costa — levou-nos muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu diria que nos aproximou — corrigiu com sorriso ambíguo o jovem juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não compreendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Aproximou-nos um do outro — explicou ele —. Alguém disse que falar de amor eqüivale a fazê-lo. Eu creio que falar de desejo equivalha a desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka olhou para ele com fria intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Aliás, — continuou ele — como poderia não ser assim? A senhora me agrada, Felka, pela frescura do seu corpo e pela sinceridade audaz das suas palavras. E o pensamento de podê-la embalar aqui, no meio do mar, como uma deidade marinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Literatura, literatura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O pensamento de possuí-la, aqui, me inflama. Felka mergulhou os dedos na água e borrifou-lhe o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acalme-se, meu amigo. O senhor está superexcitado. Não me dê o remorso de ter atentado contra a sua virgindade de moralista incorruptível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E, depois, diga-me, um homem como o senhor, feito para os amores prolíferos, à sombra protetora de cortinanados familiares, com uma esposa obtida mediante todas as formalidade fiscais de Deus ou de alguns dos seus agentes, um homem como o senhor, teria a imprudência de possuir a mulher de outrem, num barco, em pleno dia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felka riu-se. Quando uma mulher ri está desarmada. Às vezes, porém, o riso de uma mulher é a mais inexpugnável das defesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra a ironia e o paradoxo despedaçam-se as mais robustas argumentações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque havia Felka de se defender hoje? Porque aquele homem não lhe agradava... Mas, nove vezes em dez a mulher se entrega ao homem que não lhe agrada! O gozo é produzido por um choque mecânico que se opera de olhos fechados! A mulher goza mais ou menos com a mesma intensidade com todos os homens. A escolha é devida mais ao acaso do que à reflexão. Não há, pois, de que se gabar por ter sido escolhido por uma mulher, porque a mulher nunca escolhe. Adapta-se. Resigna-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com hábil movimento das pernas nuas e de busto embainhado pela malha de seda, ela fez realçar todo o juvenil vigor das suas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As axilas, sabiamente aloiradas, prometiam segredos triangulares de um loiro impudico. A respiração agitada que dilatava o tórax e levantava o peito, sugeria o eletrizante contacto de u’a musculatura palpitante no ato da posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquele homem, de olhos míopes e de carnes brancas como as de u’a monja, não lhe agradava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao expor as suas idéias sobre o prazer e os modos de obtê-lo, Felka se excitara pensando num homem distante, talvez Hans, talvez o jovem Nardelli, talvez um homem dos seus sonhos, talvez um homem entrevisto, quem sabe em que épocas remotas, quem sabe em que noite de insônia. Mas o homem que estava na sua frente não lhe agradava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por que não queres ser minha? — insistiu o juiz, com a boca espumante de desejo —. Se os teus sentidos são ávidos, por que não queres que eu os acalme? Se não te entregas a mim — gritou — é sinal que tens um amante. Teu marido está longe. O teu desejo renova-se constantemente. Se não te entregas a mim é porque te entregas a outro. Quem é? Nardelli? Hans?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não! — gemeu ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para não dar a entender que havia outros dois homens na sua vida, deixou que o juiz a apertasse nos braços, e lhe desamarrasse os cordões sobre os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mãos trêmulas ele fez virar-se e cair sobre si mesmo o maiô de seda, ao longo do tórax, ao longo das coxas. Felka levantou, conformada, consentindo, uma perna, e depois a outra; e o maiô, desprendendo-se, caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando, deitada no fundo do barco (um pouco de água fria tinha-se acumulado sob os seus ombros e em baixo da nuca), viu, sobre o seu rosto, um rosto congestionado (tinha tirado os óculos e mergulhado os olhos), pensou que o amplexo daquele homem que não lhe agradava tinha um único valor: o de realizar-se no mar, sob o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que, da praia, olham de binóculo para o mar, vêem às vezes um homem e u’a mulher, que se afastam remando desaparecerem por alguns minutos no fundo da embarcação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o mais das vezes, a culpa (ou o mérito?) é toda do sol.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como são bons os lábios das mulheres, quando salgados pelo vento marinho!&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela noite e todas as noites e no dia seguinte e em todos os dias consecutivos, os três moralistas evitaram tocar o tema esdrúxulo da mulher e do amor. Os três moralistas, com efeito, davam-se a entender um aos outros que eram incapazes de desejos. As ligas de moralidade pública não são mais que o conjunto mais ou menos numeroso de homens porcos como todos os butros, que fazem crer uns aos outros que o são um pouco menos. Os moralistas, os rígidos conservadores dos bons costumes, são aqueles que desejariam suprimir a prostituição, mas ao mesmo tempo e às escondidas são os seus mais animadores sustentáculos. Os moralistas fazem com as devidas precauções aquilo que os outros homens fazem sem cautelas. Nos prostíbulos, quando de repente as portas das salas de espera e de escolha se fecham discretamente, isso quer dizer que passa um freguês de consideração, que em homenagem à moral não quer ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;U’a manhã em que, não se sabe como, a conversa recaíra sobre a frieza e a paixão, cada um dos três pensou com íntima satisfação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu, só eu matei a sede àquela mulher!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o marido estivesse presente, teria pensado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu, só eu saciei a sua fome!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a mulher pudesse dizer toda a verdade, teria gritado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Nenhum de vocês me sacia! Nem todos os quatro, jun
